18 Dez, 2017

Novela qatari

Pedro NunesSetembro 14, 20174min0

Novela qatari

Pedro NunesSetembro 14, 20174min0
Neymar e Mbappé foram as duas transferências mais badaladas do último defeso. Um comentário a esta nova política de transferências do PSG, que tem protagonizado autênticas novelas produzidas e financiadas pelo Qatar.

Vive-se uma nova era de galácticos, agora na capital francesa. O que aconteceu neste verão em Paris só pode ser equiparado ao ano 2009, altura em que chegaram Ronaldo, Kaká, Xabi Alonso e Benzema a Madrid, na mesma janela de transferências. O novo centro de operações do futebol está situado no Médio Oriente, de onde chega o dinheiro para completar as transferências mais bombásticas do defeso, num país que ninguém sabe muito bem se se escreve com C ou Q.

As vinganças, diz-se, devem ser servidas frias. Depois de uma época penosa, o PSG decidiu abrir os cordões à bolsa. O vice-campeão francês quis chamar todas as atenções para si, avisando o mundo todo que tinha mais dinheiro para gastar do que qualquer outro clube.

Quem naquele dia 8 de Março estava com os olhos postos em Camp Nou, a ver história acontecer, não imaginava que esse jogo podia mudar tanto o futebol. Dar 4-0 em casa, contra o Barcelona, e ir levar 6-1 fora para ser eliminado da Liga dos Campeões causou mossa. Muita mossa. Neymar foi a cara da reviravolta, numa exibição para mais tarde recordar. Meses mais tarde o PSG bate recordes comprando-o. Não houve “Se queda” que valesse. Neymar chegou chegando e bagunçando a zorra toda.

Perder um campeonato que estava entregue antes da competição começar, também deve doer. Aqui é Jardim e os seus pupilos que merecem o crédito. Foi precisamente no Mónaco que o Barcelona viu um dos substitutos ideais para Neymar – Kylian Mbappé. Então o PSG foi lá e comprou-o também. Nasser Al-Khelaifi, o grande pensador e financiador de todo o negócio parisiense, decidiu ir buscar a estrela ao Barcelona, assim como o jogador que eles queriam para colmatar a sua saída. Para dar a machadada final, faltou emprestar Verratti ao Espanhol.

O negócio Mbappé é simples de ser explicado. O campeão francês emprestou o seu melhor jogador ao vice-campeão e, no próximo ano, receberá uma pipa de massa por isso. Depois de tudo isto, caso esta época Jardim se consiga sagrar bicampeão, é muito provável que o PSG compre o Mónaco.

Para além de ter adquirido Dani Alves para lutar pela lateral com Meunier e Aurier, o clube parisiense decidiu reforçar uma posição onde já coabitavam Draxler, Ben Arfa, Lucas Moura, Di Maria, Lo Celso, Jesé e Gonçalo Guedes. Está na cara que tinha de investir.

Claro que isto se torna inválido quando se fala dos dois melhores jovens jogadores do mundo (considerando as idades de Ronaldo e Messi) e, nesse prisma, estas transferências só elevam a qualidade da equipa. Mas há sempre a outra face da moeda. Este PSG, que se propõe a vencer a Champions, tem lacunas complicadas de colmatar. Não é só ter Cavani, Mbappé e Neymar na frente, é preciso saber como organizá-los de forma a tirar o melhor proveito deles. Antes de conseguir as colocações de Jesé e de Gonçalo Guedes, o PSG parecia ter pensado jogar em 2-2-6. Mas há mais. Também é preciso ter em conta que o ataque a esta Champions que querem vai ser feito com Rabiot e Thiago Motta no meio campo. O Real Madrid de Zidane, Ronaldo, Figo, Raúl e Beckham tinha muito para ensinar a Al-Khelaifi, mas ele parece não querer aprender.

Com ele, a intermediar as negociatas, esteve Antero Henriques, que é agora o diretor desportivo dos parisienses. O ex-Porto, que sempre quis levar Jesus para o Dragão, também tentou pô-lo a treinar o PSG, como se provou pelas notícias que foram saindo no início deste mercado de transferências. Com um pequeno exercício de imaginação podemos colocar o nosso português a treinar jogadores como Neymar, Mbappé e Cavani, tentando descobrir quem era o melhor para se adaptar a lateral esquerdo.

Segundo o técnico nascido na Amadora, o Fairplay é uma treta. Opinião também partilhada pelo PSG. No caso destes últimos – o financeiro. O futebol não é mais jogado só dentro de campo. Chegou o futebol kardashiano. O futebol da ostentação. O futebol-novela. O resto do mundo quis fechar portas ao Qatar, então o Qatar vai comprar o resto do mundo.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24 e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

Foto: Sport English


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