19 Fev, 2018

Leões ao Ritmo do Tango: o Passado dos “Pampas” em Alvalade

João CastroJaneiro 10, 20187min0

Leões ao Ritmo do Tango: o Passado dos “Pampas” em Alvalade

João CastroJaneiro 10, 20187min0
Acuña é o "descendente" de uma long linha de argentinos em Alvalade. As decepções, as glórias e o futuro dos Pampas no Sporting CP

Dos ídolos argentinos aos maiores flops …

O Sporting já conseguiu trazer da apaixonante Argentina verdadeiros craques, ídolos para sempre e igualmente conseguiu trazer alguns dos maiores flops de sempre … O campeonato argentino sempre foi como um viveiro de craques, em que no meio daquela euforia e paixão pelo futebol nascem verdadeiros prodígios para o futebol nos bairros e subúrbios de Buenos Aires.

Obviamente que muitos adeptos depois de verem no Mundial de 86 Maradona e os seus companheiros a encantarem o mundo, ficaram todos especialmente atentos a tudo o que se passava no país das pampas. Existe um legião de craques argentinos que singraram em Portugal e na Europa, sendo que atualmente o expoente máximo é Leonel Messi.

Em relação ao Sporting existem histórias de sucesso e de insucesso. Antigamente e com o Scouting efetuado só localmente era difícil atravessar o Atlântico para observar jogadores sul americanos.  Normalmente eram referenciados por pessoas locais e por alguns torneios que se realizam na pré-época, autênticas tours à Europa ou Estados Unidos.

Não podíamos deixar de começar por referir Yazalde o grande goleador leonino dos anos 70, que foi referenciado e contratado numa operação relâmpago a Argentina para convencer o craque a ingressar no Sporting. Falaremos deste “craque” mais à frente.

O segundo grande goleador a passar pelo Sporting foi Beto Acosta, uma contratação controversa pela sua idade 32 anos, mas que iria a ter um final feliz com a conquista do tão almejado Campeonato Nacional, embora nem tudo tenham sido rosas… Esta contratação apesar de estarmos em altura ainda “pré Youtube” podia ter sido catastrófica não fosse a qualidade e personalidade do atleta e do seu historial de sucesso.

As observações nesta altura já eram bem mais fáceis graças as transmissões televisivas e a várias gravações disponíveis mas existiam ainda muitos erros na análise qualitativa dos jogadores.

O Sporting na década de 90 teve contratações na Argentina por preços exorbitantes de qualidade duvidosa, observações por “ VHS”. Que dizer de Julian Kmet, Bruno Gimenez e de Mauricio Hanuch ?  Os 3 jogadores em causa foram contratações de grande relevo e mediatismo por serem jovens argentinos com valor, foram caros e pouco ou nada acrescentaram valor aos planteis leoninos. Juntos totalizaram 41 jogos oficiais e 3 golos.

Basta comparar com o último Argentino a ingressar no Sporting, Marcos Acuna que já leva 27 jogos e 5 golos marcados. Pelo meio deste insucesso o Sporting capturou dois jovens de grande valor e importância: Aldo Duscher e Facundo Quiroga.

Duscher (Foto: Getty Images)

Impossível não se gostar de Aldo Duscher, um médio com uma classe absolutamente brilhante, com um excelente toque de bola, garra, qualidade no transporte e que jogava sempre de cabeça levantada. Para alguns adeptos fazia lembrar o melhor Pedro Barbosa… Foi um dos poucos argentinos que chegou e pegou de estaca no onze inicial, ajudando o Sporting a reconquistar o Campeonato.

Foi na altura uma das melhores vendas leoninas por 12,3 Milhões de Euros ao Deportivo da Corunha, mas talvez merecia um clube maior em Espanha, face à importância do clube galego na altura.

Facundo Quiroga, foi amado por uns e não tão amado por outros, mas era um jogador com boa qualidade e com grande futuro. Um central com velocidade, boa antecipação e bom jogo de cabeça.

As graves lesões impediram o jovem argentino de chegar ao topo do futebol mundial. Contudo, também foi igualmente campeão no Sporting.

Quiroga (Foto: Getty Images)

Dois médios….diferentes

Romagnoli e Rinaudo, dois médios completamente diferentes. O primeiro um médio ofensivo com uma grande qualidade técnica e de passe que aparecia como ninguém entre linhas, jogando perto da grande área adversária, com golo mas tinha como ponto negativo ser fisicamente frágil e franzino. Foi melhorando esse aspeto sob as ordens de Paulo Bento e sob a tutela do treinador conseguiu vencer duas Taças de Portugal e duas Supertaças exibindo-se sempre em bom plano.

Fabiàn Rinaudo veio rotulado como um grande médio defensivo, com grande capacidade de recuperar bolas, grande raça e empenho em campo. Teve um início fulgurante que, infelizmente, foi condicionado por uma gravíssima lesão no tornozelo.  Este problema viria a marcar toda a sua passagem por Alvalade nunca atingindo os níveis e a qualidade esperada… acabou transferido e sem as “honras” que parecia merecer no início.

História dos Goleadores Argentinos

Hector Yazalde “ Chirola”

Começamos pelo “Chirola”,  já que foi de facto o jogador Argentino mais marcante da história do Sporting. Infelizmente nunca o vimos a jogar ao vivo com a maioria dos adeptos, imprensa e até colegas de profissão a referirem-no como uma máquina, uma lenda de golos, um verdadeiro matador.

Teve uma estreia fabulosa com um hattrick diante o Boavista deixando água na boca aos adeptos leoninos.

Yazalde um dos melhores estrangeiros a passar por Alvalade e um dos maiores goleadores de sempre do Sporting foi caracterizado pela sua facilidade de processos que executava com grande classe e com uma capacidade de finalização inesquecível.

Fica na história o lado humano e o companheirismo de Yazalde e para “provar” essa afirmação relembramos um episódio da altura: na época de 1973/74 o argentino marcou 46 golos no Campeonato Nacional, vencendo a Bota de Ouro ou seja o melhor marcador dos campeonatos europeus. Como prémio recebeu um carro de marca Toyota, vendendo o mesmo e dividindo o valor com todos os companheiros da equipa. Um exemplo dentro e fora de campo.

Yazalde fez 138 jogos de leão ao peito concretizando 128 golos (em jogos oficiais), um Campeonato Nacional e uma taça de Portugal.

Acabou com uma média de 1 golo por cada jogo no campeonato, marca essa só superada por Peyroteo.

Beto Acosta

Se existe jogador argentino que enche o coração aos Sportinguistas esse jogador é Beto Acosta. O “ Matador” do San Lorenzeo é uma história que começou como tantas outras de jogadores estrangeiros, sem sucesso e sem glória. Chegou com 32 anos ao Sporting, com todos a pensar que seria um flop não pela sua história mas sim pela sua idade.

Teve uma primeira época bastante complicada com 3 golos apenas, muitas críticas com um problema na ciática e termina essa primeira temporada com a porta de saída aberta.
Preferiu ficar chegando mesmo a dizer que “ devo mais e melhor aos Sportinguistas” chegando a afirmar que iria ser Campeão.

A nova época começa com um golo logo no primeiro jogo!

Depois veio o vendaval de golos, num total de 22 golos, rivalizando com os 37 golos de Mário Jardel no Porto, mas, e felizmente para o striker, terminou como Campeão Nacional, quebrando o jejum de títulos nacionais.

Golos inesquecíveis de quem gostava de marcar, sem floreados, sem fintinhas, Acosta só tinha olhos para a baliza. Foi assim em Alvalade no jogo diante o Porto (vitória por 2-0), a passe de Secretário, visando a baliza de Vitor Baia de fora da área, num dos golos decisivos da liga.

O Argentino deixou igualmente a sua marca na taça de Portugal, em que marcou 2 golos ao Benfica na Luz nos Oitavos de Final (vitória por 1-3). Deixou o Sporting rumo ao seu San Lorenzo com um total de 99 jogos e 48 golos, um Campeonato Nacional, uma Supertaça.

A atualidade Leonina no Sporting ficará para um novo artigo e falaremos se existe futuro…olé!


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