25 Set, 2017

O Mercado dos Três “Reis” – SL Benfica

Fair PlayDezembro 30, 20167min0

O Mercado dos Três “Reis” – SL Benfica

Fair PlayDezembro 30, 20167min0

SL Benfica, FC Porto e Sporting CP chegam ao mercado de Inverno com algumas dúvidas nos seus plantéis. Com necessidades diferentes e sectores a afinar, os ditos Três Grandes procuram reforços nesta “janela” de Mercado. Uma análise e proposta do Fair Play, desta feita em relação ao tri-campeão SL Benfica.

Nota: o artigo em questão foi escrito por cinco autores diferentes que têm seguido a época de cada um dos clubes aqui destacados. Sporting CP com José Duarte e Bruno Dias; FC Porto pela “mão” de Francisco da Silva e Francisco Isaac, com conselhos de Diogo Alves; e SL Benfica por Pedro Afonso.

SL Benfica

(por Pedro Afonso)

Será talvez desonesto afirmar que o plantel encarnado necessita de reforços. Para todas as posições, existem alternativas viáveis que asseguram a profundidade necessária para as competições em que o Benfica se encontra envolvido. Foi um ano de grandes reforços para as hostes vermelhas-e-brancas, e as compras de Rafa, Mitroglou, Zivkovic, Carrillo e Cervi pesaram na carteira benfiquista. O que não significa que seja um plantel perfeito, muito pelo contrário!

Talvez a maior das lacunas do plantel da Luz se situe bem no centro do terreno, onde Pizzi tem sido Rei. Creio que se poderá afirmar que a posição número 8 no esquema de Rui Vitória se encontra órfã desde a saída de Renato Sanches, não pela falta de qualidade, mas sim pela falta de jogadores com características semelhantes às do Golden Boy.

Poderão argumentar, e com o seu quê de razão, que Pizzi se assumiu como o Maestro do meio-campo Benfiquista, no entanto é patente em jogos de maior equilíbrio e com maiores exigências de disputa de meio-campo, que Pizzi é curto para arcar com as despesas ofensivas e defensivas do miolo. Até pelas suas características mais tecnicistas, Pizzi está longe de ser o motor de força e explosão que foram Renato, Ramires ou Enzo, acabando por perder alguma da sua influência no jogo ofensivo benfiquista onde, na época passada e em parceria com Jonas e Gaitan, era obreiro do magnífico carrossel encarnado.

Foto: Goal.com

Se Danilo não conta para Rui Vitória, ou pelo menos não tem aproveitado as oportunidades que o técnico ribatejano lhe dá, e Samaris passa uma crise de identidade, não sendo um substituto à altura de Fejsa nem um jogador suficientemente inteligente para jogar no lugar de Pizzi, sobra André Horta que, apesar da sua raça, não tem o corpo nem a disponibilidade física para a alta rotação do modelo de Rui Vitória.

E é aqui que surge Felipe Gutiérrez, chileno de 26 anos que milita atualmente no Real Bétis, 14º classificado da Liga BBVA. Chegado à Europa na época de 2012/2013 para atuar na Eredivisie ao serviço do FC Twente, a troco de 2.80M€, Gutiérrez foi-se assumindo como um médio de Combate, um Box-to-Box, aliando à sua excelente capacidade técnica uma disponibilidade física invejável. Após 4 épocas no conjunto holandês, Gutiérrez deu o salto para a Liga BBVA, onde já participou em 14 jogos e contribuiu com 1 golo.

Com Gutiérrez, o plantel de Rui Vitória passaria a dispor de uma panóplia de médios-centro com variadas características, permitindo uma gestão mais harmoniosa da posição entre as várias partidas, ora pautando o jogo com a classe de Pizzi, ora queimando linhas e disputando bolas com a força de Gutiérrez.

Com um valor de mercado de 4M€ e o seu clube a lutar por um lugar a meio da tabela na Liga BBVA, Gutiérrez não deveria ter problemas em trocar a cidade de Sevilha pela capital portuguesa, permitindo também ao clube benfiquista um jogador feito, sem grandes pontos de interrogação, por um valor acessível para um clube de oitavos-de-final da Champions League.

Continuando na senda das melhorias táticas, a possível venda de Lindelof para o Manchester United representa uma perda forte no plantel Benfiquista.

Não obstante a péssima forma do sueco, não será por acaso que Mourinho estará disposto a bater os 45M de euros para poder contar com os serviços do “Iceman”. E a grande valia de Victor Lindelof prende-se com a sua superior capacidade de jogar com bola no pé. O futebol moderno não se pode dar ao luxo de ter jogadores que não saibam defender e atacar com bola no pé e a posição de defesa central é um dos últimos bastiões da imutabilidade que irá, com certeza, cair num futuro próximo.

Lindelof representa o defesa central do futuro, capaz de defender sem uma agressividade acima da média, fazendo uso da sua inteligência para antecipar as jogadas e estar (quase sempre) bem colocado. O facto de ter começado a sua carreira a Defesa Direito contribuiu indubitavelmente para a sua progressão com bola no pé, sendo capaz de armar contra-ataques com a maior das rapidez e progredir com a bola de maneira a criar superioridade numérica. Se o United fica mais forte, até porque não tem nenhum central com essas características, o Benfica fica substancialmente mais fraco, perdendo o único verdadeiro herdeiro de Garay, que havia formado com Luisão uma das melhores duplas de centrais dos últimos anos.

Com Luisão em decrescendo, Jardel em recuperação física, e Lisandro com a sua impetuosidade latina que não fornece confiança ao treinador, a zona central benfiquista perde poder de construção de jogo, tão importante contra equipas que defendem no seu meio-campo.

Se a intenção da SAD Benfiquista for colmatar a saída de Lindelof com um jogador com as mesmas características, uma potencial solução mora no De Kuip, com o nome de Sven van Beek.

O holandês, de 1.90m e 22 anos, pode jogar tanto a central como a lateral direito, à semelhança de Lindelof, e tem um preço de mercado de 5.5M€, contudo passou esta época alheado dos gramados por uma lesão no dedo do pé, podendo contribuir para uma redução do potencial preço de compra do jogador. Apesar de esta época ainda não ter podido demonstrar todo o seu valor, na época transacta participou em 32 jogos na Eredivisie, tendo registado 2 tentos e apenas 5 cartões amarelos, tendo sido titular em 31 desses jogos.

Tal como Lindelof, van Beek é exímio na saída de jogo, sendo capaz de queimar linhas com passes de rotura ou até com bola no pé. A condição física do jogador será um ponto a ter em conta, até pelo histórico do Departamento Médico encarnado, contudo, com uma recuperação adequada, van Beek pode atingir voos mais altos e colmatar uma deficiência no plantel benfiquista.

Com Gutiérrez e van Beek, o plantel de Rui Vitória passaria a dispor de uma panóplia de médios-centro e defesas centrais com características diversificadas, permitindo uma gestão mais harmoniosa das posições entre as várias partidas, ora pautando o jogo com a classe de Pizzi, ora queimando linhas e disputando bolas com o poderio físico de Gutiérrez, ora destruindo jogo com a velocidade e força de Lisandro, Luisão e Jardel, ora construindo jogo com a classe de van Beek.


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