13 Dez, 2017

Alguém perdeu as Chaves da Europa?

Marcelo BritoOutubro 5, 20166min0

Alguém perdeu as Chaves da Europa?

Marcelo BritoOutubro 5, 20166min0

Se existem equipas a despertar interesse nesta fase embrionária da Liga NOS, são Chaves e Feirense. Os recém-promovidos chegaram, bateram o pé e estão aí para as curvas.

Num cenário completamente descabido e intolerável, terminaria a Liga NOS à sétima jornada e teríamos um feito notável em Portugal. Os flavienses, vindos da segunda divisão pela mão do ‘Rei das Subidas’, Vítor Oliveira, disputariam a terceira pré-eliminatória de acesso à Liga Europa.

Mas por onde começar? Pelo encarregado geral da fábrica flaviense, Jorge Simão. Para muitos, esta é a prova de fogo que o jovem timoneiro de apenas 40 anos tem que superar para se afirmar no panorama nacional. Mas não o é. Depois de um modesto percurso como futebolista onde representou Carregado, Fanhões, Real e Atlético do Cacém, Jorge Simão assumiu-se como técnico principal em 2013/14 ao serviço do Atlético Clube de Portugal. Seguiu-se Mafra e Belenenses em 14/15 e, na temporada transacta, com as cores do Paços Ferreira, ajuda os castores a terminarem no sétimo lugar. Curto, mas ao mais alto nível nacional, o timoneiro acrescenta este ano ao seu curriculum vitae, o desafio de fazer permanecer na primeira, um clube vindo da segunda. Obstáculos? Muitos, mas com certeza que nem o técnico Jorge Simão esperava encontrar-se nos lugares europeus à sétima jornada. Agravada à sua qualidade como treinador, está o facto do plantel flaviense não ser um plantel assim tão modesto quanto o julgam ser. E não apenas de investimento falo. Há (muita) qualidade. Podemos começar com a contratação do defesa-central Felipe ao Wolfsburgo, de Freire ao Apollon Limassol, de Nemanja Petrovic ao Partizan, do velho conhecido Pedro Queirós ao Astra Giurgiu, do ex-sportinguista Simon Vukcevic e de William, antigo avançado do Kayserispor. A chegada a Trás-os-Montes do lateral direito Paulinho, o empréstimo conseguido de Battaglia, Ponck e Elhouni e as permanências de Braga, João Mário e Perdigão consolidam o rumor da existência de pérolas em terras transmontanas.

Jorge Simão agarrou os peões e começou a traçar os seus trajectos. Individualmente, também, mas como um todo, especificamente. Uma pré-época quase imbatível (apenas vencidos pelo Famalicão e pela margem mínima) fez crescer água na boca, seguido de um início de campeonato prometedor. Enfrentaram na primeira jornada o Tondela, já bem oleado pela mão de Petit e empataram a um. Seguiu-se um Boavista bem conhecedor do modelo de Erwin Sanchéz e… novo empate, mas a dois. À terceira foi mesmo de vez. Venceram, na deslocação à Madeira, o Nacional por 1-0 com um golo do experiente Braga, empatam com o Vitória de Setúbal, voltam às vitórias na difícil deslocação a Arouca, perdem com o tricampeão nacional Benfica e à sétima jornada deixam bem clara a ambição para esta temporada. Recebem, no mítico Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira, uma histórica e emblemática formação vinda de Belém e vencem por uns expressivos 3-1 com direito a cambalhota no marcador. Battaglia, Braga e William contornam o início prometedor dos lisboetas coroado com um golo de Domingos Duarte, e levam o Municipal ao rubro. Balanço feito e temos um Chaves com 12 pontos em 7 jogos, atrás de Benfica, Sporting, Porto e.. Braga, clubes que nos brindam com a sua participação nas competições europeias assiduamente. Estamos numa fase embrionária da grande maratona que é o campeonato nacional, mas será que podemos esperar um Chaves a combater-se com os demais ambiciosos Guimarães, Rio Ave, Belenenses e Paços de Ferreira pelos lugares europeus? A praxe aos flavienses está feita, as primeiras frequências ultrapassadas e os transmontanos não querem deixar cadeiras para trás. Aliás, querem distinguir-se dos demais, afastando-se prematuramente do buraco negro que é a despromoção e afirmarem-se no panorama nacional e quem sabe… internacional.

Feirense vai de Mota

Se Jorge Jesus deixou um Ferrari com o combustível atestado e com revisão feita para Rui Vitória conduzir e desfrutar, há quem ande de Mota e a ultrapassar muitos carrinhos. O Feirense, promovido no ano transacto, a par do Chaves, pela mão de Pepa com uma ajuda final e crucial de José Mota, parece querer afastar o fantasma da descida. Não é a primeira vez que isto acontece. Promove-se em 2010/11 e despromove-se em 2011/12.

Vítor Bruno, em primeiro plano, a celebrar com os restantes companheiros. (Foto: Facebook CD Feirense)
Vítor Bruno, em primeiro plano, a celebrar com os restantes companheiros. (Foto: Facebook CD Feirense)

Tal como o Chaves, o Feirense reforçou-se. Há quem diga que melhor, há quem diga pior. Pois bem, o mercado estrangeiro foi prioridade para José Mota que contratou Guima e Vítor Bruno ao Cluj, Tasos Karamanos ao Olympiakos, Tchami ao Giresunspor, Jean Sony ao Steaua de Bucareste, Vaná ao Coritiba e Peçanha ao Viitorul, mas também pescou junto ao Atlântico. Os defesas centrais Paulo Monteiro e Luís Rocha reforçam o Feirense vindos do União da Madeira e Freamunde, respectivamente e Luís Aurélio é contratado em definitivo ao Nacional. Consegue ainda os empréstimos de Kakuba ao Estoril e Ricardo Dias e Tiago Silva ao Belenenses. Peças fundamentais que ajudaram na subida como Semedo, Cris, Rúben Oliveira, Fabinho e Barge permanecem de Castelo ao peito e querem provar que são jogadores de elite nacional.

Sabemos que o nigeriano detentor de 70% da SAD dos fogaceiros, Kunle Soname, quer, num prazo de dez anos, colocar o Feirense na órbita da Europa, fazendo exemplo de clubes como Rio Ave e Vitória de Guimarães. Já o disse publicamente em entrevista a um jornal regional Correio da Feira e afirmou-o de seguida ao nacional O Jogo. Para os feirenses, ouvir isto é satisfatório, pois conectam estas palavras com o sinónimo de investimento, algo que o clube de Santa Maria da Feira bem precisa para se manter na elite nacional. No que toca à matemática e às estatísticas, apenas três pontos separam os dois promovidos à Liga NOS no ano transacto, com vantagem para os do Alto Minho. O Feirense venceu Estoril, Tondela e Boavista e perdeu com Rio Ave, Moreirense, Nacional e… Benfica e encontra-se na décima posição. Neste momento, e não só pela classificação momentânea, estima-se que o Chaves faça um percurso bem longe da despromoção, cenário que não parece encaixar no teatro da Feira. O Feirense tem armas, principalmente pelo experiente e conhecedor da realidade nacional, José Mota, mas o plantel é um pouco curto para uma competição tão longa e exigente. No meio de um Ferrari, de um Lamborghini, de um Mercedez-Benz AMG e de muitos BMW’s, será a mota de Mota uma Harley-Davidson? Asseguro-lhe que uma Zundapp, não o é.

Em Maio, cá estaremos.


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