20 Out, 2017

Barrosas de Elite

Nélson SilvaFevereiro 25, 20177min0

Barrosas de Elite

Nélson SilvaFevereiro 25, 20177min0

Da presença na Taça de Portugal, à conquista da Supertaça da AF Porto – o Barrosas surpreendeu, subiu ao céu mas teve de descer à terra. Um 2016 com muita história para contar naquela que é a maior associação de futebol distrital do país, a AF Porto. A terminar a fase regular, a equipa do concelho de Felgueiras continua a fazer pela vida e a tentar afirmar-se como um conjunto a ter em conta na divisão que separa o futebol distrital do nacional.

Na vila de Barrosas, concelho de Felgueiras, mora uma equipa que vai escrevendo uma agradável passagem nos livros da história da AF Porto. Pelo segundo ano consecutivo a militar na divisão de Elite, a modesta esperança de se manter neste mesmo escalão passou a ser uma ambição ponderada de começar a surgir na primeira metade da tabela. Com uma época de estreia bastante positiva, o Barrosas assegurou a continuidade na Elite e foi surpreendendo na Taça Brali (taça oficial da AF Porto).

Com a passagem do testemunho de Lima Pereira para Filipe Teixeira no comando técnico, a equipa barrosense manteve o bom momento e alcançou uma inédita conquista da Taça Brali e consequente apuramento para a Taça de Portugal. Porém, na presente temporada, já após a conquista da Supertaça da AF Porto e de ser repescado para a eliminatória seguinte da Taça de Portugal, o Barrosas passou a viver o momento mais inconstante dos últimos tempos. A vencer a AD Oliveirense (que viria a defrontar o SC Braga na eliminatória seguinte) por 2-0 ao intervalo na Taça, o Barrosas deixou fugir o sonho e foi surpreendido com uma derrota por 2-3.

Com muitas mexidas, reforços e lesionados, Filipe Teixeira ainda se manteve por algum tempo no comando técnico mas não resistiu aos resultados menos positivos. Tonanha assumiu o cargo e procura agora alcançar as tão essenciais vitórias na luta pela permanência no campeonato. Com um plantel variado, há um misto de experiência com a aposta em jovens promissores. Apesar de uma fase mais intermitente nesta temporada, o Barrosas continua a potenciar jogadores e a despertar o interesse de outras equipas nos seus atletas. Há a prata da casa, as estrelas e ainda a grande promessa no ativo do plantel barrosense.

Foto: PhotoinStyle

A prata da casa

Com a aposta feita na formação num passado muito recente (embora existisse uma ou outra equipa nos escalões de formação, não existia a formação continuada, como agora acontece com crianças desde os 5/6 anos ao escalão de juniores), não tem sido comum ver jogadores que passaram pelas camadas jovens do clube a afirmarem-se no clube. Porém, há uma exceção à regra que merece destaque. Paulo Jorge, médio defensivo de 23 anos, fez grande parte da sua formação ao serviço do Barrosas, passando ainda pelo Freamunde, Benfica de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão, este último já no escalão sénior. Persistência, paciência e mais uma amostra da importância de nunca desistir dos sonhos. Licenciado em desporto, treinador do escalão de iniciados do próprio Barrosas, fez por merecer o destaque que o coloca como um dos rostos das grandes conquistas recentes do clube. Aos poucos, com a garra que lhe é reconhecida em campo, o trabalho deu os seus frutos e foi peça essencial sob o comando de Filipe Teixeira. Um jogador com margem de progressão, que há muito é um dos preferidos dos adeptos e faz por merecer o lugar de destaque no clube que o viu crescer.

Foto: PhotoinStyle

As estrelas

Da baliza para o setor criativo do meio campo – as posições ocupadas pelos dois jogadores de maior destaque neste plantel –, partindo da experiência à irreverência de um e de outro. Paulo Costa, guarda-redes de 30 anos, é a verdadeira muralha na baliza barrosense, sendo fundamental na conquista de muitos dos pontos conseguidos pela equipa até ao momento. O guardião transmite uma segurança como muito poucos o fazem neste campeonato, sendo que não é ao acaso que conta no currículo com várias passagens pelo Campeonato de Portugal, antigo CNS (Campeonato Nacional de Seniores). Já Pedrinho é um caso de talento puro. Com um temperamento e uma entrega ao jogo que nem sempre correspondem ao que a equipa precisa, é capaz de coisas que só estão ao alcance dos “privilegiados”. De estatura baixa, rápido e com um drible impressionante, arranca muitos cartões a adversários e outros tantos coelhos da cartola. O camisola 4 do Barrosas já se vem destacando desde a temporada passada como sendo globalmente o melhor jogador do plantel para os adeptos.

Foto: Paulo Costa @Facebook

Foto: PhotoinStyle

A promessa

Se a insistência em jogadores provenientes de clubes de formação superiores nem sempre dá certo no clube, este é o verdadeiro caso à parte. Fábio Vieira, defesa de 19 anos formado no FC Vizela, chegou, viu e conquistou. Bastou um torneio de pré-época para que Fábio começasse a dar nas vistas. Com a lateral direita debilitada, o ex-técnico Filipe Teixeira apostou no jovem que vinha alinhando a central no Campeonato Nacional de Juniores, mas para quem a posição de lateral não era de todo desconhecida. O Barrosas resgatou o atleta dispensado pela turma vizelense e não podia ter corrido melhor. Com um físico trabalhado e essencial para singrar de antemão nas ligas mais exigentes, Fábio fez pela vida e tem deliciado os adeptos com exibições sólidas, tanto a atacar como a defender, ganhando ainda muitos duelos corpo a corpo. Sempre sereno em transição defensiva, não perde a oportunidade de partir para o ataque e decide com muito critério. Claramente a surpresa mais agradável do setor mais debilitado do plantel – há muito que não existe um quarteto defensivo indiscutível, as mexidas são frequentes e o setor tem sido reforçado constantemente. A boa forma, aliada à sua margem de progressão, fazem acreditar que Fábio não tardará a seguir para voos mais altos no futebol português.

Foto: PhotoinStyle

A equipa da Vila de Barrosas continuará a sua caminhada com o objetivo da manutenção, assente numa nova política de aposta nos atletas que saem dos escalões inferiores e que fazem por merecer uma experiência de grande nível. Os juniores do clube acabam de se sagrar campeões de série na 2ª distrital da AF Porto e já se torna comum ver jogadores que se destacam nesse escalão a aparecerem como opções no escalão mais alto. Os adeptos pedem que a equipa conte com mais “sangue da terra” no plantel sénior e certamente com a recente reformulação da aposta nas camadas jovens será mais comum ver “meninos da casa” a singrarem ao lado dos mais graúdos. O Barrosas já fez história, mas não deixará de ambicionar renová-la ao longo dos próximos anos, sempre com a consciência de que todos os esforços são necessários para seguir num patamar tão elevado.


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