18 Dez, 2017

A reintegração de Bryan Ruiz: do purgatório à ressurreição?

José DuarteNovembro 17, 20174min1

A reintegração de Bryan Ruiz: do purgatório à ressurreição?

José DuarteNovembro 17, 20174min1
De génio dos Leões a "patinho-feio" Bryan Ruiz volta a ter direito a vestir a camisola do Sporting CP: a redenção será importante para a equipa de Alvalade?

Bryan Ruiz foi finalmente reintegrado no plantel do Sporting. Finalmente porque não faz sentido um clube ter activos remetidos a um limbo, onde nem podem contribuir para a equipa nem estarem num estado de prontidão os torne atractivos para o mercado, possibilitando uma saída a contento de ambas as partes. E também porque se trata de um jogador de inegável talento e ainda por cima bem remunerado.

Depois há ainda uma outra questão não menos importante: o estatuto do jogador no seu país. Salvo as diferenças de projecção mediática, pode-se dizer que Bryan é, neste momento, talvez o Ronaldo costa-riquenho. É também capitão de selecção, que está apurada para o Mundial 2018, e a Costa Rica é um dos países recentemente eleitos para a expansão do modelo “Academia Sporting”. Certamente que a última coisa que se desejaria para o sucesso do projecto seria a criação de anti-corpos logo à nascença.

Em Alvalade ninguém esqueceu ainda este momento (autor desconhecido)

É do conhecimento geral que o jogador está ligado a um momento que muitos consideram definidor do título de campeão 2015/16, no lance que a foto acima documenta. Tal é apenas admissível em quem vê o futebol como um julgamento, de heróis e culpados. Na decisão do título contou tanto a derrota caseira frente ao rival e futuro campeão, como a perda de pontos em casa e fora com o União da Madeira. Se culpas há elas não podem ser atribuídas em exclusivo a um determinado interveniente ou a um momento específico, antes sim a um somatório de intervenientes, eventos e decisões.

O lance aludido talvez seja profundamente auto-explicativo das qualidades e limitações do jogador e também ele da carreira do jogador. Quem não se lembra do serpentear de Bryan Ruiz entre os nossos defensores, com a camisola do Twente, numa renhida pré-eliminatória para a Liga dos Campeões que acabaria por nos sorrir. Na altura augurava-se-lhe um futuro radioso que não se chegou a confirmar em plenitude.

Mas o jogador que saiu da Holanda em direcção a Inglaterra à procura do sucesso e reconhecimento custou então aos cofres do Fulham 10,6 milhões de libras sem contudo conseguir justificar o investimento. Os vinte e quatro golos que havia marcado pelo Twente, e que tinham aberto o apetite ao clube inglês, depressa deram origem à decepcção que redundou no empréstimo ao PSV, sem conseguir recuperar o fulgor anteriormente exibido.

Muito do seu insucesso residiu precisamente pela falta de comparência nos momentos decisivos e ineficácia em frente à baliza. Onde e como se perderam essas qualidades já anteriormente demonstradas mas nunca mais confirmadas não se sabe. Hoje é apenas mais uma história semelhante a tantas outras e explica porque não está hoje o costa-riquenho a caminhar para o final de carreira num dos melhores campeonatos europeus.

O Mundial de 2018 está certamente no horizonte de Ruiz (foto Wikipédia)

Tal porém não me parece suficiente para lhe que se negue o talento, já que o profissionalismo e carácter estão demonstrados na forma como viveu este momento infeliz – algo que Jorge Jesus reconheceu há dias de forma pública – e são uma marca deixada em todos os clubes onde passou.

Ora se há algo que parece cabalmente demonstrado no primeiro terço do campeonato é a necessidade de talento alternativo aos habituais titulares à disposição de Jesus. Mais ainda quando Bryan Ruiz pode desempenhar mais do que uma função desde o meio-campo até ao ataque da esquadra leonina. Ruiz é um jogador dotado de refinadíssima técnica individual, o que é de certo modo atípico num jogador com quase 1,90m (1,88m). Segurança em posse, qualidade na decisão, acerto no passe é algo que inequivocamente pode aportar quer como titular quer a partir do banco, constituindo não apenas uma oportunidade de rodagem do onze de Jesus, mas também como alternativa e concorrência para os jogadores mais adiantados no terreno.

Se no passado recente o afastamento de Bryan Ruiz levantou muitas questões – talvez a mais importante seja “o que ganhou o Sporting com isto?” – o presente sem grandes expectativas pode ser o melhor ecossistema para o talento de um bom jogador como Bryan Ruiz reflorescer.


One comment

  • Carlos

    Novembro 20, 2017 at 8:48 pm

    Grande jogador. Vai uma vez mais ser muito útil ao SPORTING. Comportamento exemplar. O clube SPORTING CLUBE DE PORTUGAL (SCP) vai colocá-lo no patamar em que mais nenhum clube o colocou. Nem todos são honestos mas Bryan Ruiz provou que é.

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