19 Ago, 2017

Radiografia a André Silva

Fair PlayMarço 9, 20179min0

Radiografia a André Silva

Fair PlayMarço 9, 20179min0

FC Porto 2016/2017 entregou o seu ataque à “juventude” de Diogo Jota, Jesus Corona, Óliver Torres, Otávio e André Silva. O Fair Play foi tentar perceber a importância do avançado no esquema dos Dragões, a sua evolução e onde precisa “afinar” para se tornar um elemento fundamental para a equipa do Porto

Texto de Francisco Isaac e Diogo Alves

Histórico de um filho do Dragão

A vitória por 7-0 do FC Porto marcou a ascensão da equipa como a mais goleadora (53, um à frente do SL Benfica) e a que menos consente (11 em toda a competição) na Liga NOS.

Os jogos de “pólvora” seca parecem ter sido esquecidos, sendo que o último jogo, na Liga Portuguesa, que terminou sem golos foi frente ao Paços de Ferreira a 7 de Janeiro.

A chegada de Soares, o regresso de Brahimi da CAN, o carburar de Corona e as boas assistências de Alex Telles possibilitaram um crescimento exponencial em termos de colectivo atacante.

Mas e o que dizer do goleador da época, que não é Soares (para já), mas sim André Silva? O jovem avançado de 21 anos (fará 22 em próximo Novembro) já conta com 20 golos e 7 assistências em 34 jogos.

Fernando Gomes, Domingos Paciência, Hélder Postiga foram os outros avançados a sair da formação azul-e-branca a conquistarem um lugar no plantel e, subsequentemente, no onze do FC Porto.

Como nota de curiosidade, veja-se a primeira época de cada uma dessas referências do passado-recente dos dragões:

  • Fernando Gomes marcou 18 golos em 28 jogos na época de estreia (1974/75) com 19 anos;
  • Domingos Paciência marcou um total de 9 golos nas três primeiras épocas, chegando aos 31 golos aos 21 anos (44 jogos);
  • Hélder Postiga conseguiu 10 golos na sua estreia enquanto sénior do FC Porto, com apenas 19 anos;

Se Fernando Gomes continua a ser o mais bem sucedido ponta-de-lança dos Dragões, já que aos 21 anos tinha um total de  65 golos somados, André Silva ao fim de 365 dias como opção de ataque, já conta com 23 golos.

Demorou mais tempo a chegar ao plantel azul-e-branco (curiosamente, Rui Pedro chegou aos 18 ao banco de suplentes, assim como Postiga, Paciência ou Gomes) mas a sua introdução no onze foi providencial em várias fases da época.

Um trabalhador nato, um jogador que gosta de marcar presença em vários pontos do terreno e de preencher com força física e raça as lutas pela bola, o ponta-de-lança dos dragões vai começando a despertar um interesse internacional no que pode fazer.

Todavia, nem tudo correu/corre de feição ao jovem avançado, uma vez que nas últimas semanas perdeu estatuto, importância e, até, o lugar no onze (jogo com o Boavista no Bessa) em detrimento de Soares, a nova flecha no ataque do FC Porto.

O regresso à titularidade frente ao CD Nacional (2 golos), voltou a dar (algumas) forças ao ponta-de-lança que não quer perder o seu lugar no esquema de Nuno Espírito Santo.

Evolução versus Ambição

Numa análise ao seu comportamento, vemos que André Silva tem sabido gerir bem as situações mais adversas, seja a troca com Soares, seja a condição de sair primeiro que o seu colega brasileiro, seja a relegação para o banco de suplentes.

Não perdeu uma ponta de “fome” pela bola ou não esconde o seu carinho pelo FC Porto, algo que tem caído no goto dos adeptos dos dragões. Facilmente assim se constrói um ídolo, que ainda não passa de um jovem que tem faro para o futebol, mas que falta algo para ganhar o “caminho das pedras” para os golos.

O registo não é mau, diga-se desde já uma vez que ultrapassou vários avançados mais experientes que passaram pelo Dragão e que fizeram o gosto ao pé, isto só com 21 anos.

Com cerca de 11 jogos para o final da época (contando só com mais um da Liga dos Campeões), André Silva ainda terá a oportunidade de chegar perto ou ultrapassar algumas das lendas do ataque do FC Porto.

Para isto, será fulcral que mantenha a postura, a motivação, a garra e o estilo combativo que tem marcado a sua passagem pela equipa principal.

Percebendo que agora tem Soares como parceiro (e não o devoto colega Diogo Jota), Silva precisa de ganhar novas estratégias de condução de bola, de comunicação entre pares e de solução de problemas para quando Soares estiver apertado pelos defesas.

É notório que em vários jogos desta época (destacando-se o jogo frente com o Sporting CP como exemplo máximo), André Silva é tratado como a verdadeira ameaça, sufocado pelos centrais ou condicionado pela marcação dos laterais.

Talvez, explique-se os últimos jogos menos brilhantes (e quase desaparecido) de André Silva pelo facto de estar perdido na estratégia com Soares, por ser excessivamente marcado e de querer fazer tudo bem sem pensar numa estratégia mais eficaz.

Prendemos-nos agora na análise, propriamente dita, de como André Silva joga, faz jogar, onde erra e pode melhorar e como poderá se tornar o nº1 do ataque do FC Porto.

A evolução

Por Diogo Alves

Desde que subiu à equipa principal, o crescimento do jovem português, André Silva, tem sido notória e hoje já ninguém duvida que é um dos bons avançados portugueses.

A sua evolução não é estanque e apesar do bom desempenho na época portista, André Silva ainda precisa de “afinar” muitos detalhes para se transformar num avançado top.

A sua estampa física salta à vista num primeiro momento, tem uma estrutura física bastante boa o que permite que “lute” pela bola com os defesas-centrais mais fortes fisicamente.

No entanto, não faz da sua força física a sua primeira valência, pelo contrário, é um jogador que se faz valer pela capacidade técnica e pela agilidade que exibe na forma como deambula pelo relvado.

“Afinar” a impetuosidade

André Silva é dos mais talentosos jogadores da actualidade, sobretudo a nível de avançados. É um jogador que ainda precisa de saber resfriar todo o ímpeto da sua juventude, não pode querer estar em todo o campo a “lutar” pela bola com os adversários.

É um trabalhar em campo, dá tudo, os adeptos nisso não podem exigir mais, mas, isso depois faz com que esteja mais vezes fora da sua posição natural e de zonas onde pode ser mais influente, a de ponta de lança.

Aliado a isso o desgaste físico que vai tendo ao longo do jogo faz com que chegue à zona de finalização já cansado e, mais que fisicamente, mentalmente o desgaste nota-se mais na recta final do jogo e daí que a eficácia sofra bastante.

A convivência com Soares

Desde que Soares chegou que se vem a falar de um baixo rendimento em André Silva. Fará ele sentido? Os número como são traiçoeiros dirão que sim, e porquê? Porque nos números não vem explicado as movimentações tácticas que André Silva tem tido nos jogos do FC Porto.

André Silva nos jogos que não marcou – Sporting e Vitória SC – foi fundamental para atrair marcações dos defesas e, com isso, libertar Soares dos defesas contrários.

Portanto, nem sempre marcando golos, ou não os marcando, André Silva esteve melhor ou pior, apenas teve outro tipo de desempenho, mas que ainda assim bastante bom para o avançado portista crescer e perceber que, também assistir – ainda que de forma indirecta – é fundamental para um avançado quando joga com outro homem de área ao lado.

É caso para dizer que a convivência é boa e recomenda-se. Ganham os dois jogadores (Soares e André Silva), a equipa e até os companheiros que jogam no apoio aos dois avançados.

Assim sabem que estão ali dos avançados predispostos a fazer golos e prontos para receber a bola vindo dos médios mais criativos e dos extremos.

André Silva e Soares (Foto: Lusa)

Um regresso às origens?

André Silva na goleada frente ao Nacional da Madeira, do passado sábado, além dos dois golos que marcou, deu ainda nas vistas por um posicionamento algo diferente do habitual. O avançado portista regressou à sua “casa” táctica dos tempos da formação: extremo-direito.

(Foto: Sporttv)

Ainda que de uma forma híbrida, foi perceptível ver André Silva mais deslocado sobre a direita, enquanto Soares se fixava mais no corredor central.

Esta mudança táctica foi mais visível em organização defensiva, André Silva fechava o corredor lateral direito.

Nuno acaba por pedir a mesma coisa em organização ofensiva, que Soares e André Silva coabitem juntos no corredor central, mas, agora com uma nuance diferente dando mais liberdade ao portista para partir do corredor lateral direito e flectir depois para o centro e juntando-se a Soares.

(Foto: Sporttv)

Pode ser uma evolução no sistema táctico de Nuno Espírito Santo que assim aproxima-se mais de um 4x3x3 e pode permitir que haja agora três médios no corredor central e dar continuidade à boa sociedade Óliver Torres e André André depois do bom jogo com o Boavista. No fundo é conciliar um meio-campo a três, sem perder os dois avançados-centro em simultâneo.

(Foto: Sporttv)


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