20 Ago, 2017

FC Porto: É um problema de eficácia ou de processo?

Diogo AlvesNovembro 28, 20167min0

FC Porto: É um problema de eficácia ou de processo?

Diogo AlvesNovembro 28, 20167min0

Zero. Zero é o número de golos que o Futebol Clube do Porto marcou nos três últimos jogos consecutivos. A crise de golos agudiza-se de jogo para jogo, e mais, a crise será só dos golos? Ou da forma como a bola chega à zona de finalização? Uma questão que só o técnico azul e branco pode responder, mas de conferência em conferência, Nuno Espirito Santo refugia-se apenas, e somente, na «falta de eficácia». Portanto, atira as culpas para o último momento do jogo: a finalização.

O FC Porto continua numa espiral negativa e acumula maus resultados que deixam os adeptos à beira de um ataque de nervos, ansiedade, revolta e sentimento de frustração perante o futebol anárquico, pouco pensado e rudimentar que os dragões têm praticado neste mês frio de Novembro. Novembro ficará marcado pelo mês em que o FC Porto foi eliminado na Taça de Portugal, em Chaves, após 0-0 no tempo regulamentar e prolongamento, os dragões acabaram eliminados nas grandes penalidades. Para piorar adiaram o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, empatando a zero em Copenhaga e viram o rival Benfica aumentar a vantagem pontual. De 5 para 7 pontos.

A SAD quando contratou Nuno Espirito Santo esperava que o treinador português pudesse dar aos jogadores que tem à disposição ferramentas que os levassem de novo à rota dos títulos, mas neste início de época não é isso que se tem visto. Temos visto um Nuno Espirito Santo muito tenebroso e indeciso nas decisões que tem tomado de jogo para jogo. Muda o jogar da sua equipa de jogo para jogo e isso não tem contribuído em nada para o processo evolutivo da ideia de jogo que o técnico portista tanto tem falado ao longo dos últimos meses.

Nuno fala em dinâmicas em vez de sistemas (4.3.3, 4.4.2, etc…), mas não temos visto um Porto com grandes dinâmicas nem ideias em jogo. Defesas-centrais sem apoios na primeira fase de construção, os médios com dificuldades em juntar-se para associarem-se com os avançados, e o avançado – André Silva – a ter de sacrificar-se muitas vezes para comunicar com o resto da equipa em vez de estar numa posição privilegiada onde “apenas” tivesse de finalizar.

Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto Foto: maisfutebol.iol.pt
Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto
Foto: maisfutebol.iol.pt

Tem sido um Porto com um futebol pouco elaborado e daí a pergunta inicial: É um problema de eficácia ou de processo? O que temos visto e cada vez mais é visível é que quando a bola chega à zona de finalização, nem sempre chega nas melhores condições para que os homens mais adiantados consigam ter sucesso na finalização.

Em Belém foi altamente notório a dificuldade que o FC Porto teve em conseguir construir uma jogada com qualidade, apenas uma em que aí sim, pode-se “culpar” Óliver pela decisão duvidosa que tomou quando estava na cara do guarda-redes e decidiu passar em vez de rematar. Mas, tirando essa jogada não houve mais nenhuma em que os avançados, ou médios, pudessem finalizar com qualidade.

Pelo meio há também decisões muito duvidosas que Nuno Espirito Santo tomou ao longo do mês. O afastamento súbito de Yacine Brahimi da equipa quando o argelino é claramente um dos melhores jogadores do plantel, não se entende a sua ausência nas duas últimas deslocações (Copenhaga e Belém), e o porque de não ter entrado com o Chaves ou o Benfica, por exemplo.

Por explicar está também a ausência de Adrián Lopez, Sérgio Oliveira, o porquê de João Carlos Teixeira não ter uma oportunidade digna e justa na equipa e o desaparecimento súbito do capitão Herrera das opções no pós-Benfica. Estará a pagar pelo erro cometido no último lance com o Benfica? Uma questão que só Nuno e a SAD poderão responder.

Empate dramático com o Benfica terá destruído psicologicamente os jogadores?

Foto: maisfutebol.iol.pt
Foto: maisfutebol.iol.pt

O jogo com o Benfica teve uma carga emotiva muito grande em cima dos atletas do FC Porto, mais do que jogar bem, os adeptos e toda a massa associativa pediam que fossem Porto e dessem tudo em campo para conseguir os 3 pontos que tão importantes eram naquele momento, uma vez que podiam reduzir a desvantagem de 5 para 2 pontos.

A mensagem para dentro do grupo era clara: ganhar ou ganhar. E os jogadores entenderam isso, até porque na véspera do jogo Óliver disse que «Domingo vamos morrer em campo» e Felipe nas redes sociais também deixou uma mensagem a toda a nação azul e branca «Vai ser até à última gota de sangue». Portanto, os jogadores estavam decididos em vencer e prometeram a tal raça que os adeptos muito gostam.

E justiça seja feita aos atletas e a Nuno, a primeira parte e os primeiros quinze minutos da segunda parte mostraram que havia um FC Porto decidido a vencer e, mais que isso, houve uma ideia de jogo, houve dinâmica, houve um FC Porto a praticar um futebol que o adepto gosta de ver e se delicia, mas faltou ser contundente na hora de “matar o jogo”.

A vencer por 1-0 Nuno Espirito Santo decidiu recuar a equipa e defender a sete chaves o resultado mínimo. Mas a mensagem que passou para a equipa não foi a melhor e os últimos vinte minutos foram já de extrema dificuldade em conseguir reter bola e colocar o Benfica longe do seu meio-campo. Nuno conseguiu em vinte minutos estragar o que estava de bom na equipa e viu a sua equipa sofrer um golo aos 90+2’ minutos. Dramático e cruel.

Após este jogo o FC Porto não mais marcou, não mais voltou a jogar um futebol refrescante e entretido que mostrou em 60’ minutos com o Benfica e mostrou sinais de fraqueza. Se desportivamente o FC Porto não estava muito bem, parece que psicologicamente este empate com o Benfica esvaziou por completo o tanque motivacional dos jogadores. Amorfos, sem ideias, pouco lestos e muito perdulários em vários momentos.

As ideias do treinador já são tenebrosas, mas que será deste FC Porto com jogadores fisicamente e psicologicamente em baixo? Dias negros aproximam-se e dentro do FC Porto alguém terá de reabilitar rapidamente a equipa para que não se volte a repetir o filme da época passada, de há duas épocas e há de três épocas atrás.

São muitos anos sem conquistar títulos e os adeptos mostram sinais de impaciência e por este andar já nem o amado presidente Jorge Nuno Pinto da Costa fugirá à contestação. O FC Porto precisa rapidamente de reconquistar a cultura de vitória que tem feito tanta falta nos últimos anos.

Foto: maisfutebol.iol.pt
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