25 Set, 2017

Em busca do lugar europeu – Liga NOS 17/18

Daniel FariaAgosto 8, 201710min0

Em busca do lugar europeu – Liga NOS 17/18

Daniel FariaAgosto 8, 201710min0
No regresso ao activo da primeira liga, importa saber quem são os candidatos que se chegam à frente na luta pela vaga europeia. Conheça-os neste artigo.

Está aberta a temporada 2017/2018, com o início da Liga NOS. Depois da apresentação dos candidatos ao título, o Fair Play apresenta no presente artigo os candidatos a conquistar as respectivas vagas às competições eruopeias.

Sporting Clube de Braga

O Braga apresenta-se para esta época com a mesma ambição das últimas temporadas, que passa claramente por um apuramento europeu, trabalhando para manter-se no topo da tabela, lutando pelo estatuto de “quarto grande” do futebol nacional.
O treinador, Abel Ferreira, chegou até a apontar como objectivo o terceiro lugar, revelando-se ambicioso. Na mesma linha, o presidente, António Salvador, já proferiu a intenção de um dia tornar o clube campeão nacional, o que na nossa visão, não é para já possível ou exequível.
Depois de uma época decepcionante, com três treinadores e com um quinto lugar a não dar lugar direto na Liga Europa, o Sporting de Braga reforçou-se em quantidade e, teoricamente, qualidade, o que abre perspetivas para um ano melhor.
Quanto às metas internas, o Sporting de Braga quer ficar entre os quatro primeiros, mas intrometendo-se entre os ‘três grandes’, tarefa que falhou na época passada, tendo mesmo sido ultrapassado na quarta posição pelo rival de Guimarães.
O plantel recebeu muitos jogadores novos, com destaque para o regresso de Danilo, que, embora vinculado contratualmente ao Braga, jogou nas últimas duas épocas nos espanhóis do Valência, no Benfica e nos belgas do Standard Liège.
Nota ainda para o ingresso dos ex-‘leões’ Ricardo Esgaio e Jefferson, para o trio proveniente do Marítimo formado por Raúl Silva, Fransérgio e Dyego Sousa e, ainda, para o guarda-redes André Moreira.
O plantel parece mais equilibrado do que o da época passada, sendo de registar que a maior parte dos reforços são jogadores numa faixa etária intermédia e já com muita experiência no campeonato português.
Com um orçamento semelhante, a situar-se entre os 17 milhões de euros, resta saber se Abel Ferreira, que se estreia a começar uma temporada na I Liga, vai conseguir o mesmo sucesso que alcançou na equipa B dos bracarenses, de onde ‘saltou’ no final da época passada para substituir Jorge Simão.
O jovem técnico (38 anos) quer recalcar na equipa principal do Sporting de Braga o futebol de muita posse de bola, de ataque assente num 4x4x2 bem assumido que implementou na equipa secundária dos ‘arsenalistas’.

Depois de uma época decepcionante, Braga quer voltar ao topo. (Foto: MF)

Club Sport Marítimo

Depois da boa surpresa de Daniel Ramos no comando técnico do Marítimo, onde conseguiu o inesperado lugar europeu, as expectativas estão altas para os madeirenses no que toca à próxima época.
Por isso, é natural que os verde-rubros figurem no lote de candidatos à europa para 2017/2018, mas com uma certeza: tremendamente desfalcado, se tivermos em linha de conta a temporada transacta.
Depois de perder vários jogadores nucleares, como foi o caso dos centrais Maurício e Raul, do médio Fransérgio e da sua principal referência ofensiva, Dyego Sousa, os insulares surgem fragilizados.
Mas nem tudo é mau. Apesar da incerteza relativamente à continuidade de Daniel Ramos, o mesmo acabou por permanecer no clube, lutando para a bitola permanecer alta.
Com tantas baixas e, para procurar satisfazer as exigências de Daniel Ramos e também dos adeptos, o presidente Carlos Pereira teve de fazer um maior esforço financeiro no mercado de transferências e elevou o orçamento a sete milhões de euros.
No capítulo das entradas – falhada que foi a contratação de Danny –, destaque para o trio proveniente de Braga, composto por Gamboa, Piqueti e Rodrigo Pinho, que fez o percurso inverso de Raúl, Fransérgio e Dyego.
Outros reforços, como Ricardo Valente, Bebeto e Pablo prometem ser peças essenciais no ‘xadrez’ madeirense, havendo ainda Everton, Fabrício, Fábio Pacheco e Lundberg à espreita para também mostrarem serviço com a nova camisola.
As permanências de Zainadine e Erdem Sen serão fundamentais para os ‘verde-rubros’, que estão ainda à procura de contratar, pelo menos, um defesa central e de um médio ofensivo, esta última prioridade para colmatar o internacional arménio Ghazaryan, fora dos relvados até setembro.
A verdade é que o ano passado dizia-se que o plantel não tinha qualidade, mas com uma boa orientação, conseguiu ir parar ao sexto lugar da liga, depois do arranque desastroso com Paulo César Gusmão. Este ano, há expectativa para ver o que o Marítimo será capaz de fazer, sendo justo atribuir-lhe o estatuto de “lutador europeu”.

Depois do festejo europeu na época passada, as expectativas estão altas para os madeirenses. (Foto: MF)

Vitória Sport Club

Depois do brilhante quarto lugar da época passada, espera-se que o Vitória de Guimarães, ou simplesmente Vitória, como é tratado pelos seus adeptos, consiga uma das vagas para a europa.
O Vitória de Guimarães quer alcançar uma prestação semelhante à da última época, quando foi quarto classificado, com o mesmo treinador, Pedro Martins, e um plantel no qual transitaram 16 jogadores.
Os vimaranenses garantiram o acesso à fase de grupos da Liga Europa, ao concluírem a temporada anterior com 62 pontos, marca que igualou o recorde do clube, que datava da época 1995/96, e jogadores como o capitão Moreno, Francisco Ramos e Hurtado já referiram, na pré-época, que o clube deve consolidar a presença nos lugares cimeiros e não “fazer uma época boa” e, depois, uma má.
O emblema minhoto não consegue dois apuramentos europeus consecutivos precisamente desde a época 1995/96, e o presidente do clube, Júlio Mendes, avançou, depois da apresentação do plantel, que, para a nova época, houve uma “capacidade de investimento” que permitiu estabilizar o coletivo pretendido.
Pedro Martins vai orientar a equipa pelo segundo ano seguido e conta, para já, com um plantel de 28 jogadores, que inclui, por ora, três reforços – os médios Francisco Ramos (ex-FC Porto B) e Rúben Oliveira (ex-Feirense) e o avançado Oscar Estupiñán (ex-Once Caldas, da Colômbia).
O grupo acolhe também nove jogadores promovidos da equipa B, que milita na II Liga – Miguel Oliveira, Sacko, Marcos Valente, Vigário, Joseph, Kiko, Hélder Ferreira e Xande Silva.
Entre os 16 jogadores que permaneceram, o Vitória teve de negociar o regresso dos três ‘emprestados’ na época passada – os médios Celis e Hurtado, a título definitivo, e o defesa Pedro Henrique, o futebolista com mais minutos em 2016/17 (3.630), em moldes não divulgados.
Os vimaranenses, contudo, perderam três dos 10 elementos mais utilizados na temporada anterior – o lateral-direito Bruno Gaspar, vendido à Fiorentina, da I Liga italiana, e os avançados Hernâni e Marega, que regressaram ao FC Porto, após concluído o período de empréstimo.
O presidente do clube também já admitiu que os “plantéis nunca estão fechados até que o mercado encerre”, podendo entrar e sair jogadores até 31 de agosto.
Pedro Martins deve, na fase inicial da época, apostar num sistema tático 4x2x3x1, semelhante ao de grande parte da época passada, e, pelo menos, em parte do ‘onze’ que derrotou o Sporting, por 3-0, num jogo particular, em Rio Maior, nomeadamente no meio-campo (Celis, Zungu e Hurtado) e no ataque (Raphinha, Hélder Ferreira e Estupiñán).

Vitória já iniciou temporada, com a disputa da supertaça, focando-se agora no campeonato. (Foto: Facebook)

Rio Ave Futebol Clube

Por fim, mas não menos importante, o Rio Ave. Os vilacondenses enfrentam a liga com ambição renovada para lutar pela qualificação europeia, depois de terminar a temporada passada no sétimo lugar, ‘às portas’ da Liga Europa.
Com a ambição de não “morrer na praia”, o conjunto nortenho passou por uma significativa reestruturação, investindo num novo técnico ao “leme” de uma equipa que está a ser reconstruída, após perder preponderantes jogadores da época passada.
Miguel Cardoso vai estrear-se como treinador principal de uma formação em Portugal, depois de ter coadjuvado Paulo Fonseca nos ucranianos do Shakhtar Donetsk, sucedendo a Luís Castro, que preferiu não continuar nos Arcos e rumou ao Desportivo de Chaves.
O trabalho do novo treinador do clube da foz do Ave passa, nesta fase inicial, por dar novas rotinas a uma equipa que perdeu seis dos seus jogadores mais utilizados da época passada: Rafa Soares, Roderick, Petrovic, Krovinovic, Heldon e Gil Dias.
Apesar de manter, por enquanto, a base mais experiente do grupo, com nomes como Cássio, Marcelo, Lionn e Tarantini, os novos jogadores contratados parecem ainda carecer de rodagem de I Liga.
Além do central brasileiro Marcão e do médio colombiano Barreto, que vieram dos principais campeonatos dos seus países e ainda estão em fase de adaptação, os jovens Nuno Santos, Yuri Ribeiro e Pelé, vindos do Benfica, e Francisco Geraldes, cedido pelo Sporting, terão ainda um caminho de experiência a fazer.
Também em fase de adaptação estará o jovem avançado brasileiro Gabrielzinho, que foi a contratação mais cara da história do clube [800 mil euros] e que chegou aos Arcos pela mão do agente Jorge Mendes.
O orçamento da nova temporada ainda não divulgado, mas deverá superar os habituais seis milhões de euros, uma vez que o clube fez importantes encaixes financeiros esta temporada, com as vendas de Roderick e Krovinovic, além da verba recebida pela transferência do guarda-redes Ederson, do Benfica para o Manchester City.
Será, por isso, um Rio Ave com cofres cheios, mas ainda com uma equipa a precisar de investimento para poder concretizar as suas ambições, que vai arrancar a sua prestação nesta edição da Liga NOS.

Rio Ave sonha com a europa depois de reestruturação técnica e de plantel. (Foto: Facebook)

Quatro clubes com a mesma ambição

Em suma, quatro clubes, com um denominador comum: a Europa. Um palco cada vez mais apetecível, angariador de prestígio para o clube e sobretudo, captador de investimento e “receitas extra”, que muito ajudam o clube a atingirem as suas metas e respectivos projectos. Por isso, mãos à obra, candidatos, porque mais do que ser considerado candidato a algo, importa trabalhar para justificar esse estatuto.


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