18 Fev, 2018

SC Braga: ficar no eterno 4º lugar ou lutar pelo título?

Pedro AfonsoJulho 26, 20176min0

SC Braga: ficar no eterno 4º lugar ou lutar pelo título?

Pedro AfonsoJulho 26, 20176min0

Desde a queda do Boavista para as divisões distritais, que o SC Braga se encarregou de colmatar a lacuna do 4º lugar na Liga Portuguesa. Não obstante o maior poderio financeiro dos adversários candidatos ao título, o clube dos Gverreiros foi capaz de se intrometer na luta pelo mesmo, tendo acumulado nos últimos 10 anos sucessivos 3º lugares, um 2º lugar e uma Final da Liga Europa perdida diante do Super-Porto de Villas-Boas. E agora? Qual o próximo passo?

A época passada não correu de feição ao clube de Braga. Três treinadores, uma vaga de lesões, futebol pouco atractivo e o 5º lugar atrás do eterno rival minhoto, o Vitória SC. A época menos bem-conseguida mostrou alguns dos obstáculos inerentes ao processo de crescimento de um clube, desde a tentativa de conciliação da opinião e do apoio dos adeptos aos treinadores escolhidos pela SAD, até à afirmação de um discurso de vitória e de vontade de crescimento.

Começando por José Peseiro, o “pé-frio” português, o escolhido por António Salvador para a época de 2016/2017. Capaz de demonstrar uma dinâmica ofensiva brilhante, descurando os aspetos defensivos, o técnico acumulou resultados interessantes ao longo da sua curta 2ª passagem pelo Estádio AXA. Contudo, a falange adepta bracarense nunca apoiou verdadeiramente o treinador, tendo os resultados da Supertaça e a eliminação do SC Braga às mãos do Sporting da Covilhã para a Taça de Portugal ditado o divórcio entre adeptos e equipa técnica. Curiosamente, Salvador cedeu a esta pressão das bancadas e despediu Peseiro, que tinha levado o Braga a fazer uma campanha interessante na Liga NOS.

Falhanço inesperado [Fonte: Lateral Esquerdo]
 

Seguiu-se Jorge Simão, o treinador revelação/maravilha da primeira volta da Liga Portuguesa, liderando um Chaves recém-promovido e que vinha adquirindo, aos poucos, um estatuto de clube respeitado até pelos grandes, que passaram grandes dificuldades no estádio transmontano. Com um discurso ambicioso, de vitória, fazendo crer que o Braga se poderia intrometer até na luta por posições mais cimeiras, o técnico deliciou os ouvidos de Presidente e adeptos. Mas terá sido na sua gestão de balneário que Simão falhou redondamente. Trazendo consigo jogadores já seus conhecidos de Chaves (Battaglia, Paulinho e Assis) e tendo colocado em cheque alguns dos pesos pesados do balneário bracarense (André Pinto, Alan, Hassan e até Stojilikovic), Jorge Simão pareceu servir de “testa-de-ferro” para uma limpeza de balneário, que terminou com o despedimento do técnico. Para além dessa má gestão de um plantel complexo e com muitas opções, o futebol paupérrimo que levou à perda da Taça da Liga diante do Moreirense e a uma série de outros resultados menos bons demonstraram que a “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecê-lo”.

Pelo meio, surgiu Abel, um profissional com muitos anos de Liga NOS, uma postura irrepreensível, que abordou sempre o seu papel transitório com dignidade e acabou premiado com a subida a treinador do plantel principal.

E o que poderemos esperar este ano?

A limpeza de balneário levou à saída de jogadores com muitos anos de casa, como Alan (agora no papel de dirigente), André Pinto (saído em desgraça para o Sporting CP) e Baiano, por exemplo. Paralelamente, numa espécie de “raid” pelos clubes da Liga NOS que, normalmente, ficam abaixo do SC Braga, António Salvador foi capaz de resgatar vários talentos da 1ª Liga, contratando Sequeira, Raúl Silva (um dos melhores centrais da época passada), Fransérgio, Dyego Sousa, Paulinho (que havia feito uma enorme temporada na 2ª Liga ao serviço do Gil Vicente) e Fábio Martins. Para além disso, foi ainda capaz de ser reforçar com André Moreira, Danilo Silva e Ricardo Horta, jogadores jovens com talento, Jefferson e Esgaio (num negócio incrível com o Sporting CP por Battaglia) e ainda fez subir ao plantel principal jogadores como  Xadas e Pedro Neto, ambos grandes esperanças do futebol português.

A manutenção da estrutura base do final da época passada e a aposta num técnico jovem e carismático como Abel poderão ser enormes mais-valias para a época que se avizinha. O SC Braga parece mais bem preparado que os seus rivais na luta pelo 4º lugar.

Ainda muito a provar, apesar do potencial [Fonte: SC Braga]
 

Mas então, lutar pelo 4º lugar ou avançar para o título?

Antes de mais, os adeptos bracarenses e a SAD bracarense não podem cair na tentação de recordar com um saudosismo inebriante os sucessos de há 7 anos atrás. A final da Liga Europa já passou e o 2º lugar não voltou a ser repetido. Deverá ser analisado o percurso que levou a esses mesmos resultados, passando pela escolha criteriosa de treinadores de António Salvador, com Jesualdo Ferreira, Paulo Fonseca, Leonardo Jardim, Jorge Jesus, entre outros, a assumirem as rédeas do clube, bem como a contratação de jogadores que mais tarde vieram a ser contratados pelos três Grandes e se tornaram mais-valias para estes.

Anos áureos [Fonte: SC Braga]
 

Será lírico pensar que este SC Braga é o Braga desses tempos: nem os adversários se encontram tão desorganizados nem os jogadores têm tanta qualidade como os de essa altura (Eduardo, João Pereira, Mossoró, Vandinho, Hugo Viana, só para dizer alguns). Para além disso, o plantel deste ano parece curto para fazer frente a tantas competições, começando a qualificação tão cedo para a Liga Europa (ainda em Julho).

Assim, creio que o SC Braga se encontra agora mais próximo de lutar pelo 4º lugar do que pelo 3º e a sua distância para os rivais candidatos ao título tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. Uma reflexão profunda precisa-se, para que um clube com uma massa adepta tão fervorosa, uma cidade tão jovem e em franco crescimento e jogadores talentosos possam ter a oportunidade de quebrar o marasmo criado pelos 3 grandes do futebol português. Pelo bem da Liga NOS, o Braga tem de se reencontrar.


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