24 Nov, 2017

O Momento da Época – SL Benfica

Gonçalo MeloMaio 25, 20174min0

O Momento da Época – SL Benfica

Gonçalo MeloMaio 25, 20174min0

O que vale um momento numa época para mudar o rumo dos acontecimentos para melhor ou pior? Uma vitória, uma derrota, um golo marcado ou sofrido, um remate no último segundo falhado ou empate conseguido no último suspiro. Este é o Momento da Época do SL Benfica, não pelo golo ou empate, mas pela qualidade que apresentou em casa frente ao FC Porto em Abril de 2017.

Há momentos decisivos ao longo duma época, momentos em que se nota uma evolução, uma atitude, ou se nota algo diferente e marcante numa equipa, momentos esses que vão contribuir marcadamente para o desenrolar dos acontecimentos da época.

Num ano de tetracampeonato para o Benfica, a escolha do momento mais marcante ou importante da época não era fácil. Podendo ir desde a vitória em casa perante o Sporting, ou o golo tardio em Vila do Conde. Para nós, o momento não foi uma vitória ou um golo, mas sim uma exibição. A exibição contra o FC Porto no Estádio da Luz.

Numa altura em que o que mais se falava era a quebra de forma e rendimento da equipa de Rui Vitória, contrastando com a subida de forma e bons resultados da turma de Nuno Espírito Santo (antes do clássico a diferença era de apenas um ponto) o Benfica entrou para o jogo sem qualquer nervosismo e pressão, realizando aquela que foi provavelmente a melhor exibição do Benfica em derbys e clássicos desde que Vitória chegou ao clube.

Com uma agressividade poucas vezes vista ao longo da época, os homens de Rui Vitória dominaram o jogo quase na sua plenitude, tendo apenas tremido no início da segunda parte com o golo de Maxi Pereira e com Soares a aparecer na cara de Ederson (exibição valorosa e de alta qualidade no clássico).

Esta exibição personalizada foi um ponto de viragem numa equipa que estava cada vez menos confiante até então, coleccionando exibições fracas e vitórias tangenciais, notando-se após este empate um maior à vontade e tranquilidade nos jogos até ao final do campeonato.

No jogo contra o FCP, o medo dos adeptos era grande uma vez que a perda da liderança serviria como um boost enorme para o rival do norte, não só pela liderança mas sobretudo porque essa liderança significava uma vitória azul na Luz. No clássico, mesmo sem o ladrão de bolas sérvio Fejsa, o na altura tricampeão nacional fez uma exibição quase categórica. Samaris apareceu a um nível elevadíssimo neste jogo, fazendo jus à alcunha de “Bombeiro Grego”, fartou-se de jogar e de dificultar a tarefa aos médios do Porto, colocando Óliver no bolso com a ajuda de Pizzi e obrigando Danilo Pereira e André André a jogarem muito atrás e a apostarem no futebol direto.

Para além do domínio no meio campo, o Benfica conseguiu anular quase na totalidade  criatividade de Corona e Brahimi (Eliseu e Semedo a grande nível, com o jovem lateral direito a aliar a coesão defensiva a raides consecutivos pela direita que faziam tremer Alex Telles e Brahimi), para além de ter feito com que Soares não aparecesse na partida, mérito de Luisao e Lindelof, que formaram uma dupla quase impenetrável ao longo da temporada.

No ataque assistiu-se a um Jonas em melhor forma do que o habitual nesta época, jogando e fazendo jogar, mesmo sem ter um Mitroglou muito inspirado ao seu lado, faltando-lhe claramente a competitividade de Jiménez para não se acomodar (as lesões tiraram protagonismo ao mexicano), um Salvio a aparecer nos jogos grandes como é habitual e um Rafa a utilizar a sua velocidade para causar calafrios na defesa e na bancada azul (ainda longe de ser o fantasista do Braga, poderá ser uma chave-mestra para a próxima temporada).

Após o jogo no dragão assistiu-se a uma equipa mais calma e tranquila na forma de abordar os jogos que restavam na Liga Nos , conseguindo que as coisas saíssem com mais naturalidade. Este jogo foi um ponto de viragem do ponto de vista anímico, porque para além de manter a liderança, Rui Vitória e o Benfica mataram o borrego de não se conseguirem impor nos jogos grandes, algo que trouxe paz e tranquilidade ao técnico e à equipa, que caminhou sem grandes sobressaltos para o inédito tetra da sua história.


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