21 Ago, 2017

FC Porto: A peça que faltava

Diogo AlvesDezembro 22, 20168min0

FC Porto: A peça que faltava

Diogo AlvesDezembro 22, 20168min0

Costuma-se dizer que há males que vêm por bem, e, no caso do FC Porto, a lesão de Otávio permitiu que o argelino Brahimi voltasse às contas de Nuno Espírito Santo. O regresso de Brahimi foi muito importante, não só no jogo com o Braga – quando entrou para substituir Otávio -, mas em todos os encontros que se seguiram para o FC Porto, entre os quais um desafio decisivo diante do Leicester. Um olhar sobre os Dragões em Dezembro.

Otávio desde que regressou ao FC Porto tornou-se rapidamente uma das principais peças no onze de Nuno Espírito Santo. O pequeno criativo brasileiro teve um início de época soberbo onde encantava os adeptos com dribles desconcertantes que deixavam os rivais de cabelos em pé. Otávio actuava a extremo-esquerdo e relegou para o banco o argelino Yacine Brahimi que no início da época parecia estar de saída do Futebol Clube do Porto. Apesar de não ter muito golo – apenas dois -, o médio brasileiro era fundamental na criação de jogo do FC Porto no último terço.

O bom momento de Otávio terminou com o Braga, embora já nos jogos anteriores o médio brasileiro começasse a dar sinais de alguma fadiga e já não solucionava muito bem os problemas que iam surgindo ao longo do jogo, tornando-se por vezes num jogador que emperrava a equipa.

As soluções para substituir o médio não eram muitas e naquela altura só havia mesmo Yacine Brahimi, que parecia esquecido e até mesmo excluído do plantel do FC Porto,. Mas, por obra do acaso (ou não), a verdade é que nos últimos tempos revelou-se como pedra fulcral nas recentes vitórias dos azuis e brancos. A lesão de Otávio acabou por abrir a porta a Brahimi que parecia, a dada altura, fechada.

Entrou no decorrer do jogo com o Braga – ainda na primeira parte – e foi um dos maiores agitadores do jogo a favor do Porto. É verdade que Rui Pedro foi o herói e Diogo Jota o obreiro, mas muito do jogo ofensivo do Porto passou – e bem – pelos pés de Brahimi.

Cimentou o seu lugar no pós-Braga e não mais saiu do onze, assim como também nunca mais Nuno Espírito Santo mexeu na equipa titular. Nos três jogos seguintes ao seu regresso, Brahimi fez questão de dar sinais de total compromisso com o treinador, com os colegas e com o clube. Mais comprometido em missões defensivas, mas sobretudo mais assertivo nas acções ofensivas. Menos individualista e mais colectivo. O drible em vez do passe estará sempre lá, porque é-lhe intrínseco, corre-lhe nas veias, mas já vemos um Brahimi a usar esse lado mais individual para ajudar mais a equipa e menos para jogar para ele e para a plateia ver.

Diante do Leicester, Feirense e Marítimo, o argelino apontou três golos, um em cada partida. Com o Leicester apontou um dos golos mais bonitos desta fase de grupos da liga milionária: de calcanhar a fazer lembrar outro argelino que passou pelo FC Porto, o inesquecível “mago” Rabah Madjer.

O que trouxe Brahimi à forma de jogar de Nuno

O 4x4x2 de Nuno Espírito Santo ganhou assim dois extremos “puros” em ambos os corredores e possibilitou que Óliver – indirectamente também beneficiou com a saída de Otávio – se posicionasse, em exclusivo, no corredor central ao lado de Danilo. Com Corona e Brahimi a partir dos flancos, a manobra ofensiva do FC Porto melhorou em relação aos jogos anteriores. Viu-se mais dinâmica, mais criatividade, mais fluidez e, finalmente, apareceram os golos.

No entanto, a manobra ofensiva do FC Porto, ainda precisa de ser refinada e terá de levar com afinações nas oficinas do Olival. Ainda é tudo muito feito na base da individualidade e não tanto, para já, com trabalho colectivo através de ideias colectivas ou de jogadas padronizadas. Embora haja sinais de melhorias que podem deixar os adeptos do FC Porto esperançados numa segunda parte da época com melhor rendimento em todas as fases do jogo.

Um FC Porto que cada vez mais é paciente com bola, menos futebol directo e mais pausado, uma construção mais bem definida com Danilo próximo dos centrais, mas a soltar-se cada vez mais, apesar de algumas limitações a nível de visão de jogo, passe e criatividade. Enquanto isso, o criativo Óliver aparece mais numa segunda linha da fase de construção e aproxima-se do último terço do campo, associando-se mais com Diogo Jota e com os extremos Brahimi e Corona.

Os laterais continuam a dar a profundidade e largura nas faixas e deixam que os extremos, Brahimi e Corona, tenham liberdade para aparecer em zonas interiores, que é onde jogadores como o argelino e o mexicano poderão ser mais preciosos para desmontar as defesas compactas que habitam na Liga NOS.

A saída do onze do mexicano Héctor Herrera também tem de ser analisada como algo positivo para a forma como a equipa quer jogar, e não apenas como o “castigo” do pós-Benfica. Com Herrera na meia-direita, o FC Porto era pouco assertivo a atacar e as decisões nem sempre eram as melhores nem as mais céleres, porque Herrera sentia-se como peixe fora de água a jogar numa posição mais de extremo e menos de médio-interior. Tornava muitas vezes o jogo mais físico e pouco fluido e sem a imprevisibilidade e criatividade que há agora com Corona na meia-direita.

[Foto: Record.xl.pt]

O que se segue para Nuno Espírito Santo em 2017

O grande desafio para Nuno Espírito Santo agora em 2017 será o de conseguir trabalhar a manobra ofensiva com o mesmo afinco que fez com a organização defensiva – aí ninguém tem dúvidas que o FC Porto melhorou significativamente. É uma das melhores defesas da Europa com apenas 7 golos sofridos, e para trás ficam 7 jogos sem sofrer qualquer golo.

Essa boa solidez defensiva deve-se muito às boas rotinas criadas entre Felipe e Marcano que contam também com o bom momento de Iker Casillas e o trabalho “invisível” de Danilo, que tem sido fundamental na manobra defensiva da equipa. Danilo tem sido o jogador mais importante para impor uma pressão alta e agressiva no momento da perda de bola. No entanto, sente-se em toda a equipa muito empenho para recuperar logo a bola quando a perde. Tudo muito bem trabalhado até aqui.

Com Brahimi na CAN como será?

Nuno Espírito Santo não terá apenas o desafio mais táctico para solucionar em 2017, o treinador portista terá de agora lidar com a ida de Brahimi para a Taça das Nações Africanas (CAN) já no início de Janeiro. Perderá o jogador mais influente actualmente na manobra ofensiva da equipa, um jogador que lhe estava a trazer golo, assistências e ajudava a desbloquear os jogos quando estes estavam mais complicados.

Voltará a ter Otávio e ganhará um jogador mais altruísta e disciplinado tacticamente ao contrário de Brahimi, mas será que Otávio conseguirá ter o mesmo peso do argelino no onze? Uma resposta que só saberemos em meados de Janeiro, data prevista para o regresso de Otávio, que, por agora, continua em recuperação.

João Carlos Teixeira nas próximas semanas poderá ter a verdadeira oportunidade de se mostrar, e até poderá ser o substituto imediato de Brahimi no onze. Nuno Espírito Santo tem lançado o jogador português nos últimos jogos e este tem entrado sempre para o lugar de Brahimi. Por natureza João Carlos Teixeira é mais um médio-interior, mas também poderá actuar como ala esquerdo no 4x4x2 de Nuno Espírito Santo, uma vez que no Liverpool começou a jogar mais vezes como ala e menos como médio-interior.

João Carlos Teixeira poderá ter a sua oportunidade [Foto: Global Imagens / Leonel de Castro]
 

Em Janeiro abre também o mercado de inverno e o FC Porto, como os outros clubes, estará atento a bons negócios que possam surgir, seja para vender ou para comprar. Nos últimos tempos têm surgido rumores de que os dragões estarão interessados em mais um avançado e a imprensa vai avançado com insistência o nome de Luiz Adriano. Não saberemos se o brasileiro a actuar no AC Milan virá ou não, mas certo é que o Fair-Play estará atento e trará artigos sobre este defeso de inverno.


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