17 Ago, 2017

Futebol Feminino: o caminho faz-se caminhando

Milene RamosMarço 5, 20173min0

Futebol Feminino: o caminho faz-se caminhando

Milene RamosMarço 5, 20173min0

Quantas vezes na infância ouvimos que o “futebol é só para rapazes”, ou uma menina é apelidada de “Maria Rapaz” por estar a fazer aquilo que mais gosta? São estes e outros obstáculos que o Futebol Feminino em Portugal tem vindo a ultrapassar.

Felizmente, cada vez mais saem notícias de jogadoras portuguesas a “dar cartas” no estrangeiro, dos resultados (impensáveis até há bem pouco tempo) da Selecção Nacional Feminina, e do percurso de equipas portuguesas na Champions League, mesmo com pouco recursos. Hoje em dia, os campeonatos referentes ao Futebol Feminino (Liga Allianz e Campeonato de Promoção) são noticiados, e as jogadoras são cada vez mais premiadas. Isto tudo deve-se ao esforço dos clubes e das jogadoras, que por vezes ainda pagam para poderem treinar, e que abdicam do tempo em família e dos amigos, em prol de uma paixão.

Esta época, o Futebol Feminino está a ter mais visibilidade, visto que o Sporting Clube de Braga e o Sporting Clube Portugal entraram directamente na 1ª Divisão, intitulada de Liga Allianz. Com o reaparecimento destes clubes, surgiu mais interesse e curiosidade dos media. Os jornais, a televisão e as redes sociais começaram a transmitir mais notícias acerca do Futebol Feminino. Com este acontecimento histórico foi possível atrair mais jogadoras (portuguesas e estrangeiras) que actuavam em ligas mais competitivas.

No passado dia 25 de Fevereiro, surgiu mais um marco na história do Futebol Feminino em Portugal. Realizou-se o jogo Sporting Clube Portugal vs Sporting Clube Braga no Estádio de José de Alvalade, referente à 18ª jornada. Num encontro entre as duas equipas que lutam actualmente pelo 1º lugar, a vitória recaiu para as ‘leoas’ ao minuto 93′, com um golo de penalti marcado pela capitã, Solange Carvalhas. Para além deste jogo histórico, outro recorde caiu, o do número de assistências. 9263 espectadores! Leu bem, 9263! Algo impensável há uns anos atrás!

Nos dias que correm, tem ocorrido um aumento do número de praticantes. Porém, ainda muito longe dos números que se praticam na Alemanha ou Espanha. Num universo próximo dos 150.000 atletas inscritos na FPF, praticam Futebol Feminino cerca de 2000 jogadoras. Estes factos fazem-nos pensar… Como recrutar mais jogadoras?

Pois bem, na “nascente”, ou seja, na Escola, nomeadamente no Desporto Escolar, uma vez que é aqui que as meninas começam a ter o primeiro contacto com a bola. Após este passo, devia existir uma articulação entre os clubes e as escolas criando clubes de escolas. E por fim a detecção de talentos.

Devia ser proporcionado um maior incentivo à formação de clubes para a criação de equipas femininas. Deviam ser organizados encontros pontuais para a prática desportiva. Até ao escalão de sub-15, não existem escalões de formação femininos, as meninas que queiram competir, têm de jogar com os meninos, criando por vezes constrangimentos e até afastamentos da modalidade. Porém, há Associações de Futebol que organizam campeonatos distritais de futebol 7. Não será importante todas as Associações de Futebol organizarem este tipo de campeonatos?

É de uma extrema importância, organizar encontros periódicos de pequenas competições informais de escalões mais jovens (isto se as Associações de Futebol não conseguirem organizar campeonatos por falta de equipas); devemos combater ainda os constrangimentos existentes, que desvalorizam o Futebol Feminino e dificultam assim o acesso das mulheres ao Desporto.

O Futebol Feminino está em clara expansão e independentemente das dificuldades, tem-se feito tanto com tão pouco. Consegue imaginar o que podemos atingir se melhorarmos as estratégias, ideias e vontades?

“O caminho faz-se caminhando…”


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter