24 Fev, 2018

Nova época, velhos problemas?

José DuarteJulho 25, 20177min0

Nova época, velhos problemas?

José DuarteJulho 25, 20177min0

Jorge Jesus e o Sporting Clube de Portugal procuram redenção em 2017/2018, com novas apostas, mais contratações e outras ideias. Mas como está a decorrer a pré-época para os “leões” e que problemas subsistem no seio da equipa.

Com a realização do jogo com o Marselha chegou ao fim o estágio na Suíça. Ninguém imaginaria que o encerramento desta importante etapa encerrasse todas as dúvidas mas no balanço final as preocupações sobre o que será esta equipa capaz de produzir no imediato vão ainda continuar.

Ficam algumas notas sobre o que me parecem serem merecedoras de destaque:

Doumbia, nova companhia para Bas Dost (imagem Sporting CP)

Defesa nova, problemas velhos

À entrada de novos jogadores (novos no clube, não em idade…) que alegadamente deveriam contribuir com a experiência para dar maior estabilidade e segurança correspondeu afinal uma média de golos encaixados por jogo muito superior ao que estamos “autorizados” a consentir. Mas talvez mais importante que o número talvez tenha sido a forma que eles foram concedidos que mais chamaram à atenção.

Parecem parecem para já claros os problemas causados pela de falta de qualidade de alguns elementos (Piccini) e de no imediato pelo menos ritmo e identificação (Mathieu, Coentrão). O resultado são descoordenações comprometedoras decisões erradas em função do que o jogo pedia em determinados momentos. E, claro, quem joga com Jug na baliza perde o direito a reclamar do número de golos que encaixa.

Dúvidas: Estamos na presença de problemas inerentes à recomposição efectuada no sector, resolúveis com o treino? Os jogadores escolhidos têm o perfil adequado às necessidades dos desafios e mesmo ao(s) sistema(s) a implementar pelo treinador?

Mas a questão parece ser mais estrutural do que apenas do sector mais recuado ou deste ou aquele jogador que o compõe: JJ quer uma equipa a pressionar alto mas a pressão é ainda muito descoordenada e pouco intensa. E jogadores apontados à titularidade (Dost, Doumbia, Alan Ruiz) não parecem talhados para o fazer. Um problema que o ano passado foi fatal.

O que se viu nos jogos iniciais é que o problema subsiste, independentemente do 4x3x3 ou 3x5x2 e respectivas variantes. Os adversários dispuseram de grande liberdade para sair a jogar e, quando a equipa perde a bola – o que aconteceu várias vezes em momentos proibidos – a resposta está frequentemente condenada ao fracasso. O espaçamento entre os sectores, que reduz o número de elementos disponíveis para a contenção ou oposição às movimentações do adversário.  

Bruno Fernandes a contratação mais consensual (Foto: Sporting CP)

Médios que para já só parecem… médios

Para acentuar a suspeita de podermos estar na presença de problemas por resolver que se arrastam da época transacta está aí o sentimento de orfandade que as ausências de Adrien e William provocam. A incapacidade de reorganização e reacção após a perda sem o capitão é notória. O mesmo se pode dizer da qualidade com que saímos a jogar. E aqui é a falta de William que se nota. Se ele não é propriamente exemplar nos momentos defensivos, a sua ausência paga-se na qualidade das decisões com bola. Falta quem faça a gestão adequada do tempo certo para iniciar a saída ou de temporização com ela nos pés, diminuindo drasticamente a qualidade com que a bola chega à frente e com ela as nossas possibilidades de criar oportunidades de golo.

Depois de uma boa prestação inicial Petrovic está deixar transparecer que as listas horizontais do Sporting pesam mais que as verticais do Rio Ave. Bataglia obriga-nos a questionar constantemente se é um “6” ou um “8”, não se percebendo se JJ quer ou não dar a Palhinha o “6” que  parece ser seu com naturalidade.  Nota de conforto para a chegada de Bruno Fernandes, a permitir a esperança de finalmente estar resolvida a ausência de João Mário. Mas que, pelo que se percebeu pelo último jogo, precisa de melhor companhia. Está ainda também por saber quantas obras literárias vai ter tempo Francisco Geraldes para ler até Jorge Jesus conseguir ver o quanto lhe daria jeito tê-lo na equipa.

Para já fica uma certeza: o Sporting dificilmente subirá a qualidade do seu jogo por aqui, se vier a confirmar as saídas de Adrien e William. Que, não acontecendo, vai contribuir para um indesejável excesso de opções há luz da composição actual.

Para já muitos golos prometidos mas poucos concretizados

Não será propriamente surpreendente o reduzido número de golos marcados. Que se explicam de forma rápida por três ordens de razões: Desde logo pela qualidade dos adversários escolhidos, cujos nomes estão longe de significar promessas de goleadas. Depois porque o momento ofensivo é o que pode demorar mais tempo a preparar. A presença de um novo elemento (Doumbia) e a necessidade da respectiva articulação, especialmente com Bas Dost seria um terceiro. Mas há mais. A falta de desequilibradores a partir das alas, pela ausência do rei das assistências (Gélson) e utilização tímida de Iuri Medeiros e Matheus, acrescida do facto da chegada tardia de Acuña.

Mas quem tem Bas Dost pode estagiar mais ou menos descansado. Assim Doumbia o possa complementar com acerto. Para já ficou-se pela mostra de um sentido de baliza notável no jogo com o Fenerbaçe e predisposição para explorar a profundidade, posicionando-se quase sempre no limite das linhas defensivas. Algo que vimos desaparecer com a partida de Slimani e que tanto limitou o nosso jogo ofensivo em 16/17. Mas o costa-marfinense terá inevitavelmente que dar mais não apenas no entendimento com Dost mas também logo quando a equipa perder a bola, momento em que parece alhear-se do jogo.

Tarefa em que Alan Ruiz também se tem notabilizado pela forma como se esquece dela. E quanto à participação do argentino na ligação do nosso jogo, até agora a sua actuação resume-se a uma palavra: nulidade. Perdas de bola constantes e incapacidade de ligar com os colegas. O número habitual de dar dois passos e rematar está estafado. Teria perdido espaço para Podence, não tivesse o argentino carta branca de Jorge Jesus. Já o miúdo tem um futebol quase subversivo e agitador, não parecendo conformar-se com o facto de ter o banco quase certo como destino preferencial.

Pergunta por responder

Com tanto que ainda pode acontecer enquanto o mercado parecer aberto é ainda cedo para prognósticos definitivos. Mas a grande dúvida centra-se para já na qualidade dos reforços e no contributo que estes poderão dar à equipa. A sensação de emulação do registo do ano anterior – muitas aquisições, poucos jogadores capazes de merecer o título de verdadeiros reforços – pareceu formar-se sobre esta passagem pelos Alpes. Os próximos jogos ajudarão a perceber melhor se a ideia se confirma ou era produto do cansaço de que falou Jesus.


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