23 Out, 2017

Gonzalo Maroni – A nova perola Xeneize

Diogo AlvesMaio 5, 20177min0

Gonzalo Maroni – A nova perola Xeneize

Diogo AlvesMaio 5, 20177min0

O Boca Juniors habituou-nos a lançar todos os anos novas promessas para o futebol argentino. ‘Pibes’ como se diz na Argentina. No passado domingo dia 30 de Abril, no duelo contra o Arsenal de Sarandí, La Bombonera ficou a conhecer um novo canterano bostero: Gonzalo Maroni. Apenas 18 anos e com uma estreia digna de estrela.

Costuma-se dizer que há males que vêm por bem, e, a história do pequeno pibe Gonzalo Maroni, nascido e criado no Instituto – de onde saiu Paulo Dybala – começa com a lesão de Ricky Centurión. O enganche do Boca atravessava um dos melhores momentos da sua carreira, sendo uma das figuras de proa do líder da Primera Divisón.

Maior protagonismo ganhou com a saída de Tévez, o técnico Guillermo Barros Schelotto elegeu-o para suprimir a falta de um criativo no terço ofensivo. Infelizmente para o jogador e para a sua equipa, sofreu uma lesão nos ligamentos do joelho esquerdo, e, em princípio estará de baixa cerca de dois meses.

A aposta não caiu logo no pibe argentino, o jovem ainda teve de esperar dois jogos até à estreia com o Arsenal de Sarandí. Com o Patronato aposta foi em Nazareno Solís e diante do Atlético Rafaela coube a Franco Zuqui assumir a posição que outrora fora de Riquelme e Tévez. Nenhum dos jogadores convenceu, e para piorar, os resultados em ambos os jogos foram maus para o Boca, dois empates que deixaram o Boca somente com 3 pontos de distância para o Newell’s.

A hora de Gonzalo Maroni

Foi no passado domingo, dia 30 de Abril, que o jovem de apenas 18 anos fez a sua estreia como titular na equipa principal do Boca. Diante do Arsenal de Sarandí coube ao pibe assumir a posição de médio criativo. As comparações com Riquelme apareceram num ápice, logo pela posição em que jogam e pela estreia ter sido muito semelhante. Ambos estrearam-se com 18 anos e assinaram uma exibição de luxo com direito a golo.

Gonzalo Maroni deixou logo a sua marca aos 45’ minutos, recebeu a bola e passou a bola por cima da cabeça do primeiro que lhe apareceu à frente com um sombrero e logo de seguida fez um caño (túnel) sobre o segundo opositor que lhe apareceu à frente. Deixou logo todos em polvorosa na La Bombonera a quem assistia pela TV. Já antes tinha dado sinais positivos, sempre que recebia a bola procurava atacar a baliza adversária e não tinha receio de assumir o jogo.

O melhor ficou guardado para a segunda parte. À passagem do minuto 60’ o momento mais aguardado pelo jovem jogador, o golo na estreia. Tal e qual como Riquelme. Aproveitou muito bem um alívio pouco eficaz de um defensor do Arsenal e de primeira desferiu um remate cheio de intenção para o fundo das redes. Nove minutos depois saiu do relvado debaixo de uma enorme ovação e ficou a sensação que o miúdo agarrou o lugar para o resto da temporada.

Afinal quem é Gonzalo Maroni

O médio é natural de Córdoba e desde muito cedo que revelou predicados. Apresentou-se ao mundo do futebol num torneio infantil, e, como é normal nestas idades, o pequeno Maroni demonstrou estar mais à frente dos restantes companheiros de equipa. Somava golos atrás de golos e driblava os adversários com facilidade e sempre com vista em chegar à baliza adversária.

Do torneio infantil passou para um clube a sério, o Instituto de Córdoba. Influência da sua família que são todos adeptos do clube que lançou Mário Kempes, Osvaldo Ardilles e mais recentemente Paulo Dybala. Foi ao serviço do seu clube – é sócio desde os 3 anos de idade – que ganhou o apelido de “Maravilha” e rapidamente foi comparado ao ex-jogador do SL Benfica, Pablo Aimar.

As boas exibições do “Maravilha” despertavam a atenção dos grandes clubes e bem antes de aparecer o Boca, já o Belgrano e o San Lorenzo haviam tentado a sua contratação. Porém, sem êxito. O sonho da família e do jovem jogador era de só sair do Instituto depois da estreia pela equipa principal. E assim foi, aos 16 anos subiu ao escalão sénior pela mão de Héctor Rivoira e estreou-se a 11 de Agosto de 2015 na vitória sobre o Atlético Tucumán. Nesse ano ainda jogou mais quatro partidas a contar para o Nacional B: Guillermo Brown de Puerto Madry, Santamarina de Tandil, Chacarita e Guaraní Antonio Franco.

As boas exibições suscitaram o interesse de vários clubes, mas foi o Boca quem convenceu o Instituto e ao próprio jogador – que guarda mágoa de não ter jogado mais pelo clube do seu coração – a mudar-se para Buenos Aires para representar o clube azul y oro.

Tem em Paulo Dybala a sua maior referência, e prometeu que num próximo golo iria imitar o festejo da máscara que a “Joya” da Juventus faz sempre que marca um golo. Em 2016 numa partida de solidariedade estiveram juntos com a camisola rojiblanca do clube que os formou. O sonho do pequeno cordobés é mesmo o de jogar lado a lado com o seu ídolo na Europa.

Gonzalo Maroni ao lado do seu ídolo Paulo Dybala [Foto: infobae.com]

Assim joga Gonzalo Maroni

Jogador com uma boa capacidade para progredir no terreno com bola controlada, forte nos duelos individuais e com um bom remate de meia distância. Nas reservas do Boca era o principal responsável por bater os livres directos devido à sua boa valentia nos remates exteriores. De apenas 1,72m fisicamente não é um jogador forte, mas compensa isso com uma boa capacidade técnica e agilidade para fugir aos duelos mais físicos que vão surgindo no terreno de jogo. Com apenas 18 anos mostrou uma boa maturidade.

Aproxima-se o embate sempre histórico e intenso com o eterno rival, o River Plate. Não haverá maior desejo que não seja o de ser titular no superclássico do próximo dia 13 de Maio. A famosa frase de que o ser humano tem de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, os adeptos do Boca e do River acrescentaram o marcar um golo no superclássico. Portanto a fase é: Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro e marcar um golo no superclássico. Estaremos cá para ver se Maroni consegue a proeza do golo no superclássico, e, mais importante que isso, conseguir ser mais um dos grandes pibes do futebol argentino dos próximos anos.


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