17 Dez, 2017

SL Benfica 2016/2017 – Antevisão

Nélson SilvaAgosto 13, 20169min1

SL Benfica 2016/2017 – Antevisão

Nélson SilvaAgosto 13, 20169min1

Na melhor fase dos últimos anos, o Benfica avança para a temporada 2016/2017 embalado pelo tricampeonato e tentará agora um feito inédito – o “tetra”. Rui Vitória mantém-se no comando, com a serenidade que se lhe reconhece, mesmo após a saída de Nico Gaitán e Renato Sanches. Os encarnados não se deixaram adormecer, agitaram o mercado e as soluções são agora tantas que nem todos podem ficar. Transferências, pré-época e tudo sobre a nova época, num voo sobre aquilo que se pode esperar deste Benfica 16/17.

Transferências

Entradas: André Carrillo (Sporting), Franco Cervi (Rosario Central), André Horta (V. Setúbal), Mitroglou (Fulham), Kalaica (Dínamo de Zagreb), Guillermo Celis (Junior Barranquilla), Óscar Benítez (Lanús), Andrija Zivkovic (Partizan de Belgrado) e Danilo Barbosa (Braga – emp).

Saídas: Bebé (Eibar), Renato Sanches (Bayern de Munique), Nico Gaitán (Atlético de Madrid), Cristante (Pescara – emp), Victor Andrade (TSV Munique – emp), Nuno Santos (V. Setúbal – emp), Candeias (Alanyaspor – emp), Derley (Chiapas – emp), César (Nacional – emp), Mukhtar (Brondby – emp), Djuricic (Sampdoria – emp), Hélder Costa (Wolverhampton – emp), Ola John (Toulouse – emp) e Luis Fariña (Asteras Tripolis – emp).

Pré-época | Perfil

Com altos e baixos, a pré-época das águias fica marcada pelas várias experiências de Rui Vitória, principalmente para colmatar as saídas de Gaitán para o Atlético de Madrid e Renato Sanches para o Bayern de Munique. O momento alto terá sido mesmo o jogo frente ao Wolfsburgo, em que já apareceu Jonas e companhia para se juntarem ao “sangue novo” que chegara aos encarnados. Já em modo oficial, o Benfica superiorizou-se ao Braga na Supertaça por 3-0 e os adeptos puderam verificar que a eficácia transitou da época anterior.

Daquilo que os encarnados mostraram ao longo da pré-temporada, saltam à vista alguns pontos importantes. Seja com Júlio César ou Ederson, a segurança na baliza não é problema. Na defesa, Luisão deixa claras as dificuldades em liderar a defesa como já conseguiu noutros tempos. Os tempos mudaram mesmo de tal maneira que agora é Lindelof o dono e senhor do lugar a central, faltando apenas saber se será Jardel ou Lisandro quem melhor companhia faz ao sueco. Jardel fez uma grande época, é “certinho” a defender, mas a bola nos pés não é de todo o seu forte. Já Lisandro é “bom de bola”, mais agressivo, embora apenas uma aposta mais frequente como aconteceu em certo momento da época passada podem garantir o ritmo necessário para o argentino singrar de águia ao peito. Sem falhas de concentração, é candidato sério ao lugar. Kalaica é claramente uma opção de futuro, pois pouco tempo jogou. Nas alas, Rui Vitória lançou os seus suplentes da temporada passada e ganhou poder ofensivo, mas há que ter em conta o processo defensivo. Grimaldo ganhou pontos perante a chegada tardia de Eliseu, é forte no drible e pode muito bem tirar o lugar ao português. Falta, tal como a Nélson Semedo, maior acerto na defesa. Semedo já havia sido a sensação do início da temporada passada, mas a lesão ao serviço da seleção hipotecou as suas hipóteses de voltar ao onze, perante o acerto de André Almeida no seu lugar. Esta será uma boa dor de cabeça para Vitória e será interessante ver quem fica com o lugar.

No miolo está aos olhos de todos que Fejsa é o dono e senhor do meio campo defensivo, Samaris está muito longe de conseguir bater-se com o sérvio e o reforço Celis mostrou também dificuldades de adaptação. Para o pesado lugar de nº 8 chegou o menino da casa André Horta, que agarrou o lugar e deixou boas indicações, embora em alguns jogos também tenha pecado no capítulo do passe. Falta ver se Danilo Barbosa rouba o lugar ao português, o médio emprestado pelo Braga e ex-Valencia chegou e desde logo assumiu que quer ocupar essa posição. Talento não lhe falta, mas terá de esperar pela sua oportunidade e agarrá-la com unhas e dentes. A dar largura, Cervi chegou e desde logo encantou, foi figura na Supertaça e parece estar encontrado o novo Gaitán, embora ainda seja cedo para lhe atribuir tal rótulo. São vários os extremos que o Benfica fez chegar e alguém vai ter de sair. Pizzi disse “presente” na Supertaça e entre Salvio, Carrillo, Benitez, Zivkovic alguém terá de sair. Para além de que Gonçalo Guedes voltou a dar boas indicações e provavelmente ficará no plantel, até pela versatilidade entre jogar na ala ou na dupla mais ofensiva com um dos pontas-de-lança.

No ataque é novamente “Jonas e outro”, seja ele Mitroglou ou Jiménez. Independentemente do que custou o mexicano, é Jonas que, com o 10 às costas, terá o lugar cativo. O grego parte na linha da frente por toda a preponderância na época passada, mas Jiménez entra sempre com a corda toda e quer justificar o preço que os encarnados pagaram pelo seu passe. Também aqui há muito que se lhe diga, Jovic está longe de estar contente com a falta de oportunidades, para já não falar de Saponjic que apenas atua pela equipa B.

Foto: slbenfica.pt
Foto: slbenfica.pt

Jogador-Chave

Como não podia deixar de ser, vincando a sua importância até com a passagem do mítico nº 10 para as suas costas, Jonas é a figura de proa deste Benfica. Mal o brasileiro entrou em campo nos jogos de pré-época e o caso mudou de figura. Trata a bola como poucos, faz o elo de ligação entre o meio campo e o ataque como ninguém. Jonas é classe, é experiência e sobretudo, o essencial – golos. Pólvora não falta ao maior artilheiro do campeonato transato, que por várias vezes desmonta as defensivas e também assiste os companheiros. Sentirá a falta de Gaitán? Duvida-se, pela forma como Cervi entrou no onze e pela qualidade que ainda resta no banco. A grande dúvida estará no box-to-box, mas o brasileiro estará preparado para apoiar o novo dono do lugar, seja ele Danilo Barbosa ou André Horta. Jonas está de corpo e alma no Benfica, é o ídolo principal da massa associativa benfiquista e nem os milhões da China convenceram o “matador” a deixar o clube onde exprime a sua felicidade. Faz 2 anos que o Benfica resgatou, a custo zero, aquele que agora escreve uma página de história no clube, com golos para todos os gostos e um tal rejuvenescimento que o levou de volta à seleção canarinha.

Foto: MaisFutebol
Foto: MaisFutebol

Jovem Jogador a seguir

A aposta nos jovens por parte de Rui Vitória marca a tão desejada missão de aproveitar os talentos do Caixa Futebol Campus e é mesmo dessa formação que chega a nova atração apontada ao onze – André Horta, que ainda júnior rumou do Benfica para o Vitória de Setúbal, regressa à casa para a oportunidade que tanto desejara para a sua vida. Entrega não faltará, foram evidentes as lágrimas de alegria no jogo da Supertaça, o Benfica está-lhe na pele até por uma tatuagem que o próprio fez com o ano de fundação do clube. A nível físico e tático, André é um jogador bem diferente de Renato Sanches. Há muito trabalho pela frente, o médio precisa de ganhar essencialmente poder de choque, algo que não faltava com a robustez de Sanches. André Horta tem no passe um dos seus pontos mais fortes, mas é também preciso ultrapassar a ansiedade que o levou a cometer alguns erros na pré-época. Bom no drible, não se esquece também das tarefas defensivas e é, tal como era Renato, um jogador que não dá uma bola como perdida. A grande dúvida é se o jovem seguirá firme no onze perante a concorrência de Danilo Barbosa, que vem para o seu lugar e cuja valia é também inquestionável. É mais uma das várias lutas interessantes por um lugar no onze, sendo que Danilo chegou mais tarde e André Horta deve continuar a agarrar o lugar no onze nas primeiras partidas.

Foto: MaisFutebol
Foto: MaisFutebol

Expectativas

O Benfica quer cimentar uma hegemonia que há muito não era vista no campeonato português. O tetracampeonato é o feito inédito que Luís Filipe Vieira tanto ansia, agora que conseguiu terminar com a hegemonia de um FC Porto irreconhecível pelos 3 anos consecutivos sem vencer qualquer competição. Não obstante, os portistas são sempre sérios candidatos e as duas vitórias frente ao Benfica na época passada demonstram que há muito que se lhe diga neste campeonato. O Sporting, a manter os melhores jogadores do plantel, é à primeira vista o rival mais forte na corrida ao título. Cabe ao Benfica demonstrar a regularidade que apresentou na segunda metade da época anterior e tentar apostar na revalidação do título, nunca esquecendo a glória europeia. Não esquecer que este Benfica traçou finalmente um percurso notável na última Liga dos Campeões, naquela que foi mais uma grande montra para os craques do plantel e um verdadeiro “abono” para os cofres encarnados como há alguns anos não se via.

Foto: MaisFutebol
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