17 Fev, 2018

Football Manager 2007 – Como era o futebol há 11 anos atrás?

Pedro AfonsoOutubro 22, 201710min1

Football Manager 2007 – Como era o futebol há 11 anos atrás?

Pedro AfonsoOutubro 22, 201710min1
Há 11 anos atrás, o futebol era diferente. Menos pensado, menos mecanizado, talvez mais apaixonante para alguns. Os intérpretes mudaram e fica apenas a marca da História. É graças a jogos como estes que podemos reviver tempos de Glória que julgávamos idos. Regressemos à época 2006/2007 e analisemos como era o Mundo Futebol, na altura.

Todos nós, os amantes de futebol, sonhámos poder comandar o nosso clube do coração à Glória, impondo as nossas ideias e a nossa vontade na senda de vitórias. Treinadores de bancada sempre os houve, mas o advento da Era Informática trouxe-nos a possibilidade de nos imbuirmos totalmente do espírito de opinador esclarecido e simular percursos de carreira de treinador nos mais diversos clubes.

Championship Manager surge ainda nos anos 90, evoluindo e atingindo o seu auge no início da década de 2000, onde aliou a genialidade do conceito às vendas e popularidade acrescida. Em 2004, contudo, após o final do contrato de colaboração entre a Eidos Interactive a Sports Interactive, começa o Football Manager como o conhecemos hoje. Enquanto a Eidos Interactive manteve o nome do franchise, a Sports Interactive manteve o código-fonte e as bases de dados, tendo começado em 2004 a luta pelo controlo do mercado dos simuladores de management futebolístico. A Sports Interactive, produtora do Football Manager, parece ter feito a escolha certa quanto ao componente da parceria a salvaguardar, uma vez que em 2006, o Football Manager 2006, fortemente alicerçado no código-fonte e na base de dados herdados da parceria prévia, disfere uma forte machadada na Eidos Interactive, que vinha lançando o Championship Manager, com pouco sucesso de vendas.

Assim, trazemos-lhe o Football Manager 2007, o jogo da consagração da Sports Interactive, o 1º lançamento após a conquista do mercado, um dos pilares da atual simulação futebolística. Apresentamos-lhe jogadores a ter em conta para contratação, as melhores equipas para escolher se estiver cansado das habituais escolhas e uma retrospetiva onde analisamos quais os jogadores que estavam no topo do Mundo, como eram vistos os atuais craques mundiais e quais as previsões que falharam redondamente.

Por onde começar?

A resposta mais óbvia será “pelo clube do coração”. Contudo, os horizontes futebolísticos não devem terminar pelo nosso clube e o FM 2007 oferece-nos um conjunto de opções únicas que nos permite simular situações verdadeiramente desafiantes.

Juventus

Talvez poucos se recordem, dado que o clube de Turim é atualmente dono e senhor da Liga Italiana, mas em 2006/2007, o Calciopoli atirou o histórico italiano para a Serie B. Se por um lado, jogadores como Ibrahimovic, Cannavaro, Vieira e Lilian Thuram abandonaram o barco, bem como o treinador Fabio Capello, históricos como Del Piero, Buffon, Trezeguet e Nedved mantiveram-se leais à Velha Senhora e ajudaram o clube a regressar ao seu local devido.

Assim, surge a oportunidade de liderar uma equipa monstruosa desde as divisões inferiores até à Glória Europeia, emulando o percurso atual do clube. Começando com 10M€ para transferências, um plantel com Buffon, Zebina, Chiellini, Zanetti, Camoranesi, Del Piero, entre outros, os 22 pontos negativos com que se começa não parecem ser suficientes para evitar o regresso à Serie A. Apesar disso, lidar com as expectativas dos jogadores e os problemas financeiros parecem ser um bom condimento para esta caminhada.

Um passeio na Série B

Beira-Mar

O histórico clube português “habita” agora os escalões distritais do futebol. Contudo, o clube que teve Eusébio como jogador na década de 70 ainda se encontra na SuperLiga na época de 2006/2007.

Com uma equipa mediana, as expectativas mais optimistas permitem colocar o clube a meio da tabela. E para isso, podem contar com o tanque Jardel (sim, esse mesmo!) que, aos 32 anos, tentou relançar a carreira em Portugal. Sem sucesso, diga-se.

Um craque destruído pelas drogas

Deportivo Coruña

O histórico clube espanhol, na sequência dos incríveis resultados no final do século XX, início do século XXI, não foi capaz de manter o nível competitivo, muito menos financeiro, que caracterizou as equipas galegas lideradas por Makaay, Flávio Conceição, Djalminha, entre outros.

Em 2006/2007, estava mergulhado numa enorme crise financeira, com o clube prestes a declarar falência. Isto reflecte-se no jogo, com um orçamento de transferências de 0€, pouco ou nenhum orçamento para salários e a hipótese de, a qualquer momento, o banco tomar as rédeas do clube e vender os melhores jogadores ao desbarato.

Contudo, o sucesso (ou falta dele) financeiro não impede o clube espanhol de ter um plantel soberbo, com Arbeloa, Coloccini, Jorge Andrade, Adrián, Valerón, Riki, Aldo Duscher e Estoyanoff. Surgem as difíceis opções de vender ou não as coqueluches da equipa e reerguer o clube financeiramente de forma segura, ou manter todos os jogadores e atacar posições elevadas na tabela classificativa, com vista à resolução das dívidas com sucesso desportivo.

De atentar a dívida do clube galego

11 anos depois… Muitas mudanças!

Talvez uma das grandes atrações de jogar um jogo tão antigo prende-se com a possibilidade de reviver tempos idos de uma modalidade em constante mutação. Há 11 anos atrás, eram diferentes os intérpretes principais, os treinadores e clubes em voga, no fundo, o paradigma era totalmente diferente. Quem liderava, então, o futebol mundial?

Em Espanha, o sucesso era culè. Liderados por Rijkaard, a equipa de Ronaldinho, Deco, Eto’o e de um jovem Messi em ascensão lançava as bases para o domínio de anos vindouros e a marca no futebol mundial.

O pequeno génio começava a afirmar-se

Mas o Real Madrid não ficava atrás e, após um defeso de inúmeras contratações com vista a colmatar também a reforma de Zidane, a equipa madrilista contava nas suas fileiras com Van Nistelrooy, Robinho, Emerson, Cannavaro, Ronaldo, Roberto Carlos e Beckham, com vista ao ataque do título espanhol.

Em Inglaterra, o panorama não mudou muito. De mencionar apenas a ascensão meteórica do Man City que passou de um clube com pouca história e um plantel miserável para um dos big players europeus.

Quem te viu e quem te vê

Em Itália, dominavam AC Milan e Internazionale, lutando avidamente pelo lugar em aberto deixado pela despromoção da Juventus e pela hegemonia do clube de Turim. Na Alemanha, tudo igual, com Bayern a varrer campeonatos durante anos a fio, apenas incomodados por Werder Bremen e Schalke 04 (como os tempos mudam). E em Portugal?

Como não podia deixar de ser, o FC Porto era dono e senhor do futebol. Com um plantel imensamente superior ao dos 2 eternos rivais, o clube da cidade Invicta recuperaria do campeonato anterior perdido há 2 anos perante o SL Benfica e construiria uma equipa alicerçada em Quaresma, Lucho, Lisandro López e Pepe que não daria hipóteses a Liédson, João Moutinho, Simão Saborosa e Luisão. Não deixa de ser curioso que, tal como acontece hoje em dia, tanto Sporting CP, como FC Porto, como SL Benfica fossem constituídos por plantéis de 40 ou 50 jogadores, constituindo uma boa base de trabalho e de dinheiro para épocas vindouras.

A velhinha SuperLiga

A velhice pesa…

Há 11 anos que saiu o Football Manager 2007 e desde então deixamos de poder ver nos relvados estrelas que marcaram as nossas vidas.

Abaixo, uma pequena lista de jogadores que podíamos ainda treinar neste jogo e que marcaram uma era do futebol mundial.

Ronaldo | Real Madrid | 29 anos

Henry | Arsenal | 28 anos

Ryan Giggs | Man Utd | 32 anos

Maldini | 37 anos | AC Milan

As pequenas perólas – o Santo Graal do FM

Desde muito cedo que um dos maiores objetivos do comum jogador de FM é encontrar a próxima grande estrela mundial, ainda a preço de saldos. Este FM não era diferente e, abaixo, encontra-se uma pequena lista dos jogadores destinados a serem estrelas, de acordo com as observações da equipa da Sports Interactive:

  • Sherman Cárdenas: Com 16 anos, o jovem colombiano militava no Bucaranga. Passível de ser contratado por um valor inferior a 1M€, o futuro era risonho para quem conseguisse ganhar a corrida pela sua contratação. Na vida real? Bem, Cárdenas nunca foi capaz de singrar e muitos dizem que o FM foi uma das principais razões para esse fracasso, tendo sido colocada pressão excessiva no jovem jogador.
  • Freddy Adu: Um clássico do FM. O Pelé americano encantava no DC Dallas e era perseguido por todos grandes clubes europeus. Acabou no Benfica, na época seguinte, uma contratação totalmente falhada e que abriu portas para uma descida ao Inferno por parte do jogador americano, que hoje habita escalões secundários de quem ainda lhe der trabalho

  • Anthony Vanden Borre: o jovem belga era um verdadeiro monstro no FM07. Com 18 anos e já 11 internacionalizações pela seleção belga, o lateral direito estava destinado a grandes voos. Não tendo tido uma carreira invejável, não se pode dizer que tenha sido um fracasso, apesar de os seus stats sugerirem voos muito mais altos

  • Rodrigo Palacio: Com 24 anos, o jogador do Boca é um dos melhores avançados do jogo. Os stats não mentem.

  • Eduardo Ratinho: Com 18 anos, o lateral direito brasileiro assumia-se como uma aposta de presente e de futuro. A sua grande capacidade ofensiva superava largamente as suas debilidades defensivas e tornavam-no como uma aposta segura para clubes grandes a médio/longo prazo.

 

Desde então, o futebol mudou e, com ele, o Football Manager. Talvez seja difícil dissociar um do outro, dado que o papel de treinador se celebrizou, se tornou acessível a pessoas cada vez mais jovens (ver por exemplo Nagelsmann). Sem dúvida que este simulador marcou a vida de muitos de nós e reviver tempos tão idos, com tantos ídolos, com tantas mudanças, é uma experiência única e que vos convidamos a viver.

 


One comment

  • Pedro André Carvalho

    Novembro 10, 2017 at 2:09 pm

    Alguém joga FM 2007?
    Precisava de encontrar o perfil de um amigo que está lá mas não encontro nenhuma base de dados do jogo dessa altura.

    Obrigado

    Reply

Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter