18 Dez, 2017

Couceiro e Vitória FC: Um “namoro” perfeito?

Francisco IsaacSetembro 5, 20166min0

Couceiro e Vitória FC: Um “namoro” perfeito?

Francisco IsaacSetembro 5, 20166min0

Ao fim do mês de Agosto, o Vitória FC está entre os primeiros classificados da Liga portuguesa. Um bom arranque de campeonato, com um futebol de qualidade, retirando a equipa dos sadinos da triste realidade dos últimos anos. Mas estas segundas núpcias têm futuro?

Recuemos, antes de mais, a 2004/2005 quando o Vitória de Setúbal decidiu bater o “pé” ao Sporting e lutar, até Fevereiro de 2005, pelos 6 melhores formações da 1ª Liga Portuguesa. Numa época em que os sadinos levantaram a Taça de Portugal, houve um protagonista que assumiu um papel preponderante, senão fundamental, para esse desfecho final, apesar da saída precoce: José Couceiro. O treinador português assumiu em Fevereiro de 2005 o FC Porto naquilo que foi uma passagem fugaz pelo Dragão.

Quase dez anos passaram para que Couceiro e o Vitória FC (apelidado de Vitória de Setúbal) voltassem a juntar “forças” e embarcassem numa nova “viagem” pela Liga NOS. Como em 2004/2005, a equipa de Setúbal somou 7 pontos (vitória frente ao Penafiel e Sporting, empate com o Boavista), os sadinos arrancaram um ponto num dos campos mais inexpugnáveis do campeonato português, a Luz, derrotando o eterno rival CF “Os Belenenses” e o “europeu” Arouca. Mas há alguma coisa de especial neste Vitória? É verdade que a maioria dos adeptos (sejam dos ditos Grandes ou não) estão “apaixonados” pelo futebol do Vitória SC/Guimarães, com aquele caótico mas belo 5-3 frente ao Paços de Ferreira.

Os vimaranenses seguem com 6 pontos atrás do “inimigo” SC Braga e do Vitória FC. Mas, para já, tem sido o futebol eficaz, bem delineado e carismático do Setúbal que recebe uma olhar mais sério pela parte do Fair Play. Em 2014/2015, a equipa de Setúbal somou 5 pontos no arranque do campeonato, naquele que foi uma das temporadas mais complicadas dos últimos anos, já que só na penúltima jornada foram salvos pelo “gongo”. Todavia, o futebol era bastante diferente do que estamos a ver agora: a timidez foi substituída com ousadia; o futebol sem ideias e “primitivo” deixou de existir para entrar na lógica do risco e de um jogo de velocidade; e, ao contrário do que vinha a ser hábito de José Couceiro, o risco entrou na jogada dos sadinos. No jogo da Luz, a sorte foi “irmã” de José Couceiro, que viu os avançados do SL Benfica a não conseguirem marcar mais com um golo a Bruno Varela e com um dos únicos remates dirigidos à baliza de Júlio César a acabar em golo para Frederico Venâncio.

Mas o capítulo Luz foi na 2ª jornada, tendo o 1º sido em casa frente ao CF “Os Belenenses” com uma vitória categórica frente aos azuis do Restelo. Nesse encontro ficaram alguns pormenores na retina: em 1º lugar o facto de ter sido um jogo em que ambas equipas titulares apresentaram 20 jogadores portugueses, um verdadeiro acontecimento para o futebol português e, melhor que tudo, uma boa notícia para os habituais críticos do futebol nacional (que não deixam de ter razões ou motivos para apontar esse problema inerente à 1ª Liga portuguesa). A equipa de José Couceiro derrotou o esquema ousado e de contra-ataque “venenoso” de Júlio Velázquez, com Bonilha e Fábio Pacheco a “asfixiarem” as investidas de Miguel Rosa (jogo pouco capaz de um dos atletas mais “antigos” da equipa do Restelo) ou de João Palhinha. Em abono da verdade, a dupla Camará e Benny não conseguiram passar na sólida barreira montada por Vasco Fernandes e Frederico Venâncio. Este último tem sido uma das agradáveis confirmações da equipa sadina, que desde da época 2012-2013 já somou quase 100 jogos pela equipa principal, isto com apenas 23 anos.O central entra bem na lógica de jogo que José Couceiro quer e está a impor em Setúbal, com boas saídas com a bola nos pés, jogo aéreo forte e um misto de poder físico q.b. com uma técnica interessante. É, para já, uma das figuras do Setúbal 16/17.

Venâncio nas alturas (Foto: Lusa)
Venâncio nas alturas (Foto: Lusa)

Passado o jogo contra o Belenenses (vitória por 2-0, com golos de André Claro e do próprio Frederico Venâncio), seguiu-se a visita à Luz e, por fim, a recepção ao breve europeu Arouca de Lito Vidigal. Como tem vindo a ser costume, as equipas coqueluche de uma temporada, acabem por ser “vítimas” do próprio sucesso… o Arouca de Vidigal, tem tido um início de temporada para “esquecer” com uma só vitória em 5 jogos (3 para o campeonato e 2 para a Liga Europa, excluindo os jogos de apuramento para a 2ª competição de clubes da UEFA), tendo uma dessas derrotas sido frente ao Arouca. No Bonfim a equipa de José Couceiro anulou, por completo, o futebol de “agressão” (no sentido de poder físico e jogo táctico fechado), raça e de oportunidade, com Mikel Agu (emprestado pelo FC Porto), Venâncio (mais uma vez), André Claro (dois golos desde o início de época) e Costinha. O esquema táctico de José Couceiro assenta num 4x2x3x1, onde o meio-campo com um duplo pivot procura “asfixiar” e fornecer bola para um trio de apoio a André Claro, composto por Costinha, Zé Manuel e João Amaral (veio do Pedras Rubras do CNS).

Os três encontraram uma harmonia total que para já tem garantido excelentes resultados, com uma boa pressão sobre a defesa contrária, com um sentido de risco bem trabalho e uma excelente noção de espaço. É uma estratégia que, para já, resulta e traz pontos preciosos na luta pela manutenção… Será que estas “segundas núpcias” decorrerão sempre no mesmo tom, com uma paixão sadina em força e carregada de boas notícias ou a lua de mel terminará e o Vitória voltará a cair no “poço” classificativo? Para já estão no top-5 da liga e a par do outro Vitória ou do Boavista (a partir do 6º lugar há um fosso de qualidade de grandes proporções) são das equipas que têm empolgado os adeptos da Liga NOS. Para já as desilusões da 1ª Liga estão a cabo do Nacional da Madeira (várias questões relativas à política de transferências) e Estoril-Praia (Fabiano Soares parece ser o homem errado para o futuro do clube) com o Tondela a ir em busca de uma improvável salvação.

Feste do Sado (Foto: MÁRIO CRUZ/LUSA)
Festa do Sado (Foto: MÁRIO CRUZ/LUSA)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Posts recentes



Newsletter


Categorias


newsletter