17 Ago, 2017

A (possível) nova vida de João Carlos Teixeira no Dragão

Gonçalo SantosJaneiro 17, 20176min0

A (possível) nova vida de João Carlos Teixeira no Dragão

Gonçalo SantosJaneiro 17, 20176min0

Apesar do “travão” no último jogo, diante do Moreirense, no qual não foi utilizado, o médio do FC Porto está a ganhar espaço no plantel “azul e branco”. Ainda tem, contudo, muito trabalho pela frente a fim de se afirmar em definitivo na equipa comandada por Nuno Espírito Santo.

Adquirido ao Liverpool, numa transferência livre de encargos, foi a primeira contratação do novo plantel dos “dragões” para atacar a temporada 2016/2017, mas só cumpriu os seus primeiros minutos pelo emblema da Invicta em finais de novembro frente ao Belenenses, em encontro a contar para a fase de grupos da Taça da Liga.

João Carlos Teixeira, formado na Academia do Sporting, do qual se transferiu ainda muito jovem para os “reds”, não tem tido vida fácil do Dragão, de tal forma que a sua saída na reabertura do mercado, em janeiro, parecia um dado consumado. O médio, porém, ganhou novo fôlego após a sua estreia, apesar de ter jogado pouco mais de um quarto de hora nessa partida, e Nuno Espírito Santo terá vetado a sua transferência.

Na base da decisão do técnico portista poderá estar a versatilidade do atleta, que atua preferencialmente no centro do terreno, mas descai com facilidade para uma das alas, funções que desempenhou já de dragão ao peito nos poucos minutos que somou esta época – até agora, jogou sempre como suplente utilizado, tanto nas três aparições que tem na Liga NOS, como nas duas na Taça da Liga. Fatores aos quais se poderão somar a possível saída de um dos jogadores do meio-campo neste defeso, com Yacine Brahimi à cabeça, ou ainda a necessidade de se ter um conjunto com soluções de qualidade; recorde-se que, além do Campeonato, o FC Porto tem os oitavos-de-final da Liga dos Campeões por disputar, o que exige alguma profundidade em termos de plantel.

Certo é que, desde a sua estreia, João Teixeira tem sido presença regular nos convocados de Nuno Espírito Santo e não aparenta estar na porta da saída do Dragão; a própria imprensa já noticiou que o treinador “azul e branco” pediu à direção para não vender ou emprestar o médio de 23 anos, sobretudo numa altura em que o mesmo tem vindo a ganhar espaço nas suas escolhas.

Uma solução válida…

O FC Porto possui jogadores de qualidade do meio-campo para a frente, e mais concretamente para as posições de João Teixeira, casos de Otávio, Óliver Torres ou do já mencionado Brahimi, sobretudo. Ainda assim, causa alguma estranheza o camisola 18 ter demorado tanto tempo a ser aposta pela primeira vez.

O ex-Liverpool distingue-se pela capacidade que possui de emprestar as suas valências ao jogo interior das equipas que representa, que tende a evoluir com a sua presença. Em Paços de Ferreira, por exemplo, em jogo a contar para a 16ª jornada do campeonato e que acabou empatado a zero, João Teixeira assinou aquela que foi, muito provavelmente, a sua exibição mais interessante ao serviço do atual 2º classificado da liga portuguesa. Depois de, ao minuto 78, render Óliver Torres, o médio português teve a dupla função de assistir os seus colegas da frente de ataque a partir do centro do terreno e de apoiar as investidas portistas com origem no lado esquerdo do ataque “azul e branco”. A sua entrada em campo permitiu aos pupilos de Nuno Espírito Santo circularem a bola com outro critério e, mais do que isso, junto da baliza adversária.

João Teixeira aquando da sua apresentação no FC Porto. Foto: FC Porto

Com João Teixeira dentro das quatro linhas, o FC Porto passou a ter uma referência em campo, na medida em que o jovem aparecia quase sempre solto de marcação e pronto a receber um passe, de forma a, posteriormente, combinar com os seus colegas. O seu sentido de orientação em campo, que lhe permite estar constantemente em busca de uma solução no último terço do terreno, fez com que consiga dar maior profundidade ofensiva à equipa, libertando os jogadores mais criativos, sobretudo os extremos puros, que jogam mais encostados à linha, para outras funções.

No fundo, e apesar de estarmos a falar de um jogador com uma qualidade técnica e visão de jogo que não se devem descartar, ao utilizá-lo com maior frequência, Nuno Espírito Santo ganharia, sobretudo, um atleta que jogaria mais em prol da equipa do que a favor dos seus registos individuais.

… mas que precisa de ser “afinada”

A verdade, todavia, é que João Teixeira não tem conseguido mostrar o seu futebol na totalidade nesta ainda curta estadia no Dragão. Além da estreia muito tardia pelo clube portista, já mencionada neste artigo, o seu rendimento em tão poucos jogos tem sido bastante aceitável, mas pouco preponderante para os resultados da equipa.

Este arranque lento do jogador formado em Alvalade terá sido, certamente, influenciado pelo seu fraco ritmo competitivo. Afinal, João Teixeira teve escassas oportunidades na equipa principal do Liverpool, pela qual nem conta com dez jogos oficiais; em Anfield, jogou quase sempre pelas equipas de sub-21 ou sub-23 dos “reds”. Em 2013/2014, seguiu emprestado para o Brentford, do terceiro escalão do futebol inglês, mas acabou por praticamente não ser utilizado. Foi na época seguinte, ao serviço do Brighton & Hove Albion, do Championship, o equivalente à segunda divisão, que teve a sua grande oportunidade de mostrar serviço. Pelo emblema do sul de Inglaterra, realizou mais de três dezenas de jogos oficiais, nos quais marcou seis golos, bons números que lhe fizeram merecer uma oportunidade no plantel do Liverpool, mas nem Brendan Rodgers nem, mais tarde, Jurgen Klopp fizeram dele aposta regular.

Em suma, João Teixeira é um jogador de qualidade, mas que, enquanto sénior, tem tido muitas dificuldades em estabilizar a sua carreira. Aos 23 anos de idade – completa 24 agora em janeiro – urge jogar com regularidade, algo que não conseguiu no Liverpool e que também se tem revelado complicado no FC Porto. Veremos como corre a segunda metade da época para o médio, que só recentemente começou a despertar a atenção do treinador, cada vez mais ciente das suas capacidades e valias.


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