21 Out, 2017

O Mercado dos Três “Reis” – Sporting CP

Fair PlayDezembro 28, 201615min1

O Mercado dos Três “Reis” – Sporting CP

Fair PlayDezembro 28, 201615min1

SL Benfica, FC Porto e Sporting CP chegam ao mercado de Inverno com algumas dúvidas nos seus plantéis. Com necessidades diferentes e sectores a afinar, os ditos Três Grandes procuram reforços nesta “janela” de Mercado. Uma análise e proposta do Fair Play, com o arranque a ser dado pelos leões.

Nota: o artigo em questão foi escrito por cinco autores diferentes que têm seguido a época de cada um dos clubes aqui destacados. Sporting CP com José Duarte e Bruno Dias; FC Porto pela “mão” de Francisco da Silva e Francisco Isaac, com conselhos de Diogo Alves; e SL Benfica por Pedro Afonso.

Sporting CP

(por José Duarte e Bruno Dias)

Algures entre o final da época passada e o até ao pontapé inicial da presente quem poderia vaticinar que quase no final do ano o Sporting estaria tão longe do primeiro lugar e, ainda pior, no terceiro lugar, a quatro pontos do segundo classificado? O que quer dizer que não já não depende apenas de si para melhorar a sua classificação e tem a menor distância a dupla minhota Vitória de Guimarães e Braga, pelo menos no momento em que estas linhas são redigidas. Como explicar isto, que ocorre precisamente quando regista talvez o maior investimento da sua história?

Há duas respostas para a pergunta acima e estão umbilicalmente ligadas: as saídas de Slimani e de João Mário não encontraram reposta adequada na rol de entradas que se seguiram. De igual modo, apesar da escolha ter aumentado em número, o mesmo não se pode dizer relativamente à prontidão e qualidade. Isso é que se pode verificar pelo número minutos jogados pelos jogadores chegados este ano, com honrosa excepção de um e meio: Bas Dost por inteiro, Campbell pela metade:

Para que se tenha uma ideia dos tempos de utilização em função das solicitações pedidas à equipa, esta jogou até agora 25 jogos, num total de 2.250 minutos e o jogador mais utilizado é William com 2.013 minutos jogados. Chamam a atenção os números de Alan Ruiz, um jogador que tarda a justificar a preferência e o custo envolvido.

O facto do treinador não lhe ter confiado sequer um minuto que fosse na competição mais exigente, a Liga dos Campeões, diz alguma coisa e o tempo em que apostou nele, sem grande sucesso, pode ajudar a explicar porque não está encontrado melhor companhia para Dost no ataque. E se Campbell tivesse merecido a preferência logo de inicio?

Que razões podem ter concorrido para este aparente fracasso nas contratações? Razões de quantidade, oportunidade e de qualidade seguramente, como abaixo se tentará explicar.

Foto: Lusa

A quantidade

No final da época de vendas e aquisições o Sporting ficou com um plantel próximo das três dezenas de jogadores. Destes apenas são efectivamente convocados dezoito, o que deixa sem utilização um valor muito semelhante. Um jogador que não compete com regularidade não consegue dar a melhor resposta de forma imediata às solicitações da equipa. Os jogadores recém-chegados acumulam essa desvantagem não apenas com o desconhecimento das especificidades do nosso campeonato mas sobretudo do quão exigente é o modelo de jogo e Jorge Jesus e o que este exige aos seus jogadores.

O tempo de integração para muitos deles também não terá sido por isso o ideal e necessário, algo que escapou à análise no planeamento da época. Quando os compromissos mais importantes começaram a surgir ficou claro em que Jesus confiou e se socorreu.

A Oportunidade

Aqui inscrevem-se questões de critério quanto às características dos jogadores bem como das necessidades da equipa a colmatar.

Ao contrário do que parecia à medida de que os nomes dos novos jogadores iam chegando, não houve uma substituição à altura para João Mário. Por outro lado as opções para substituir jogadores nucleares na manobra colectiva não se revelaram eficazes quando chamados à titularidade. Isso ficou bem claro aquando da lesão de Adrien. E a companhia para Bas Dost está ainda por encontrar e afinar, estando ainda por perceber os problemas de Markovic, até agora a maior decepção.

Acresce que é um pouco incompreensível que mais de 20 milhões de euros gastos e não se tenha resolvido o problema das laterais, cujo rendimento tem penalizado particularmente a equipa. Estão  ainda por perceber.

A Qualidade

A questão sobre a qualidade dos reforços acaba por ser inevitavelmente questionada quando grande parte dos jogadores chegados no início de época recolhem tão pouco tempo de jogo em função do que era esperado. Apesar de tudo o que possa ser dito apenas Meli me suscita dúvidas que resultam sobretudo do desconhecimento do seu valor.

No mais a generalidade dos restantes, aquando da sua aquisição tinham aquilo que me parecia o essencial: potencial. Ora o futebol está cheio de exemplos de jogadores que não triunfam num determinado contexto e que noutro acabam ser felizes, muitas vezes de forma surpreendentemente, contra todas as melhores perspectivas. Exemplos que acontecem em clubes que se movimentam em nichos de mercados onde os valores a pagar tornam os falhanços quase proibitivos e por isso mesmo aparatosos, ao ponto de encher cabeçalhos e primeiras páginas de jornais.

Nos mercados a que o Sporting pode aceder a escolha é ainda mais reduzida face à infinidade de clubes para tão poucos valores seguros que o dinheiro de cada um deles possa pagar.

No caso das três posições que se abordam neste artigo, é de esperar que o Sporting apenas procure reforçar a lateral esquerda, a avaliar por aquilo que tem sido especulado pela comunicação social nas últimas semanas (com o avançar de vários nomes para essa posição, como Leonel Vangioni, Emmanuel Más, Dennis Aogo ou até o regresso de Emiliano Insúa). No entanto, vamos procurar perceber melhor quais os jogadores que, pelas suas qualidades técnicas, físicas e cognitivas, e pelo que podem custar neste mercado de Inverno, assentariam na perfeição a esta equipa leonina.

Tabela do Fair Play

Lateral Direito

Há um denominador comum em ambas as laterais do Sporting: falta gritante de qualidade. As laterais são o sector em que a equipa de Jorge Jesus mais se afasta dos seus rivais na luta pelo título, no que à qualidade diz respeito. Portanto, não é de estranhar que se defenda aqui um investimento significativo para essas posições. Improvável de acontecer, se formos realistas, mas que parece ser cada vez mais necessário, para apagar as diferenças acima referidas.

A lateral direita tem sido dividida entre Ezequiel Schelotto, João Pereira e até mesmo Ricardo Esgaio, como se viu no último jogo do Sporting, no Restelo. No entanto, estamos em crer que qualquer um dos jogadores que se seguem seriam um upgrade considerável para os “leões” nesta posição.

Sugestão principal:

  • Fágner

O brasileiro de 27 anos é, talvez, o melhor lateral direito do Brasileirão nos dias que correm. Dotado de grande capacidade física e atlética, que lhe permite fazer todo o corredor durante 90 minutos sempre a um ritmo bastante elevado, bem como levar a melhor em vários duelos individuais, Fágner é um poço de energia e dinamismo no corredor direito.

Aliando grande velocidade e agilidade a uma qualidade técnica acima de quaisquer dúvidas (sobretudo no que ao primeiro toque diz respeito, aspecto onde é muito acima da média), assume-se como um lateral de claro pendor ofensivo. Dá-se bem em espaços curtos, onde pode usar e abusar da sua finta curta, tem qualidade no cruzamento, procura regularmente espaços interiores e não tem problemas em aparecer na área adversária para definir os lances.

O “baixinho” do Corinthians, clube onde já faz parte do grupo de capitães da equipa, seria, sem dúvida, um jogador que poderia levar a lateral direita do Sporting para patamares semelhantes aos de FC Porto e SL Benfica, no que à qualidade diz respeito.

Outras sugestões:

  • Mayke (Cruzeiro, 24 anos, com o contrato a terminar a 31 de Dezembro de 2016 (custo zero))
  • Jonas Svensson (Rosenborg, 23 anos, avaliado em cerca de 1,6M€)
  • Martin Linnes (Galatasaray, 25 anos, avaliado em cerca de 2M€)

Aquilo que une todas estas sugestões é a grande propensão ofensiva que apresentam – essencial numa equipa grande em Portugal –, bem como uma qualidade técnica acima da média, que garante uma variedade de recursos ofensivos apreciável. São laterais capazes de atacar por fora, mas também de aparecerem em espaços interiores e em zonas mais próximas da baliza adversária. Defensivamente, não sendo jogadores de top, são competentes individualmente (nomeadamente, no 1×1 defensivo e em termos atléticos) e, naturalmente, possuem margem para subir de rendimento quando integrados numa boa organização defensiva.

Lateral Esquerdo

Esta será talvez a posição mais prioritária para o reforço do plantel leonino, e também aquela que mais provavelmente receberá mesmo uma nova cara a partir de Janeiro. Entre Marvin Zeegelaar, Jefferson ou até Bruno César, a lateral esquerda do Sporting tem sido, claramente, a principal lacuna da equipa. Nenhuma destas opções é capaz de dar garantias mínimas de qualidade (Bruno César fê-lo, por vezes, na época passada, mas esta época não o conseguiu, quando lá jogou), e é quase unânime o sentimento de que a asa esquerda do Sporting tem sido o corredor mais fraco e debilitado dos “leões” esta temporada.

Os jogadores que se seguem são jovens, mas são jogadores de uns patamares acima daqueles que o Sporting actualmente possui, em termos qualitativos, e certamente que valerão a pena o investimento (que se apresenta quase como obrigatório, na conjuntura actual).

Sugestão principal:

  • Ludwig Augustinsson

Actualmente com 22 anos, este lateral esquerdo sueco é um dos mais interessantes laterais a actuar fora dos principais campeonatos europeus. Titular absoluto do Copenhaga, está em claro momento de crescimento e valorização, e a liga dinamarquesa começa a ser pequena para a sua qualidade.

Destaca-se por ser um lateral sólido em termos defensivos, forte nos duelos individuais e com uma qualidade técnica acima da média. Não é um lateral de grande propensão ofensiva, mas tem critério nas decisões que toma com bola, e possui um pé esquerdo muito certeiro, em todas as acções (sobretudo nos cruzamentos). É fortíssimo nas bolas paradas, sendo que é daí que surgem a maior parte das suas assistências. Esta época já leva 12 assistências em 31 jogos, em todas as competições, sendo que na época passada conseguiu também outras 12 assistências, em 39 jogos.

Estando a entrar numa fase da carreira em que o seu valor de mercado já começa a ser elevado, é esta a altura em que o Sporting poderá conseguir este jovem lateral. Pela forma como joga e pelas qualidades que apresenta, seria certamente um encaixe perfeito na equipa de Jorge Jesus.

Outras sugestões:

  • Carles Planas (Celta de Vigo, 25 anos, avaliado em cerca de 2M€)
  • Guilherme Arana (Corinthians, 19 anos, avaliado em cerca de 1M€)
  • Mihailo Ristic (Estrela Vermelha, 21 anos, avaliado em cerca de 1M€)

Tal como na lateral direita, todos estes jogadores se destacam pela sua apetência ofensiva, e por aquilo que conseguem contribuir quando a equipa tem a bola. Planas é mais experiente que Guilherme Arana ou o sérvio Ristic (já apontado pela comunicação social ao Sporting, nas últimas semanas), mas também vai ainda a tempo de evoluir bastante enquanto jogador. Outrora, esteve numa posição semelhante à de Alejandro Grimaldo, como um lateral esquerdo saído da cantera “blaugrana” e muito bem cotado no clube e no plano nacional. No entanto, a sua carreira não prosseguiu de forma tão positiva como a do actual lateral esquerdo do Benfica, e certamente que as lesões também terão tido influência nesse aspecto.

Segundo avançado

Esta é uma posição complicada de definir para o Sporting, no que ao mercado diz respeito. Por um lado, o modelo de jogo de Jesus pede aqui um jogador mais completo do que pode parecer numa primeira análise. O perfil ideal para jogar atrás de Bas Dost seria o de um avançado que, pensando como avançado, possua também algumas características que liguem a equipa em termos ofensivos, aspecto que normalmente leva a pensar num médio ofensivo, vulgo “10”. Uma espécie de “híbrido”, portanto.

Por outro lado, não é de descartar o regresso de um jovem da formação que, sendo um extremo de origem, foi testado nesta posição na pré-temporada, tendo aí apresentado um rendimento bastante interessante. Falamos aqui de Daniel Podence, jovem prodígio emprestado actualmente ao Moreirense, e que poderá eventualmente regressar a Alvalade em Janeiro.

Os jogadores que se seguem serão, provavelmente, mais avançados que médios. Mais finalizadores que criativos. Mas dada a forma mais vertical e menos paciente como o Sporting tem jogado esta época, serão talvez o perfil ideal para encaixarem numa posição que tem tido pouco envolvimento nas fases de construção e criação, e muito envolvimento apenas na fase de finalização.

Sugestão principal:

  • Josef Martínez

Avançado venezuelano de 23 anos, que actualmente milita no Torino, histórico clube italiano. Começou a dar nas vistas ao serviço do FC Thun, na Suíça. Daí, deu o salto para o BSC Young Boys, um dos principais emblemas suíços (clube que foi, de resto, a sua primeira casa na Europa, após ter começado a carreira no Caracas FC).

Já anteriormente associado ao Sporting, Josef é aquilo que comummente se designa por um “avançado móvel”. Com 1,72m de altura e mudanças de velocidade explosivas, juntamente com uma grande agilidade, apresenta-se como um jogador extremamente difícil de marcar pelos defesas adversários, dada a sua facilidade em explorar os espaços entre linhas e/ou o espaço nas costas da defesa. É um jogador de remate fácil e colocado, com ambos os pés, e possui recursos variados na finalização. A isso, alia uma qualidade técnica bastante razoável e imprevisibilidade no 1×1, que também o torna num jogador perigoso em momentos de transição.

Apesar de não ter propriamente um rendimento de altíssimo nível para apresentar, até ao momento, crê-se que Martínez é um avançado que, inserido no actual modelo de jogo do Sporting, poderá atingir aqui o melhor nível da sua carreira.

Outras sugestões:

  • Sebástian Driussi (River Plate, 20 anos, avaliado em cerca de 3,5M€)
  • Dom Dwyer (Sporting Kansas City, 26 anos, avaliado em cerca de 1,7M€)
  • Sergio Araujo (Las Palmas, 24 anos, avaliado em cerca de 2M€)

Sebástian Driussi e Dom Dwyer já por aqui foram muito bem explorados, respectivamente, pelo Diogo Alves (http://fairplay.pt/2016/12/16/fp-scouting-sebastian-driussi/) e pelo António Ribeiro (http://fairplay.pt/2016/10/26/fp-scouting-dom-dwyer/). O argentino apresenta-se como a opção mais cara aqui, mas também como aquela que apresenta uma maior margem de progressão. Já Dwyer é um avançado de enorme categoria, que estará já perto do auge da sua carreira, e que está no momento certo para “dar o salto” para o futebol europeu. Por fim, Sergio Araujo é um talentoso avançado argentino, que já actuou no Boca Juniors e no FC Barcelona, e que possui um estilo semelhante ao de Fredy Montero, ex-jogador leonino que várias vezes actuou nesta posição.


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