21 Nov, 2017

SL Benfica – O Mercador da Luz

Pedro AfonsoJaneiro 30, 20175min0

SL Benfica – O Mercador da Luz

Pedro AfonsoJaneiro 30, 20175min0

Gonçalo Guedes foi o mais recente triunfo do Mercantilismo que a SAD do SL Benfica entende como sendo essencial para a manutenção da estrutura do clube, de um ponto de vista financeiro. Um modelo de negócios alicerçado na criação de jovens valores que pouco ou nada trazem ao Benfica, de um ponto de vista desportivo. Qual o futuro do plantel encarnado?

Nos últimos 4 anos, a Academia do Seixal trouxe para o Mundo do Futebol alguns dos maiores diamantes, uns mais em bruto do que outros, que o futebol português tem para oferecer. A aliar aos grandes plantéis aos quais a estrutura benfiquista nos tem habituado, que começaram a ser construídos no início do trabalho de Jorge Jesus na Luz, a abundância de opções de futuro nas hostes encarnadas traz uma sensação de confiança no futuro a qualquer adepto benfiquista. Ou pelo menos, trazia. Ao contrário daquilo que Luís Filipe Vieira tem vindo a lançar para a comunicação social, em declarações quase proféticas de uma “nova espinha dorsal da Selecção Nacional”, de apostas em jovens da casa, com a mística benfiquista, parece cada vez mais claro que o intuito da Academia não é criar condições de auto-sustentabilidade para o projeto do futebol do Benfica. Tornou-se, verdadeiramente, uma máquina da produção em série, em busca da próxima estrela para vender pelos maiores valores possíveis, novamente investidos em jogadores das mais variadas proveniências, por razões que, de quando em vez, me ultrapassam.

A “fábrica” de pérolas [Fonte: SLBenfica]
 

Desengane-se quem pensa que pertenço à nova vaga de afectos à Formação Benfiquista, tratando cada novo jogador como o próximo Eusébio. Penso que é claro que, qualquer clube que pretenda ter sucesso, necessita de se reforçar convenientemente com os jogadores que aparentem ter mais qualidade, que possam assumir-se como apostas de presente e não esperanças de um futuro risonho. As compras de Mitroglou, Rafa, Cervi e Zivkovic demonstram esta necessidade de um plantel se rodear da maior qualidade possível, não obstante a qualidade presente nos plantéis secundários encarnados, com Gonçalo Guedes, João Carvalho, Pedro Rodrigues, entre outros. Contudo, não nego que um plantel deve compor-se de apostas de futuro, da “casa”, que transmitam algo, um espírito, um sentimento, que muitos “estrangeiros” são incapazes de transportar em si.

Olhando para os últimos 20 anos, apenas me consigo recordar de dois jogadores que personifiquem a mística Benfiquista perante os adeptos: Rui Costa e Simão. Dois senhores do futebol, que qualquer adepto não irá esquecer, não só pela sua qualidade, mas por tudo aquilo que representavam para o adepto, pela personificação da Mística Encarnada, pela continuação do adepto no campo, na forma de jogador. E quem personifica esta Mística agora? Curiosamente, a meu ver, parece-me que o expoente máximo de Benfiquismo se concentra em Samaris, um jogador que se fez “Benfica”.

A despedida do “Maestro”, o último dos “nossos” [Fonte: Globo Esportes]
 

Desportivamente, é-me difícil encontrar explicações para a única afirmação da cantera Benfiquista ser Renato Sanches, que apenas passou meia-época no plantel principal da Luz, tendo sido logo vendido para o colosso Bávaro de Munique. Uma análise cuidada aos “craques” que saíram da Luz nos últimos anos mostra-nos um conjunto de negócios financeiramente discutíveis e desportivamente ruinosos:

  • Bernardo Silva, o príncipe monegasco, que abandonou o Benfica após o seu talento ser ignorado por Jorge Jesus, em 2014. 15M€ justificaram a perda de um talento raríssimo.
  • André Gomes, o pretenso herdeiro de Xavi, que, após duas épocas em Valência foi o escolhido para reforçar o meio-campo blaugrana. 15M€ voltaram a justificar a perda de uma enorme promessa.
  • João Cancelo, lateral atualmente no Valência, com passagem agendada para Barcelona no final da época, vendido por mais 15M€.

Nunca contou para o “Potenciador”, agora espalha magia no Principado [Fonte: Mais Futebol]
 

E o passado recente não se mostrou bom conselheiro para LFV, que parece continuar nesta senda de enfraquecimento do futuro encarnado, com as saídas confirmadas de Gonçalo Guedes e Hélder Costa, bem como as inúmeras sondagens por Lindelof, Nélson Semedo e Ederson.

Para além do claudicar de um futuro assegurado por uma estrutura que traz novos valores, a preços baixos, com a vantagem de uma formatação para um modelo de um clube, o clube perde referências de benfiquismo, jogadores que carreguem a mística, criando um vazio que as bancadas buscam procurar com craques que, tantas vezes, não compreendem o amor que o adepto sente pelo intérprete, como foi o caso de Enzo Pérez. O futebol é, mais que nunca, um negócio, contudo não podemos negar aos adeptos a oportunidade de ver em campo “um dos seus”, a oportunidade de ver miúdos crescer com a águia ao peito, que irá ser a sua segunda casa. Talvez seja utópico e um pouco romântico, mas fazem falta mais Guedes, mais Bernardos e mais Renatos ao Benfica.


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