17 Dez, 2017

Regenerando na Riviera francesa

Pedro NunesNovembro 5, 20164min0

Regenerando na Riviera francesa

Pedro NunesNovembro 5, 20164min0

São dois dos enfant terribles do futebol. Também é por causa de jogadores como Balotelli e Ben Arfa que este é o desporto-rei e o esplendor do entretenimento dos dias que correm. Apesar de serem diferentes em muita coisa, a carreira de ambos acabou por ter um ponto similar na chegada a Nice. E há melhor sítio para iniciar uma nova vida do que a Riviera francesa?

Estas bem podiam ser as histórias de duas péssimas ideias. Talvez concordemos que levar cidadãos como Hatem Ben Arfa e Mario Balotelli – jogadores milionários e com as suas carreiras no maior ponto de interrogação – para uma das melhores estâncias turísticas da Europa, onde há uma multiplicidade de distrações ao trabalho, tinha tudo para dar errado. O extremo gingão é mais um daqueles casos a quem o futebol salvou a vida. Filho de pais tunisinos e nascido num dos bairros mais problemáticos dos arredores de Paris, foi naquele pé esquerdo que depositou toda a esperança que se tornasse no seu ganha-pão e da sua família. Tem um talento que sempre precisou de espaço para poder brilhar. Ou a equipa faz dele a estrela, ou ele apaga-se ou então funciona apenas intermitentemente. Aos 29 anos, a suposta evolução na maturidade levou-o ao PSG deixando o Nice órfão do seu criativo.

Foto: GFI
Foto: GFI

Mas apesar da perda do seu playmaker, esta época as coisas têm corrido de feição aos aiglons, ainda de melhor do que se esperava. As mudanças foram muitas, pois para além da saída de Ben Arfa também Claude Puel abandonou o clube depois de o levar da zona de descida à Europa e para o lugar dele foi chamado o ex-Gladbach, Favre.

À 11ª jornada o clube de Côte D’Azur surge na liderança da Ligue 1, destacados do resto dos concorrentes, com uma vantagem de 6 pontos. É realmente de tirar o chapéu ao que o senhor Lucien Favre está a conseguir fazer, deixando para trás Mónaco e PSG – o candidato crónico. Com um plantel de jogadores jovens com muito para evoluir, tem sido muito interessante acompanhar a afirmação de jogadores como Plea ou Cyprien, que têm sido decisivos na manobra ofensiva da equipa. Há ainda dois jogadores bem conhecidos dos portugueses que fazem parte deste núcleo duro – Ricardo e Seri. O lateral/médio dá consistência em qualquer lugar que jogue, somando ainda boas participações ofensivas, numa capacidade que já vem de anos transactos e passa despercebida nos media nacionais. Quanto ao ex-Paços, tem funcionado como o elo de ligação entre o miolo e o ataque, assinando já um bom número de assistências. Até o central Dante está a conseguir dar um novo alento à sua vida futebolística. Mas a grande epígrafe desta fase inicial do Nice é outra…

O segundo filme tem basicamente o mesmo enredo, o mesmo número na camisola e o personagem principal é parecido. No entanto, este parece ter sido escritopor Woody Allen tal é o número de peripécias em que já foi alvo. De casas de banho incendiadas a brincadeiras num segway por Lisboa, há de tudo no portefólio de Balotelli. Bom referir que nem Mourinho conseguiu ter mão nele.

“Queria um sítio bonito, onde te levantes, olhes pelas janela e isso seja o suficiente para mudar o teu dia”, disse Balotelli para justificar a escolha do clube, onde tem sido um fenómeno também de marketing – são vendidas 6 camisolas do avançado por hora. Com Favre, Super Mario ainda não funciona como um relógio suíço, mas quase. Os grandes golos e as exibições voltaram, mas também já houve expulsões um pouco complicadas de explicar, nada a que ainda não nos tivesse habituado. Seis golos em cinco jogos é uma boa marca para um reforço que chegou já em cima dos derradeiros minutos de mercado à última da hora e a custo zero. Aos 27 anos, a vida resolveu dar a enésima oportunidade ao Super Mario. E desta vez é rumo à bola de Ouro, diz ele.

Foto: 20 Minutes
Foto: 20 Minutes


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