21 Ago, 2017

Quando é preciso dar um passo atrás para… dar dois à frente?

Marcelo BritoJunho 21, 20176min0

Quando é preciso dar um passo atrás para… dar dois à frente?

Marcelo BritoJunho 21, 20176min0

A queda da União Desportiva Oliveirense da Ledman LigaPro, na época 2015/16, suscitou o interesse dos verdadeiros adeptos do desporto rei no que aconteceria, nos seguintes anos ao gigante de Oliveira de Azeméis. Houve quem projectasse uma queda, a pique, para os distritais, mas houve também quem guardasse no silêncio a esperança de ver os unionistas regressarem aos campeonatos profissionais. Pois bem, bastou uma época para a Oliveirense dar um murro na mesa e voltar ao segundo principal escalão do futebol nacional.

Iniciado o Campeonato de Portugal Prio, o percurso da União Desportiva Oliveirense mostrou-se aquém do espectado. Na primeira metade da fase regular, Série C, o clube apenas venceu três jogos – Sousense, Moimenta da Beira e Salgueiros – tendo empatado por duas vezes e perdido por quatro. Até então, a esperança dos mais fiéis seguidores fraquejava. Iniciada a segunda volta, o clube de Oliveira de Azeméis acordou e arrasou toda a concorrência.

Nos restantes nove encontros, empatou duas vezes e somou sete triunfos – seis consecutivos. Garantiu o primeiro lugar da Série em igualdade pontual com o Salgueiros e, assim, a título de curiosidade, atirou o eterno rival Sanjoanense para fora na luta pela ascensão à Segunda Liga.

Como consequência de um apuramento ‘tremido’, nem todos colocavam a Oliveirense como principal candidato à subida, tendo em conta as equipas presentes na fase de promoção da Zona Norte. Clubes com igual e forte capacidade financeira como Merelinense, Salgueiros, Gafanha ou até o próprio Marítimo ‘B’, não conseguiram destronar uma caminhada sólida, concisa e objectiva dos pupilos de Luís Miguel.

Oito vitórias em 14 partidas, mais três empates e outros tantos desaires garantiram à Oliveirense o regresso à Ledman LigaPro. Aqui, destaque para a última jornada. A União perdeu com o Salgueiros e, mas o Merelinense não aproveitou, tendo empatado a dois em Viseu frente ao Lusitano.

Na luta pelo título de campeão do CPP, a Oliveirense não conseguiu colocar a cereja no topo do bolo ao perder frente à formação que mais consistência apresentou durante a temporada, Real, tendo perdido por 2-0.

O homem por trás do sucesso

Até aqui, apenas dados estatísticos que abrilhantaram, mais, a história oliveirense. Mas afinal, a quem devemos atirar as culpas pelo sucesso do clube? Pessoalmente, e tudo bem que os treinadores não jogam, mas arriscaria no timoneiro Pedro Miguel.

Um ‘velho’ conhecido de um emblema que orientou durante oito épocas consecutivas – entre 2004 e 2012 – e que não teve receio de assumir e unir, com sucesso, uma equipa psicologicamente abalada pelos problemas causados pela ‘Operação Jogo Duplo’, investigação sobre resultados combinados e apostas ilegais na Segunda Liga, proveniente de uma denúncia da Federação Portuguesa de Futebol. É público que Hélder Godinho, Luís Martins, Ansumané e Pedro Oliveira, ex-jogadores do plantel unionista, chegaram a ser detidos para interrogatório.

O plantel levou uma ‘lavagem’ e Pedro Miguel contou apenas com um leque de atletas que disponibilizaram-se em trabalhar única e exclusivamente em prol do emblema que carregaram ao peito. Salienta-se a lealdade do central formado no clube, Sérgio Silva, a quem propostas, de divisões com maior dimensão, não faltaram.

A este, juntou-se a experiência dos defensores Zé Pedro e Raúl, da dupla de médios da ‘casa’ Oliveira e Godinho e ainda de Gabi, proveniente do Estarreja. Na frente, nota para a irreverência dos estrangeiros Edivândio, Cuero e Alemão e ainda da jovem promessa do futebol nacional Serginho, também ele formado localmente. Estes quatro jogadores contribuíram, no total, com 24 golos. A Oliveirense marcou, em toda a época, 44…

Como reforços do clube para a temporada transacta, Ricardo Tavares (Sanjoanense), João Mendes (Operário Lagoa), Clayton (Académico de Viseu), Leozão (Madureira, Brasil) e Kiki (Mafra) mostraram-se cruciais para completar o puzzle de Pedro Miguel.

A Oliveirense está de volta aos campeonatos profissionais, mas volta a pairar a dúvida da consistência do emblema. Voltará a integrar o lote de candidatos à ascensão ao principal escalão nacional de futebol? O futebol aveirense está exclusivamente representado por Feirense, sendo que Beira-Mar não consegue sair dos distritais e Arouca desceu ao segundo escalão na última temporada, na… última jornada.

O clube não deve sonhar demasiado alto para a realidade financeira. Urge cimentar-se na Ledman LigaPro e, diria, com os apoios e estrutura necessária e imprescindível, almejar a subida à elite do futebol nacional num prazo de dez anos. O passo não deve ser maior do que a perna.

Foto: Orgulho Oliveirense

Nova casa para a nova temporada

Certo é que passos estão a ser dados para contrariar as já conhecidas adversidades da Oliveirense. As condições do Estádio Carlos Osório, ou melhor, a falta delas originaram uma decisão da direcção. A União competirá, em 2016/17, no Estádio Municipal de Aveiro, antiga casa do Beira-Mar que, devido a problemas financeiros, actua no ‘velhinho’ Mário Duarte.

Esperam-se ainda conclusões da ‘Operação Ajuste Secreto’, realizada esta semana em Oliveira de Azeméis, na qual Hermínio Loureiro e Isidro Figueiredo – antigo e actual presidente da Câmara local, respectivamente – são encarados como principais arguidos pela Polícia Judiciária.

Em causa está a adjudicação de obras relacionadas com clubes do concelho, entre os quais a União Desportiva Oliveirense. Ainda não são conhecidos detalhes da investigação e, assim não é possível afirmar se o clube sairá ou não prejudicado.

Problemas que não parecem afectar a direcção do clube que, apesar de estarmos numa fase embrionária da época de contratações, já prepara a próxima temporada desportiva a todo o gás. Depois da derrota frente ao Real, o clube não perdeu tempo em anunciar as saídas de Raphael Mello, Tiago Melo, Fazenda, Diogo Silva, Leozão, Zé Pedro Sousa, Kiki e Edivândio. Certas estão as renovações de Oliveira, Gabi, Cuero, Raúl, Rafa e Serginho. Até à publicação deste artigo, o único reforço oficializado é Júlio Coelho, antigo guarda-redes do Penafiel.


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