21 Nov, 2017

O Momento da Época – FC Porto


O Momento da Época – FC Porto

Ao olhar friamente para o ano futebolístico do FC Porto, torna-se claro que o duplo empate frente ao Belenenses, em Novembro, constituiu um momento decisivo e paradigmático no percurso dos ‘dragões’. Não pelos pontos perdidos, mas sim pela identificação de certas lacunas que viriam a manifestar-se novamente numa fase mais decisiva do campeonato.

Desde o início do ano que o plantel dos portistas suscitou algumas questões relativamente à diversidade e qualidade das soluções disponíveis. Do lado de fora, torna-se impossível perceber se este cenário seria do agrado de Nuno Espírito Santo, ou se foi consequência da política de transferências orientada pela direcção do clube. Tanto quanto sabemos, a responsabilidade até pode ser abarcada às duas partes, mas é injusto e irresponsável fazer qualquer tipo de especulação sobre o assunto.

O plantel parecia curto, só que era preciso um ‘stress test’ para poder corroborar a teoria. Ora essa oportunidade surgiu em meados de Novembro. No espaço de um mês, o FC Porto disputou um total de nove partidas, referentes a todas as competições em que estava envolvido. Este período intenso saldou-se em 5 triunfos e 4 empates, todos eles a zero. A invencibilidade, ainda que positiva, não foi suficiente para disfarçar vários défices.

Aos nulos em Chaves e em Copenhaga, seguiu-se o duplo compromisso como Belenenses, uma ocasião soberana para recuperar os índices de confiança do grupo. Porém, os 180 minutos serviram apenas para transformar desconfianças em certezas, e trazer a lume as maleitas da equipa. Uma amostra quase perfeita para ilustrar o ano problemático dos portistas.

Começando do individual para o colectivo, a deslocação ao Restelo confirmou a inépcia de Laurent Depoitre no papel de alternativa a André Silva. O avançado belga contratado ao Gent teve a primeira grande oportunidade de provar o seu valor dias antes, na eliminatória perdida com o Chaves, onde não foi decisivo. No Restelo, dificilmente teria corrido pior. Entrou a meia-hora do final, e protagonizou uma exibição completamente inócua, coroada com um falhanço desastroso aos 69’. Adensava-se assim a pressão sobre um jovem André Silva, que carregou durante demasiado tempo o peso incomportável de goleador único e invencível.

Infelizmente para os pupilos de Nuno Espírito Santo, o problema não residia somente no erro de casting que foi Depoitre. Ainda evocando aquilo que se passou no terreno do Belenenses, Diogo Jota acusava uma quebra física decorrente de uma utilização intensiva, ao passo que figuras como Óliver e Otávio (todos eles substituídos), apresentavam um rendimento abaixo do nível habitual. No banco de suplentes, o cenário era desolador, mesmo para o adepto mais optimista. A saber: José Sá, Willy Boly, Rúben Neves, Evandro, André André, Silvestre Varela e Laurent Depoitre. A missão de desfazer o nulo perfilava-se assim oficialmente como espinhosa. Não admira portanto, que o encontro tenha terminado com o marcador inalterado. Mais do que isso, tornou-se claro que o FC Porto, daí para a frente, iria ter de lidar com esta realidade castradora em todos os jogos mais difíceis de resolver.

Três dias depois, as segundas linhas portistas tiveram uma oportunidade única de mostrar o seu valor, e de forçar pontos de interrogação na hora de escolher o onze inicial. Novamente frente ao Belenenses, desta vez em partida da Fase de Grupos da Taça CTT, os ‘dragões’ gizaram uma das performances mais pobres e angustiantes de toda a temporada (salvo raras excepções individuais). Comprovou-se em definitivo que a manta para 2016/17 tinha pouco tecido, e nem a entrada fulgurante de Soares no Mercado do Inverno foi suficiente para compensar tamanho défice.


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