23 Out, 2017

Ascensão divina: os milagres do menino Jesus

Rafael RibeiroFevereiro 18, 20178min1

Ascensão divina: os milagres do menino Jesus

Rafael RibeiroFevereiro 18, 20178min1

Da Vila Peri para Manchester. Das categorias de base do Palmeiras para a titularidade do Manchester City. De aposta de Oswaldo de Oliveira, à alento de Pep Guardiola. Como Jesus encantou palmeirenses, brasileiros, ingleses e amantes do futebol como um todo?

Com carisma, humildade e muita bola, Gabriel Fernando de Jesus se consolida entre jovens jogadores com potencial para serem protagonistas na Europa e em suas seleções. Ainda que todos respirem fundo aguardando notícias sobre sua mais recente lesão (uma fratura no pé direito), é possível acreditar que ainda veremos muitos feitos do jogador pelo City e pelo Brasil.

O início

Na Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2015, o Palmeiras e sua torcida estavam diante de uma promessa a ser consolidada, Despontava para o futebol brasileiro, o menino Jesus. 1,75m de altura, 17 anos à época, e 5 gols em 6 jogos na competição. Menos conhecido para os outros, que ainda não voltavam os olhos ao garoto da base, que tinha feito 16 gols no Campeonato Paulista sub-17 de 2013 e incríveis 37 gols em 22 jogos do Paulista sub-17 do ano seguinte, artilheiro em ambos, sendo este último número recorde da competição.

Fato é que a ascensão de Gabriel Jesus veio a calhar. No período em que brilhava pelas categorias de base, o time principal penava para se manter na primeira divisão do campeonato nacional. Já em 2015, bancado pelo técnico Oswaldo de Oliveira no time principal, fez seu primeiro jogo no Campeonato Paulista, contra o Bragantino, em vitória por 1 a 0. Entrou aos 24 minutos do 2º tempo, já com a torcida gritando por seu nome.

Após boas aparições no campeonato nacional que iniciara, fez seu primeiro gol profissional pela Copa do Brasil,  numa vitória também por 1 a 0 contra o ASA de Alagoas, em 15 de julho de 2015. Copa que ganharia ao final do ano,  numa final contra o Santos de Gabriel Barbosa, o Gabigol (o Fair Play já sabia qual dos dois era o melhor), e Lucas Lima, sendo este seu primeiro título profissional. Destoando das inconstantes apresentações do Palmeiras no Brasileirão, o clube foi bem na competição que Gabriel Jesus ajudara a conquistar, com três gols e uma assistência.

Golaço de Jesus contra o Cruzeiro, nas oitavas de final da Copa do Brasil. (Fonte: Giphy)

Jesus seguia firme em sua ascensão. E o ano de 2016 foi divino, individual e coletivamente. O Palmeiras espantou a má fase, acertou em pontos importantes fora de campo, como a boa administração do Presidente e torcedor Paulo Nobre, a consolidação de uma arena que continua atraindo bons públicos (e consequentemente boa renda) e junto com um dos maiores investimentos em patrocínio do país. Dentro de campo, o camisa 33 fazia seu segundo campeonato Paulista profissional, anotando cinco gols em 12 jogos, e mesmo sem o título, os torcedores já tinham uma canção a entoar: “Glória glória aleluia, é o Gabriel Jesus!”.

O Campeonato Brasileiro

Na estreia do Brasileirão 2016, um início arrasador. Vitória por 4 a 0 sobre o Atlético-PR, dois destes gols anotados por Gabriel Jesus. E aos poucos os adversários iam sofrendo na mão (ou pés) do atacante que, se não devidamente apresentado na temporada anterior, desta vez driblava desconfianças e zagueiros, corria de repórteres e marcações, e mostrava um futebol vertical, objetivo, livre de manias, mas cheio de habilidades. Outros dois jogos de destaque do Gabriel Jesus nesta campanha de título palmeirense foram na 12ª e 22ª rodadas do Brasileirão:

Contra o Figueirense, em vitória por 4 a 0, com dois gols do menino, Jesus ficou com a artilharia isolada do campeonato no momento (já com nove gols), mantendo 100% de aproveitamento do time como mandante, e deixando o time na liderança isolada do Brasileirão; e contra o Fluminense, uma vitória por 2 a 0 fora de casa. Este jogo marcou o retorno de Gabriel Jesus após o ouro olímpico, (o qual falaremos em breve). Mesmo sem marcar, foi um dos melhores em campo, em partida onde foi extremamente caçado, curiosamente saindo com sua chuteira rasgada por um carrinho adversário.

Um detalhe bastante comentado a partir de então foi que Gabriel Jesus já havia sido comprado pelo Manchester City, em 2 de Agosto, e ainda assim deu o máximo que podia em campo até o final do campeonato, não “tirou o pé” em nenhuma dividida, e mesmo sendo menos eficaz que no primeiro semestre, foi fundamental na conquista do campeonato brasileiro, terminando a competição com 12 gols.

Gabriel foi eleito o craque do Brasileirão. (Foto: Youtube)

O ouro olímpico inédito

Após dois empates em 0 a 0 nas duas primeiras rodadas da fase de grupos da competição, o sentimento não era de muito entusiasmo. Individualmente destaques em seus clubes, coletivamente o Brasil não empolgava. Precisando de um resultado positivo para avançar as quartas, o Brasil reagiu bem, e Gabriel Jesus desencantou.Aberto pela esquerda, executou tais qualidades citadas anteriormente, e guardou um gol na goleada de 4 a 0 sobre a Dinamarca, pela última rodada da fase de grupos. Voltou a brilhar já na meia final, contra Honduras, num passeio da seleção brasileira, 6 a 0, com direito a dois gols de Jesus, substituído sob aplausos por Felipe Anderson.

O segundo golo de Jesus contra Honduras (Fonte: Giphy)

Na final, contra a Alemanha, após muita aplicação tática, cobrindo espaços, tenso como os companheiros, viu o cansaço tomar conta de suas pernas na prorrogação. Sorte é que pôde comemorar a vitória nos pênaltis por 5 a 4, e colocar no peito uma medalha que, para os jogadores, foi resposta à críticas de pessimistas.

Welcome to Manchester, Gabriel Jesus!

Para completar sua escalada na carreira, Jesus escolheu o Manchester City para o próximo passo e muitos ainda analisam o que foram as primeiras apresentações de Jesus pela equipe. Nem os mais otimistas cravariam que o jogador rapidamente seria titular e goleador do time, ainda que soubessem que isso seria uma questão de tempo. Mas, quanto tempo? Exatamente 13 minutos:

21 de Janeiro – vs Tottenham – Premier League:

Entrou aos 37 minutos do 2º tempo, substituindo Sterling. Na primeira jogada, uma cabeçada muito próxima do gol. Na segunda, uma arrancada pela esquerda, recebendo um cruzamento rasteiro, e o gol. A glória. Segundos mágicos, interrompidos pela sinalização de fora de jogo. O jogo continuara 2 a 2, e a tal glória fora adiada. Mas a impressão? Das melhores, suficientes para ganhar a titularidade no jogo seguinte.

28 de Janeiro – vs Crystal Palace – Copa da Inglaterra:

Titular,  atuando durante os 90 minutos, Jesus obteve a rápida redenção que lhe cabia. Uma bela assistência para Sterling marcar o primeiro, e depois sofrendo falta para Yaya Touré marcar o terceiro, Gabriel Jesus foi saudado com a chuva de Manchester; eram as boas vindas.

1 de Fevereiro – vs West Ham – Premier League:

Titular pela primeira vez na Premier League, na vitória por 4 a 0 fora de casa, Jesus comandou o time, deu assistência para De Bruyne aos 16 do 1º tempo, e fez seu primeiro gol aos 38 após assistência de Sterling. As câmeras não sabiam se focavam no sorriso de Guardiola, ou no olhar incrédulo de Aguero (do banco de reservas). O técnico tentou minimizar qualquer polêmica colocando Aguero para jogar junto com o brasileiro, deslocando-o para a ponta esquerda. Fim de papo, e o brasileiro caía de vez nas graças dos citizens.

5 de Fevereiro – vs Swansea City – Premier League:

Não contente com um gol e uma assistência, Jesus resolveu logo marcar dois na mesma partida, e garantir a vitória por 2 a 1 em casa. Um dos gols aos 11 do 1º tempo, e outro já nos acréscimos. Se a torcida do Palmeiras já havia criado música para o menino, os citizens não ficaram atrás: “Gabriel Jesus! Eu acho que vocês não entendem! Ele é o número 33, ele é melhor que o Rooney, nós temos Gabriel Jesus!”

E agora?

Depois dos “milagres” contados aqui, fica a nota de pesar. Gabriel Jesus foi substituído logo aos 14 minutos do 1º tempo do jogo contra o Bournemouth, em 13 de Fevereiro, após sentir uma lesão. Exames confirmariam uma fratura no quinto metatarso do pé direito. Após uma estimativa de 3 meses parado, perdendo jogos da Champions League e Eliminatórias da Copa de 2018, Gabriel Jesus foi a Barcelona se consultar com um médico indicado por Guardiola, e já foi rapidamente operado. A tentativa é diminuir ao máximo o tempo de recuperação, para quem sabe 8 semanas. Guardiola sabe que, se quiser brigar por título ainda nesta temporada, só Jesus salvará. Pelo bem do futebol, rezemos por uma rápida recuperação.

Gabriel e a esperança de uma boa recuperação. (Foto: Divulgação/Facebook Manchester City)


One comment

  • Camila

    Fevereiro 18, 2017 at 10:02 pm

    Ótima matéria!!!!
    Parabéns!!!!

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