23 Nov, 2017

O que fazer quando se ganha tudo?

Rui MesquitaJunho 12, 20175min0

O que fazer quando se ganha tudo?

Rui MesquitaJunho 12, 20175min0

A época chegou ao fim e o Benfica sagrou-se tetracampeão pela primeira vez na sua História. E fê-lo, estatisticamente, de forma categórica: 6 pontos de vantagem sobre o 2º classificado, melhor ataque da Liga NOS (72 golos marcados), melhor defesa (18 golos sofridos) e tudo isto com uma avalanche de lesões durante toda a época.

Há que tirar o chapéu a Rui Vitória pela plasticidade tática e por manter o plantel unido durante estes dois anos. E tirar o mesmo chapéu a Luís Filipe Vieira por, com dois treinadores diferentes e saídas importantes, tornar o Benfica num clube vencedor. Nestes 4 anos o clube da Luz conquistou, a um FC Porto em decadência, a hegemonia do futebol português muito graças a estes dois homens.

E o que fazer agora?

A solução ideal é simples: não vender os melhores jogadores que a equipa tem, reforçar posições carentes de soluções e atacar o penta. Infelizmente, do ponto de vista financeiro, esta opção não se mostra possível: Ederson no Manchester City, Lindelof praticamente em Manchester mas nos Red Devils e no horizonte vê-se Rui Vitória a remendar um plantel e um modelo de jogo para lutar pelo já referido penta.

A despedida [Foto: Lusa]
 

Mas apesar da hegemonia é unânime que, apesar de ganhador, o futebol do Benfica foi pobre e mostrou-se, inúmeras vezes, sem soluções. Para além das 2 derrotas e 7 empates, o Benfica venceu 8 jogos pela margem mínima num campeonato com uma gritante discrepância entre os “grandes” e os “pequenos”.

Porém, mais do que os números, sobressaem as limitações na construção, andando Pizzi sozinho a tentar carregar os pianos da equipa. Há ainda a questão da falta de soluções ofensivas (nenhum dos 4 extremos usados se mostrou uma solução sólida ou eficaz) e ainda o peso da ausência de Jonas no 11. Sobressai a discrepância entre um futebol com Pizzi e sem ele (como ficou patente na eliminação da Taça da Liga caindo por terra o mito de o Benfica ter duas equipas altamente competitivas). Sobressai a passividade do futebol encarnado e falta de brilho que os adeptos desejam e exigem.

Partindo do princípio que Luís Filipe Vieira irá vender (para além do guarda-redes brasileiro), a solução não pode passar por voltar a remendar o plantel, o que significa limitá-lo. A solução tem que passar pela reinvenção do futebol de Rui Vitória, pela criação de uma identidade, de uma ideia e adaptar o plantel e cada jogador a essa ideia e não o contrário. Como o próprio Rui Vitória disse na sua mais recente entrevista: “Há espaço para a evolução (…) Estamos a pensar em algumas mudanças táticas e forma de jogar.”, é precisamente isso que é preciso: evolução e mudança.

O motor da mudança [Foto: Record]

A verdadeira solução

É altura de mudar de mentalidade, de passar de jogar como o plantel deixa para jogar como o treinador quer exigindo mais de cada atleta para que se encaixe na ideologia do mister. É o momento de deixar de se jogar com dois avançados porque Jonas o exige e exigir do brasileiro o que se precisa para um modelo “ideal” na cabeça de Rui Vitória, entre outros exemplos.

Rui Vitória tem que definir o que quer na construção já que deixar Pizzi sozinho não pode ser solução por esconder e desperdiçar o talento e a magia do transmontano. O timoneiro dos encarnados tem que definir o que quer de Jonas: se um terceiro médio ajudando Pizzi na construção (sempre a construção!) se um segundo avançado para marcar golos. Rui Vitória tem que definir o que quer de cada extremo: se dois desequilibradores se um médio interior (como um Pizzi de outros tempos). E Rui Vitória tem forçosamente que diversificar as soluções ofensivas dos encarnados e mostrar que é treinador para competir com os melhores (como fará na Champions).

Um génio escondido [Foto: SICNotícias]
 

Foi precisamente ao nível da construção que o futebol desta época mais pecou. Pizzi é um jogador fenomenal (o melhor do nosso campeonato a par de Jonas) mas ficar encarregue de queimar linhas sozinho é injusto para o médio e insuficiente para o futebol encarnado. E é, por isso, na construção que Rui Vitória terá que se reinventar mais para dar estabilidade e capacidade a essa fase do jogo.

A resposta ao que fazer quando se ganha tudo é essa! Melhora-se o futebol, cria-se uma identidade e faz-se tudo (direção, jogadores, adeptos) girar à volta dela, dando à Águia novos e maiores voos!

A nova pergunta que fica no ar é: será Rui Vitória capaz de o fazer? Só a próxima época e o treinador campeão poderão responder a isto, mas que está na altura de tanto Rui Vitória como o Benfica subirem ao próximo nível? Isso está!


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