14 Dez, 2017

FC Porto: Um Dragão sem chama em Abril

Diogo AlvesAbril 27, 20176min0

FC Porto: Um Dragão sem chama em Abril

Diogo AlvesAbril 27, 20176min0

A crise dos golos parece ter regressado ao Reino do Dragão, um filme já visto há cinco meses atrás, e, que, aqui já o tínhamos avisado. A culpa é da “eficácia” ou do “processo”? Questionávamos na altura. Cinco meses volvidos e os problemas do FC Porto continuam bem visíveis a todos.

Faltam 4 “finais” para o final da época e os dragões continuam atrás do Benfica, agora a 3 pontos de distância, já foi de apenas 1 ponto, e, em determinado momento houve a oportunidade para realizar uma ultrapassagem ao actual campeão nacional. Os pupilos de Nuno falharam os dois rounds que tiveram para serem líderes da Liga NOS e ainda permitiram que o tri-campeão nacional aumentasse a distância pontual. Fica no ar a ideia de que falta estofo de campeão ao grupo azul e branco. A idade jovem não pode ser usada como desculpa para tudo, quem chega à casa do Dragão sabe que vem para lutar por títulos e jogar debaixo de uma enorme pressão.

O timoneiro azul e branco tem culpas no cartório, o antigo guardião de Deportivo da Corunha e FC Porto continua a acumular erros na forma como monta o onze inicial de jogo para jogo, e, apesar de continuar a falar num processo em evolução, a verdade é que vemos um Porto com um modelo de jogo descontextualizado para a sua realidade, sem evolução e sem ferramentas que ajudem a potencializar jogadores como Óliver, André Silva, Corona e até Brahimi.

O FC Porto vai vivendo imenso das acções individuais para sustentar o seu jogar. Em todos os momentos os dragões vivem muito da qualidade dos executantes e não da qualidade colectiva.

Defensivamente foi montada uma fortaleza e é um dos momentos de jogo – a organização defensiva – que mais vezes foi elogiada pela crítica. Numa análise quantitativa vemos que o Porto melhorou de uma forma superlativa de uma época para a outra, nem há comparação possível com os 39 golos encaixados na época passada por Casillas.

Esta época os dragões são a melhor defesa da Liga NOS – apenas 14 golos sofridos – e uma das melhores dos principais campeonatos. Numa análise mais qualitativa já vemos que, muito do mérito defensivo parte de um conjunto de individualidades que estão ao dispor do clube. Neste caso, Felipe, Marcano e Danilo. Este trio tem sido fundamental. Também Casillas com as suas magníficas defesas tem ajudado – e de que maneira – a manter as balizas da Invicta invioláveis. Assim como na organização ofensiva também na fase defensiva os azuis e brancos apoiam o seu processo num conjunto de acções individualizadas e não em mecanismos e dinâmicas colectivas.

Sem ideias e sem critério…

[Foto: www.fcportonosjornais.blogspot.pt] Com Brahimi o rendimento de todos melhorou bastante.
 

Sem Brahimi o FC Porto empobrece bastante na fase mais decisiva do terreno, a magia do astro argelino é fundamental para rasgar as defesas contrárias, inventar, procurar espaços e servir em condições os avançados residentes. A expulsão diante do Braga fez disparar os alarmes do Dragão, ainda por cima com Corona – de novo – lesionado os portistas diante do Feirense viram-se privados dos dois maiores artistas.

Com o Feirense notou-se todas as dificuldades que a equipa tem mostrado nos últimos tempos. Sem criatividade, ideias e critério. Basearam o seu jogo na procura incessante dos corredores laterais – sobretudo Alex Telles – e apostaram em chegar ao golo através de cruzamentos para a área. Caótica e aleatória a forma como iam chegando à baliza do Feirense. Confiavam no lado mais imprevisível do jogo, uma bola pelo ar, um canto ou um livre.

A dupla que não é dupla

[Foto: www.11tegen11.net]
 

Com ajuda deste mapa de redes-sociais que vão acontecendo ao longo do jogo, é possível ver que André Silva e Soares não comunicam (através de passes) entre si. Uma dupla de avançados tem de viver em sintonia, criar as suas dinâmicas (sem fugir ao padrão colectivo) e ajudar-se entre si.

Os dois avançados jogam longe um do outro, quase não convivem dentro da área do adversário. André Silva desloca-se para o corredor direito e Soares cai muitas vezes no corredor esquerdo. Ambos vivem melhor dentro da área, mas por algum motivo, que só Nuno saberá, os dois têm jogado em zonas exteriores.

Em contra-relógio até ao fim

Um dos passos que terá de ser dado para os quatro jogos que faltam é voltar a associar os dois avançados. Voltar a criar mini sociedades entre jogadores para conseguirem resolver os problemas que irão encontrar em Chaves, na Madeira, com o Paços de Ferreira em casa e com o Moreirense.

Esteticamente já não veremos nada demais nestes próximos jogos, o tempo é pouco para grandes inovações e agora o que realmente importa são os três pontos. O técnico azul e branco e o seu staff terão de tentar pelo menos criar alguns mecanismos e dinâmicas simples para que os criativos como Óliver, Corona e Brahimi consigam impor a sua magia em campo. Deixar de lado a nuance de André Silva no corredor, exterminar com os movimentos exteriores de Soares e focá-lo para estar no seu habitat que é a grande área do adversário. Permitir que haja mais corredor central e um jogo mais metódico em busca do golo e não querer chegar ao golo através da garra, da aleatoriedade e do lado mais caótico do jogo.

O tempo corre contra Nuno e os seus pupilos, mas já vimos um pouco de tudo ao longo dos últimos anos no campeonato português. Achar que isto está decidido é um erro.


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