23 Out, 2017

PSG: como gerir tantas “estrelas”?

Daniel FariaSetembro 19, 20177min0

PSG: como gerir tantas “estrelas”?

Daniel FariaSetembro 19, 20177min0
Uma autêntica “constelação” de estrelas reside no Parque dos Príncipes esta temporada, com o objectivo de afirmar o PSG como uma potência do futebol mundial.

Depois da conquista do título francês por parte do Mónaco na temporada passada, os parisienses procuram voltar a erguer o ceptro e mais do que isso, consolidar uma posição de destaque na Liga dos Campeões. Mas como será o futuro desta “versão galáctica” PSG 2017/2018?

Com um plantel avaliado em 521 milhões de euros, o PSG continua a apostar forte na contratação de jogadores de renome mundial, com o intuito de chegar perto dos grandes colossos do futebol mundial, como Barcelona, Real Madrid, Manchester United, entre outros.  Neymar, Cavani, Mbappé, Daniel Alves e Dí Maria, são alguns dos nomes que vêm logo à cabeça, numa equipa de sonho, pelo menos em termos teóricos.

Só que, como se sabe, o futebol prega algumas partidas e será legítimo perguntar: até que ponto a equipa será homogênea com tantas “estrelas” na sua composição? Qualidade individual certamente não faltará, mas convém lembrar que o futebol é um desporto colectivo e é na “harmonização” desse conjunto de atletas que reside a força de um emblema.

Relativamente ao desempenho da equipa até ao momento, percurso “limpo” na Liga Francesa. Seis jogos, seis vitórias, com o melhor ataque da competição (21 golos averbados) e também com a melhor defesa, tendo sofrido só três golos nas primeiras seis jornadas da Ligue 1.

Tendo como principal concorrente o Mónaco de Leonardo Jardim – que já perdeu pontos perdendo por 4-0 com o Nice – o PSG começou de forma convincente o campeonato, com Edison Cavani em plano de destaque, contribuindo já com sete golos na Liga, menos dois que o melhor marcador até agora, Radamel Falcao.

Cavani está com a “mira afinada” neste início de campeonato. (Foto: PSG Talk)

Conciliar os egos

Geralmente, por trás de um grande talento, existe igualmente um grande ego. E isso poderá ser um dos “handicaps” deste novo PSG. E temos já um exemplo disso, ocorrido neste último fim-de-semana na vitória frente ao Lyon por 2-0, em que verificou-se confusão para marcar um lance de bola parada.

Daniel Alves tirou a bola a Cavani, dando-a a Neymar e o uruguaio não gostou da ação do colega de equipa.

O lateral brasileiro tirou mesmo a bola das mãos do avançado uruguaio. Mas não para ser ele a marcar o livre. Dani Alves passou depois a bola a Neymar, a estrela da equipa, que custou 222 milhões de euros neste defeso ao clube parisiense. Cavani não gostou e ficou a reclamar com o colega de equipa.

Neymar e Cavani, “discutem” quem marca grande penalidade. (Foto: Goal.com)

Existe já “tinta a correr”, falando num eventual conflito entre o uruguaio e o brasileiro. Por isso, é imperativo conciliar e gerir os egos dentro do plantel, tarefa que deverá ser assegurada pelo treinador Unai Emery, que certamente não terá a missão facilitada, enfrentando um grande desafio na sua carreira.

Outra coisa: as principais “vedetas” são sul-americanas. Brasileiros, uruguaios e argentinos na mesma “barricada” nem sempre é sinónimo de bom entendimento. Por isso, a gestão da convivência destes jogadores terá que ser feita quase que “com pinças”.

Por outro lado, a principal vantagem, é a qualidade que o plantel apresenta. Se os jogadores forem bem trabalhados e incutidos de valores fortes pela equipa técnica, certamente irão demonstrar todo o seu potencial e ajudar a equipa a atingir os seus objectivos, dando sempre opções de grande qualidade a quem está no leme da equipa.

Habituados ao “estrelato”

É inegável que o PSG já albergou grandes estrelas do futebol mundial. Ronaldinho Gaúcho, Zlatan Ibrahimovic, Cavani, George Weah, o brasileiro Raí entre outros, pisaram os relvados franceses, deixando uma marca indelével que contribuiu para a afirmação do clube enquanto “destino” para alguns dos melhores futebolistas do planeta.

Nos tempos modernos, o papel de Zlatan foi determinante no sentido de projectar ainda mais o clube. Com 156 golos em quatro temporadas, o sueco era a principal figura de proa do clube francês, que se cotava como “papa títulos” em França, com uma “máquina” de fazer golos, tendo por isso papel de grande relevância no emblema parisiense e beneficiando também das épocas de grande nível que protagonizou em França, mudando-se depois para o Manchester United.

Ibra foi figura marcante no PSG, tendo papel positivo no clube. (Foto: Google)

A verdade é que, com os novos investidores asiáticos, o PSG foi ganhando poder de compra, tendo hoje um plantel riquíssimo em termos de qualidade e jogadores com o estatuto de “vedetas”. Resta saber se saberão formar uma equipa digna desse nome.

Consolidar-se em provas continentais

Por vezes é relativamente fácil ser “reis” no nosso país. O problema é quando competimos com outros campeões. Essa parte tem sido um “handicap” para os parisienses, que não conseguem plano de destaque na Liga dos Campeões.

Ficaram pelos “quartos” em 2014/15 e 15/16, sendo eliminados na mais recente edição numa reviravolta épica. Depois de aplicada a “chapa 4” ao Barcelona no seu reduto, o PSG foi vergado em Camp Nou, permitindo a “cambalhota” na eliminatória e saindo da “Champions” com imagem denegrida e negligente, deixando escapar uma vantagem de quatro golos na eliminatória europeia.

Este ano, os franceses querem claramente limpar a má imagem, sendo de prever uma aposta forte na competição, com o intuito de começar a construir um estatuto europeu mais pujante, dado as últimas edições, em que foram afastados da prova precocemente.

Mbappé – Cavani – Neymar: MCN sucederá ao MSN?

Um possível tridente MSN – Messi, Suarez e Neymar – só que com um “C” à mistura. O que esperar do tridente ofensivo dos franceses? Um goleador nato, apoiado num talento inqualificável de Neymar e num potencial enorme de Mbappé, poderá render muitos golos aos franceses, principalmente a nível interno. A verdade é que ao todo, neste início de época, o ataque francês protagonizado pelo “trio” já rendeu 14 golos. Cavani (7), Neymar (5) e Mbappé (2), prometem ser uma dor de cabeça para os defesas contrários. Neymar com os seus rasgos individuais, Cavani com instinto marcador e Mbappé com a sua irreverência e juventude, prometem lutar para ser um dos melhores tridentes ofensivos do futebol moderno.

Mbappé, Cavani e Neymar prometem fazer estragos no ataque. (Foto: Goal.com)

Conclusões

Em suma, a reter: recuperar o título francês, procurar a tão desejada conquista continental e primeiro que tudo, Unai Emery terá que compatibilizar jogadores habituados a ser o centro das atenções são os três grandes desafios para o PSG esta temporada.

O principal, será tentar encontrar um ponto de equilíbrio, que permita a estabilização e formação de uma equipa coesa, assente na qualidade mais do que reconhecida dos seus intervenientes.

A grande aposta feita em Neymar, o jogador mais caro da história (222 milhões), por exemplo, com o objetivo de torná-lo a figura de proa da equipa e quiçá começar a trilhar caminho para uma Bola de Ouro no futuro, poderá incomodar jogadores com mais tempo de clube, como é o caso de Cavani. No entanto, comparar Neymar a Cristiano Ronaldo e Messi, figuras de Real Madrid e Barcelona, parece ser prematuro neste momento. O talento do brasileiro é reconhecido mundialmente, e tem todas as condições para poder um dia ser o melhor do mundo, mas terá que passar ainda por um processo de amadurecimento e pode ser que esta experiência no PSG seja benéfica para o brasileiro.

Mas, tudo a seu tempo. O mesmo encarregar-se-á de dizer e mostrar se o PSG conseguirá ser uma equipa harmoniosa e afirmar-se finalmente como um dos grandes do futebol europeu, com “Neymar e companhia”.

Com cerca de 32 troféus conquistados a nível nacional, com seis ligas francesas como “maiores conquistas”, o PSG tem quiçá o desafio do século: começar a fazer valer o investimento astronómico na sua equipa com títulos a nível nacional e sobretudo, no panorama internacional.


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