21 Fev, 2018

Há espaço para 2ªs oportunidades na Selecção Nacional?

Francisco IsaacNovembro 9, 201712min0

Há espaço para 2ªs oportunidades na Selecção Nacional?

Francisco IsaacNovembro 9, 201712min0
Fernando Santos concedeu 2ªs oportunidades na Selecção Nacional a alguns jogadores assim como estreias... descobre quem foram e como se ajustam nas Quinas

Portugal vive dias bons no que toca a apuramentos para provas máximas da UEFA ou FIFA, já que não tem de recorrer a um playoff de acesso a uma competição internacional desde o Mundial 2014. Com Fernando Santos ao “leme”, Portugal teve uma mudança de “sorte” e continua a bater adversários impossíveis , a subir no ranking e até a conquistar competições internacionais (o Campeonato da Europa 2016 de boa memória para os adeptos lusos).

A Selecção Nacional actualmente tem vários aspectos a trabalhar a seu favor, que possibilitam um crescimento na qualidade individual da equipa e do grupo de potenciais seleccionados: conquista dos mercados internacionais com produtos das várias escolas/academias dos clubes portugueses a jogarem fora-de-portas, garantindo um crescimento diferente (João Mário, André Silva, Gonçalo Guedes, João Cancelo, Bernardo Silva, Bruma, Nelson Semedo e Ruben Neves são só alguns dos que podem ser mencionados); estabilidade de ideias e princípios de jogo da equipa técnica liderada por Fernando Santos, que se tem mantido fiel à sua ideia de jogo; e o facto de mais de 90% da equipa de Fernando Santos jogar em campeonatos competitivos como Espanha (exemplo máximo com Cristiano Ronaldo), Itália, Inglaterra, França ou Alemanha – não descurando a Turquia e Escócia, onde jogam Quaresma, Pepe e Bruno Alves.

Observando estas três regras, Portugal não está só a formar um grupo de 23 seleccionáveis, mas sim uma lista bem “gorda” de possíveis opções para a equipa técnica Nacional. Os jogos com a Arábia Saudita e Estados Unidos da América provam, em grande parte, essa “tese”, com Fernando Santos a apostar numa mescla de jogadores que merecem 2ªs oportunidades na Selecção Nacional, assim como outros que nunca lá foram antes e que possuem alguma qualidade que lhes permita vestir a camisola da Quinas.

O objectivo de Fernando Santos é um: submeter estes convocados à pressão de jogarem por Portugal (uma “dádiva” e “honra” única na carreira do atleta) ante adversários que vão estar (ou podiam estar no caso dos EUA) no Mundial 2018. É este um princípio bom para a Selecção Nacional ou passa a “ideia” que qualquer um pode vestir a camisola de Portugal?

Antes de irmos aos casos e convocados de Fernando Santos, há que defender e argumentar a favor desta vontade do antigo treinador dos Três Grandes. A inclusão de novos atletas às escolhas permite ter soluções para potenciais lesões, suspensões ou baixar de forma, dando outra capacidade à Selecção.

Veja-se o caso da Alemanha, que na Taça das Confederações arriscou em várias caras-novas ou menos “titulares”, naquilo que foi interpretado como um momento excelente para lançar vários jogadores, colocando-os sob pressão, forçando-os a dar uma resposta de força. Resultado? Conquista da Taça das Confederações e mais um punhado de escolhas para os próximos jogos e competições.

Por outro lado, esta acção de convocar atletas “secundários” permite enviar uma mensagem clara: que há sempre possibilidade de representar Portugal, que não há equipas fechadas e que não é uma elite que comanda os desígnios da selecção (algo que se passou com a Era Paulo Bento, em que jogadores como Quaresma estavam excluídos por exemplo).

Com o antigo treinador do Sporting CP, a selecção teve uma queda abismal de forma no Mundial 2014, devido a vários factores, um dos quais foi a falta de soluções para as lesões que já se registavam antes da partida para o estágio pré-Mundial.

Ou seja, esta prática beneficia tanto o seleccionador Nacional (poupa alguns jogadores, garante novas escolhas para futuros encontros e dá outra imagem à Selecção) como a Portugal (mais jogadores seleccionáveis e “sangue novo”) e aos jogadores seleccionados (motivação extra para quando regressarem aos clubes, garantias que estão a ser observados e que têm possibilidades de jogar pela selecção).

Quaresma foi merecedor de uma 2ª oportunidade (Foto: Miguel Lopes Lusa)

Vejamos então alguns casos:

SEGUNDAS OPORTUNIDADES

Da Rússia com… bomba!

O primeiro nome a “cair” aqui é o de Manuel Fernandes, médio do Lokomotiv de Moscovo. O jogador formado nas escolas do SL Benfica jogou em 2012 pela última vez ao serviço da Seleção, na vitória frente à Polónia por 2-0. Nove internacionalizações no total, dois golos (um deles uma “bomba” frente ao Chipre), marcaram um interregno de cinco anos entre a última convocatória e agora.

Manuel Fernandes desde a sua saída do SL Benfica esteve em diferentes clube e ligas, tendo encontrado alguma, mas temporária, estabilidade ao serviço do Valência. Seguiram-se empréstimos ao Everton e Besiktas, com a equipa turca a dar o “recomeço” ideal para a carreira do inteligente médio-centro. Na Turquia foi um jogador extremamente feliz, com mais de uma centena de jogos, vinte golos e quase meia centena de assistências.

Mas foi na Rússia que Manuel Fernandes conseguiu captar a atenção de Fernando Santos, merecendo a chamada à selecção para este mês de Novembro. Fernandes foi fundamental para os moscovitas em 2015 e 2017, ajudando a equipa a conquistar duas taças da Rússia. Um médio que trabalha bem a ligação entre o 6 e o ataque, Fernandes tem um “pé-canhão” que pode resolver jogos mais “mastigados” com um tiro bem medido de fora da área. Excelente na execução do passe, trabalhador na defesa e com qualidade na gestão da posse de bola, o médio do Lokomotiv ganha aqui uma segunda vida ao serviço de Portugal.

Lobo de Championship… Lobo de Portugal

Ruben Neves teve no espaço de uns meses uma volta total na carreira: condição de suplente ou não convocado no FC Porto de Nuno Espírito Santo; transferência para o Wolves da segunda divisão inglesa, treinada pelo mesmo treinador que o preteriu; titularidade total e ascensão a um nível físico invejável; convocatória para a Selecção Nacional.

O trinco (que pode actuar a nº8) foi uma das coqueluches do Dragão durante as últimas três temporadas, com uma estreia auspiciosa frente ao SC Marítimo quando tinha apenas 17 anos de idade. Inteligente, com um passe de extrema qualidade e tele-comandado, Neves teve todas as oportunidades para ascender à Selecção Nacional nos últimos anos. Porém, a perda da titularidade nos azuis-e-brancos, o aparecimento de Renato Sanches, a falta de forma, levaram a que o trinco fosse posto de lado das escolhas da Selecção Nacional.

Agora aos 20 anos, volta a merecer uma chamada às Quinas e é um momento fundamental para o jovem se quer fazer parte do elenco que vai marcar presença no Mundial em 2018. Não se figura fácil para o médio, uma vez que luta contra William Carvalho e Danilo Pereira, dois jogadores que estão claramente em alta nesta época e que deverão ser sempre chamados aos trabalhos de Portugal.

Com duas internacionalizações (estreia com 18 anos), Neves tem certas qualidades que o aproximam a William Carvalho (capricho no passe, bom trabalho de recuperação de bola e leitura de jogo) com outras de Danilo (capacidade de de sair a jogar em velocidade, bom remate de médio-longo alcance e boa presença na defesa), o que garante a Fernando Santos um jogador “diferente”. Faltava-lhe explosão, forma, experiência e ritmo de jogo para conseguir ombrear com os seus “rivais”, algo que nunca foi possível alcançar nos últimos anos.

Contudo, este arranque de temporada no Wolves tem dado músculo e experiência de jogo ao jovem, num campeonato muito competitivo onde o trabalho físico tem de ser tão forte como sair a jogar com a bola, algo que deve ter aberto a “fome” à equipa técnica da selecção Nacional.

Entre (a) Bruma de Leipzig surge (um) Guedes de Valência

Bruma e Gonçalo Guedes são dois dos produtos mais interessantes da formação do Sporting CP e SL Benfica, respectivamente. Ambos os jogadores abandonaram os seus clubes-base (por razões diferentes) e agora estão a “carburar” a bom nível nas suas equipas.

O caso de Bruma é mais interessante, uma vez que tomou algumas opções de carreira criticáveis e que podiam ter “arrumado” com o futuro do extremo português, caso da sua saída “à força” de Alvalade para a Turquia. Todavia, foi bem sucedido no Galatasaray, teve uma estada positiva em Espanha (Real Sociedad) e emergiu com categoria nos alemães do Leipzig RB.

Rápido e explosivo, Bruma completa bem o seu jogo ofensivo com pormenores técnicos de categoria e uma assertividade na tomada de boas decisões no último terço do terreno. A somar a isso, Bruma sabe entrar com naturalidade dentro da área, o que dá outra elevação ao ataque. Para a selecção, ter Bruma num dos flancos é uma aposta de risco mas boa no que toca a ter alguém que resolva problemas em jogos mais “emaranhados”.

Já Gonçalo Guedes, que acabou “despachado” à pressa pela SAD do SL Benfica, teve um momento de queda preocupante ao serviço do seu novo clube, o PSG. O extremo, que pode jogar como segundo-avançado, nunca foi opção para Unai Emery e acabou “dispensado” na preparação para a nova temporada, surgindo o Valência no horizonte.

Após ter ultrapassado a fase de adaptação à La Liga, Gonçalo Guedes agarrou-se bem ao lugar e ao fim de 12 jogos ao serviço dos Ches, marcou três golos e assistiu ainda por cinco vezes os seus colegas de equipa.

Com o (re)ganhar de confiança nas suas competências, Guedes transformou-se num jogador mais eficaz, dotado de um poderoso remate, rápido na saída para o contra-ataque, que sabe receber com excelência a bola do ar ou do chão. O extremo traz, como Bruma, outro virtuosismo ao poder ofensivo da Selecção.

ESTREIAS… DE DESCONHECIDOS!

O Fair Play escolheu dois nomes para os “novatos” da selecção Nacional, dando uma breve explicação da qualidade de cada um e o que podem acrescentar às Quinas.

Atzelaria… ou Lateral-Esquerdo em Basco!

Kevin Rodrigues aparece na selecção do “nada”, tendo só jogado por cinco vezes ao serviço dos sub-21 de Portugal, uma vez que até aos sub-19 jogou ao som da Marselhesa. Rui Jorge chamou-o em 2017 e agora coube a Fernando Santos abrir uma “porta” para mais um lateral-esquerdo que não jogou em Portugal, ao jeito de Raphael Guerreiro.

O lateral-esquerdo tem estado em evidência ao serviço da Real Sociedad, contribuindo para o bom início de época dos bascos, que ocupam para já o 8º lugar na liga espanhola. Rodrigues reage bem às bolas perdidas, possui uma clarividência na leitura do jogo ofensivo do adversário, tem a agressividade necessária para se impor no seu corredor e participa com facilidade no ataque da sua formação.

Antunes, Eliseu e Fábio Coentrão são todos potenciais candidatos a ser a solução de banco para Raphael Guerreiro (só uma lesão grave pode afastá-lo do Mundial), mas a chamada de Rodrigues pode servir de teste para uma boa solução para a defesa que todos desconheciam.

Rodrigues não é um Raphael Guerreiro, mas tem potencial para ser superior a Antunes e Eliseu, já que a nível de exibições é mais consistente que estes dois e, para Fernando Santos esse é um bom ponto a favor.

O novo príncipe do Mónaco

Leonardo Jardim tem um “dom” especial para descobrir “pérolas”, trabalhá-las e poli-las e lançá-las a nível internacional… foi assim com Bernardo Silva, Tiemoué Bakayoko, ou Benjamin Mendy e, agora, deverá acontecer o mesmo com Rony Lopes. O extremo tem estado em evidência na Ligue 1, com vários jogos de categoria, onde a sua versatilidade e a forma como consegue atacar os flancos e depois “fugir” para o meio são pontos a favor.

Rony Lopes está no “mapa” de Fernando Santos, já que a possibilidade de Lopes conseguir mudar de flanco sem dificuldade é uma vantagem apetitosa para o seleccionador Nacional, algo que tanto Ricardo Quaresma como Nani conseguem fazer com excelência. Se Gelson Martins tem mais “magia” nos pés e aposta naquela velocidade imparável para ganhar a frente à defesa, já Rony Lopes é um maestro com a bola nos pés, concretiza melhor no passe que Gelson e é mais trabalhador.

É um “diamante” em potência, que poderá aproveitar bem esta chamada às Quinas para ganhar lugar na selecção Nacional.

Olhando para estes nomes todos, Portugal começa a ter mais opções para as posições que, a qualquer momento, pode ver-se numa situação complicada em termos de lesões, suspensões ou jogadores que não têm a forma necessária para marcar presença no elenco de Fernando Santos. Neste momento, é Adrien Silva que está “riscado” das escolhas (uma vez que só a partir de Janeiro poderá voltar à competição), mas nada garante que William Carvalho, Pepe, Quaresma, André Silva ou Raphael Guerreiro cheguem “vivos” a Junho.

Podem ver a total lista de convocados aqui, com destaque para as estreias de Rodrigues, Ferreira, Ié, Neves, Lopes, Bruma e Paciência.

Foto: Lusa


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