24 Nov, 2017

Adeus, André… e agora? – O ataque do FC Porto de Conceição

Francisco IsaacJunho 17, 20176min0

Adeus, André… e agora? – O ataque do FC Porto de Conceição

Francisco IsaacJunho 17, 20176min0

Fim do percurso de André Silva no FC Porto dita também o início da procura de um colega/substituto/solução para Soares e para o plantel de Sérgio Conceição. Depoitre? Rui Pedro? Aboubakar? Gonçalo Paciência? Um problema e algumas soluções

André Silva já não mora no Dragão… o jovem avançado português (7 golos em 8 jogos oficiais pela camisola das Quinas) é agora do AC Milan. 38M€ (com possibilidade de ascender aos 40M€) após uma época (e meia) ao serviço do plantel principal do FC Porto, vários golos (um de bicicleta na final da Taça de Portugal em 2016) e um crescimento exponencial na equipa principal.

Os euros são uma boa novidade nos cofres do FC Porto, mas a ausência de uma solução de ataque levantam várias questões para Sérgio Conceição que se vê privado do avançado mais móvel, mais inteligente e com melhor capacidade dar à equipa velocidade.

Sim, resiste ainda Tiquinho Soares, o avançado brasileiro que conseguiu lançar uma “poeira de fumo” para os olhos dos adeptos com 12 golos em 17 jogos. Um avançado mortífero à frente da baliza, pecou bastante na ajuda à construção de jogo, na participação do ataque e até na hora de ser solidário com o colega do lado.

Ou seja, com Soares o FC Porto vê-se obrigado a jogar num 4x3x3 versátil com os flancos a trabalharem afincadamente do princípio ao fim (obrigando ao plantel ter uma larga profundidade de forma a ir revezando os jogadores), auxiliados por um médio mais avançado e que faça o jogo girar não só para as laterais mas também pelo meio do terreno.

Verdade seja dita, Soares no momento em que não podia falhar, falhou… a recta final de jogo deixou muito a desejar, forçou muito a sua posição no onze, mas nem mesmo assim Nuno Espírito Santo perdeu a sua crença no killer instinct do brasileiro.

Com a saída de André Silva, sobram então Soares na frente, com Rui Pedro como solução nº1 e, talvez, Depoitre como terceira hipótese para entrar para o ataque. Estas solução são, no mínimo, “curtas” para uma época que ronda os 50 jogos (na melhor das hipóteses).

Rui Pedro tem o frenesim e o toque de bola que deixam bancadas “incendiadas” com uma velocidade e um jeito para surgir nos espaços de alta categoria. Marcou só um golo, verdade, mas é um jogador em formação e que precisa tanto de minutos como de “contrariedades” para ganhar estofo e assumir um papel importante no FC Porto.

Depoitre, o avançado belga que veio por 4M€, foi uma desilusão imensa para os Dragões que esperavam outra capacidade de finalização… o belga nunca foi jogador para o FC Porto, protagonizou alguns momentos que levantaram graves dúvidas em relação ao seu valor… porém, em abono da verdade, NES nunca soube introduzir Depoitre na equipa, deixando-o mais “solto” do que devia sem perceber onde e como podia fazer a diferença.

Em suma, as três actuais soluções são “curtas” para uma época que será definitiva para o futuro de Jorge Nuno Pinto da Costa no FC Porto (e a sua estrutura). Por isso olhemos agora para as soluções que podem provir dos empréstimos ou equipa B.

Vincent Aboubakar esteve uma temporada ao serviço do Besiktas onde conseguiu ajudar ao clube de Istambul a levantar o ceptro de campeão. Foram 19 golos em 38 jogos (todas as competições), alguns detalhes de alto relevo, entusiasmando os adeptos da equipa de Ricardo Quaresma.

Aboubakar (Foto: Getty Images)

Uma época em cheio, uma época que levantou o camaronês depois de ter sofrido uma temporada “assustadora” no Dragão. 2015/2016 foi tão “aterrador” que Aboubakar afirmou que não é sua intenção em regressar ao FC Porto, querendo apostar numa carreira fora de Portugal.

O Besiktas, Galatasaray e outros clubes franceses estariam dispostos a pagar pelo camaronês até 12M€, mas nada se sabe dos desígnios do FC Porto para o ponta-de-lança.

Aboubakar traz ritmo, traz um remate portentoso e uma capacidade de luta muito acima da média… mas também quebra sob pressão, sofre com a intensidade de uma defesa alta e tem uma capacidade mental “fraca” comparada com a maioria dos colegas de equipa.

E se não for Aboubakar? Ainda há Gonçalo Paciência, que nunca gozou de uma verdadeira oportunidade para mostrar se tem ou não qualidade para singrar como solução de banco no Dragão. Um dos produtos da Academia do FC Porto, Paciência somou apenas 550 minutos pelo Rio Ave na época que findou em Maio de 2017 e só conseguiu meter uma bola no fundo das redes.

Não é, de longe, a melhor solução em termos de golos. Contudo, Paciência tem mobilidade, sabe encontrar e criar espaços, é um jogador com bom toque de bola e já conhece os “cantos à casa”. Porém, e voltando à “dura e fria” realidade, parece-nos que Paciência nunca vá ter uma real oportunidade para singrar no Dragão.

Depois há Moussa Marega (boa temporada no Vitória de Guimarães, voltou a mostrar alguns atributos do tempo em que jogou no Marítimo), Nabil Ghilas, Alberto Bueno e Adrián Lopéz.

Ao todo o FC Porto tem 9 soluções para a frente de ataque dentro do clube… e será irónico ver que só um (Soares) das nove terá hipótese para 2017/2018 entrará nas contas de Sérgio Conceição.

Um autêntico desperdício e um “cemitério” de avançados que deixa várias questões à estrutura e gestão do FC Porto. Más decisões, más compras e más introduções nos plantéis nas últimos quatro temporadas.

Marega (Foto: Lusa)

Se Aboubakar, Paciência, Marega, Depoitre ou Rui Pedro não são soluções (e os quatro primeiros devem sair em definitivo ou por empréstimo) quem estará na sombra (ou o meterá “nela”) Soares?

Lautaro Martínez é o nome mais “badalado” pela imprensa, provindo do Racing de Avelleneda, aquele clube que já deu Lisandro Lopéz ao FC Porto. O Dragão sempre se deu bem com argentinos, muito pelo “sangue quente”, o ritmo de jogo, a intensidade na luta pela bola e a qualidade na saída para o ataque.

Outro rumor é a chegada de Jackson Martínez ao FC Porto, uma vez que o avançado colombiano está a precisar de voltar a “campos” onde foi feliz. Tanto no Atlético de Madrid como no Evergrade, Jackson nunca foi jogador à altura dos acontecimentos e acabou por quase “desaparecer” do mapa.

Adivinha-se um verão quente para o FC Porto, onde a luta pela camisola e posição de nº9 (atestando que Sérgio Conceição imponha um 4x3x3) será uma “guerra” total.


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