19 Fev, 2018

Arouca… tudo não passou de um sonho?

Daniel CarvalhoNovembro 5, 20177min0

Arouca… tudo não passou de um sonho?

Daniel CarvalhoNovembro 5, 20177min0
A descida à Segunda Liga foi o início do fim do sonho do Arouca. O Fair Play aborda alguns dos problemas da equipa que atravessa um momento difícil

O Arouca é o atual 16º classificado da Ledman Liga Pro com uma modesta estatística, composta por 3 vitórias, 4 empates e 4 derrotas em 11 jogos disputados até ao momento. Após um período de quatro épocas de estabilidade na Liga NOS, o Arouca apresenta hoje uma posição muito modesta na segunda liga portuguesa, tendo apenas um ponto acima da linha de despromoção.

Após quase concluído o primeiro terço da época, à vista dos olhares mais desatentos, o Arouca é visto como um clube como tantos outros no nosso país, que lutam com todos os recursos existentes para garantir a permanência nos escalões profissionais do nosso futebol. Mas será essa a realidade?

Da Segunda à Liga Europa

Em maio de 2013 o Arouca carimba o seu bilhete de ida para a primeira liga pela primeira vez na sua história com uma vitória por 3-0 sobre o União da Madeira no Estádio Municipal de Arouca. A 18 de Agosto do mesmo ano, na primeira jornada do campeonato, estreia-se nos grandes palcos do futebol português com uma derrota por 5-1 em Alvalade frente ao Sporting de Leonardo Jardim que tanto prometia na altura.

Apesar das aspirações em fazer uma “gracinha” a um dos três grandes ter saído furada o campeonato do Arouca acaba por ser bastante positivo conseguindo garantir a manutenção já na reta final do campeonato. Pelo caminho fica para a história o empate a duas bolas no estádio luz, comprometendo bastante, à 12ª jornada, a continuidade de Jorge Jesus como treinador do Benfica (curiosamente, mais iria sagrar-se campeão nacional).

Porém, em 2014/2015 o cenário não foi tão positivo para os Arouquenses apesar do alcance do seu objetivo principal: a manutenção. Na prova rainha, a equipa de Aveiro não foi além da 3ª eliminatória ficando de fora da competição logo em outubro. Na taça da liga, a história repete-se com o Arouca a ver as suas aspirações barradas no grupo A, grupo esse onde o Sport Lisboa e Benfica garante a passagem às meias finais com 9 pontos em 3 jogos. Pela liga NOS, o Arouca termina a temporada com 20 derrotas e uns meros 28 pontos alcançados através de 7 vitórias e 7 empates em 34 jogos.

Chegamos à época de 2015/2016, em que o Arouca alcança um quinto lugar histórico que lhe garante a presença na 3ª pré-eliminatória da Liga Europa, algo completamente impensável no início da época para qualquer adepto do futebol português. A equipa, na altura, liderada pelo jovem treinador Lito Vidigal, faz uma campanha irrepreensível, tendo terminado a Liga NOS com apenas 6 derrotas, número inferior ao número de derrotas do FC Porto (7).

Com uma média de idades de 26 anos e com uma altura média de 180 cm, o Arouca foi uma equipa à imagem do seu treinador, isto é, com um espírito de luta enorme, não dando nenhum jogo como perdido até ao último segundo de jogo (maior parte dos golos marcados após o minuto 70).  Sem grandes estrelas, a formação de Aveiro optou por aliar a experiência de jogadores como Rafael Bracalli, Nuno Coelho, Pintassilgo e Artur à irreverência de Walter Gonzalez (melhor marcador da equipa), Gegé e Ivo Pinto.

Uma estratégia que assentou como uma luva neste Arouca que coloca a cereja no topo do bolo a 7 de fevereiro de 2016 com uma vitória por 2-1 ao FC Porto, em pleno Estádio do Dragão. Termina assim a época com 54 pontos, deixando equipas como Vitória Sport Clube e Rio Ave sem possibilidade de disputarem as competições europeias.

Em 2016/2017, com a chegada de reforços de peso como Kuca, André Santos, Sami, Tomané e Marlon de Jesus, o Arouca aparentava uma estabilidade desportiva nunca antes conseguida. Após 3 épocas na Liga NOS, as expetativas eram as melhores para enfrentar o novo desafio: o europeu. A aventura por essa Europa fora começou a 28 de julho na Holanda, frente ao Heracles Almelo. O primeiro encontro termina com a igualdade a uma bola, um resultado que mantinha as esperanças arouquenses bem acesas. A passagem ao Play-off da Liga Europa iria ficar consumada, uma semana mais tarde, com um empate a zero, através da regra dos golos marcados fora de casa, no Estádio Municipal de Arouca.

Seguia-se o Olympiakos FC na próxima fase da prova. O resultado de 1-1 na primeira da mão do Play-off levava a discussão da eliminatória até à Grécia, no qual o Arouca acaba por fazer um jogo irrepreensível, levando o jogo para o prolongamento, graças a um golo já na reta final do encontro. A sorte acabaria por não sorrir à formação portuguesa tendo sofrido dois golos no prolongamento.

Princípio do fim

A eliminação da Liga Europa em nada comprometia a época dos Arouquenses. O bom futebol praticado nos quatros jogos europeus demonstrou que era possível repetir a proeza da época anterior. No entanto, o cenário acabou por se inverter. Os sucessivos maus resultados no início da época trouxeram os adeptos do Arouca de volta à terra e o panorama acabaria por se agravar jornada após jornada. O pesadelo da descida de divisão confirmou-se na última jornada com a derrota frente ao Estoril Praia por 4-2. Terminaria assim o sonho da Liga NOS após um período de quatro temporadas.

Já nesta temporada, a história repete-se. Na pré-época, Jorge Costa, assume que o objetivo do Arouca para 2017/2018 era claramente o regresso à primeira liga do futebol português. No entanto, a época não poderia ter começado da pior forma. A 12 de Agosto, o treinador português dita o afastamento de 4 dos jogadores mais influentes do plantel na temporada transata: Kuca, Bruno Lopes, Jubal e Sancidino. A instabilidade no balneário era notória e os resultados desportivos seriam o espelho desta realidade.

Ainda assim, com as chegadas de Bukia e Areias, vindos do Boavista e Vitória SC (troca direta pelas transferências de Kuca e Jubal), o ritmo de primeira liga parecia estar assegurado. O experiente avançado de 31 anos, Cícero, chegou para ser o homem golo de Arouca.

Do estrangeiro chegaram: Aleks Palocevic, centrocampista proveniente do FK Vojvodina (3º classificado da Liga Sérvia da época transata) e Paolino Bertaccini, extremo veloz proveniente dos juniores do Genk, da Bélgica. Do Desportivo da Aves chegaram 3 reforços, o lateral-direito João Amorim e os médio-defensivos Ericson e Bruno Alves, contratados para muscular o meio-campo Arouquense.

Assim sendo, apesar dos sobressaltos iniciais, a qualidade individual acima da média do plantel do Arouca dava garantias de que o assalto à Liga NOS era a única opção. O mesmo não se verificou. Sensivelmente um mês após o inicio do campeonato, Jorge Costa e o Arouca rescindem contrato por mútuo acordado, passando Miguel Leal para o comando dos azuis e amarelos. Atualmente, já com um tipo de futebol mais à imagem do seu novo treinador, a equipa continua sem encontrar o caminho das vitórias.

O regresso à Liga NOS, neste momento, já não é uma prioridade e a luta pela manutenção na Ledman Liga Pro é cada vez mais um cenário a ter em conta. A verdade é que a temporada ainda está numa fase bastante inicial e muitos pontos ainda estão por disputar. As expetativas não são, de facto, as melhores, mas o desporto rei já provou, vezes sem conta, que tudo é possível. Aos adeptos do Arouca e aos seguidores do futebol português resta esperar e ver aquilo que o recém-despromovido tem para nos contar.

ARTIGO DE DANIEL BALA

Última vítima do Arouca: Jorge Costa (Foto: Lusa)


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