25 Set, 2017

Futebol Clube Porto 2016/2017 – Balanço

Diogo AlvesMaio 29, 201714min0

Futebol Clube Porto 2016/2017 – Balanço

Diogo AlvesMaio 29, 201714min0

Mais uma época se passou, e, volvido mais um ano o balanço feito para os Dragões continua a ser pouco positivo. Nova época sem conquistas que marca o fim da uma hegemonia portista que durava há mais de 30 anos.

“É um momento de grande emoção, de enorme prazer e é uma honra estar aqui e sentir que fui a pessoa em que o FC Porto confiou para ser treinador para a próxima temporada. Creio que não é o momento de promessas, mas de garantias. Sou uma pessoa que segue as suas convicções e que tem uma convicção absurda de que podemos ganhar sempre. Garanto à nação portista que com trabalho e união vamos conseguir o que todos pretendemos, que é ganhar”.

Estas foram as primeiras palavras de Nuno Espírito Santo há sensivelmente um ano no relvado do Dragão aquando da sua apresentação como treinador-principal dos azuis e brancos. Palavras fortes, ambiciosas e de esperança dirigidas a toda a nação portista que ouvia atentamente o novo timoneiro. O homem que há uns anos, numa célebre conferência de imprensa, foi autor da palavra “Somos Porto” que hoje vulgarmente é utilizada. Esperava-se o regresso da mística e de alguém que coloca-se o clube na rota dos títulos.

Nuno Espírito Santo recebeu em mãos um plantel com algumas lacunas – não tantas como se quis passar – a nível defensivo, e, sem um avançado de créditos firmados, alguém com maior maturidade competitiva. Houve também casos estranhos como o “vende, não vende” de Yacine Brahimi, o afastamento e logo depois a reintegração de Adrián Lopez. Houve também a aposta numa fase inicial da pré-época em Vincent Aboubakar, Juanfer Quintero e Josué, mas, que na hora da verdade acabaram dispensados. Sentia-se a necessidade de ir ao mercado contratar mais um defesa-central e um avançado para competir com André Silva.

O plantel foi emagrecendo mas ainda assim foram ficando algumas “gorduras” como Evandro, Sérgio Oliveira e Adrián Lopez (que numa fase ainda chegou a ser aposta) as quais só foram resolvidas pelo novo director-geral Luís Gonçalves no mercado de inverno.

INVESTIMENTO DEFENSIVO

Os reforços foram chegando a conta-gotas e só mesmo no dia 31 de Agosto já pela noite dentro o plantel ficou completo com a entrada de Boly. O defesa-central que faltava para ser alternativa a Felipe e Marcano.

O investimento desta época foi todo canalizado para o reforço defensivo, o sector que na época de 2015/2016 mais críticas recebeu. Da época passada manteve-se Layún, Maxi e somente um defesa-central, o espanhol Iván Marcano.

Um dos grandes louros de NES esteve na forma como conseguiu montar muito bem a sua teia defensiva durante toda a época. Além do quarteto defensivo conseguiu ainda potencializar ao máximo Iker Casillas e o médio-defensivo Danilo Pereira. Estes seis jogadores foram fundamentais na temporada e só mesmo lesões ou castigos os afastaram das escolhas iniciais.

O FC Porto terminou a época com menos onze golos sofridos em relação à época passada, desta vez sofreu apenas 19 golos e foi durante largas jornadas a melhor defesa do campeonato, e, também da Europa. É factual que em termos defensivos o trabalho do timoneiro azul e branco foi meritório.

MARASMO OFENSIVO

Se do ponto de vista defensivo a época esteve dentro das expectativas – até mais tendo em conta os números da época passada -, do ponto de vista ofensivo a época não foi um regalo para a vista. Apesar de os números – por mais incrível que pareça – nos dizerem exactamente o contrário. Foram 72 golos marcados – menos um que o campeão nacional Benfica.

As equipas de Nuno Espírito Santo nunca foram conhecidas por terem uma grande organização ofensiva, de resto nas épocas do Rio Ave os vila-condenses eram conhecidos por ganhar mais pontos fora de casa do que em casa. Não gostam de assumir o jogo as equipas do (agora) ex-treinador do FC Porto. E isso como se sabe é um contra-senso muito grande quando pensamos que os dragões têm de assumir o jogo e manipular o adversário através da posse de bola.

As ideias ofensivas foram sempre muito viradas para o lado mais individual e menos colectiva do grupo. Viveu sempre das referências individuais. Numa primeira fase da época graças à afirmação de André Silva na frente de ataque e na criatividade de Otávio. Mais tarde coube a Yacine Brahimi tomar conta da batuta ofensiva.

O avançado para competir com André Silva só chegou em Janeiro, talvez já tarde demais, uma vez que, a primeira opção passou por Laurent Depoitre, um avançado belga totalmente desconhecido do público em geral e até do presidente.

Ainda hoje está-se para perceber as razões que levaram o FC Porto a comprar o “pinheiro” Belga ao Gent por uma módica quantia de 6,5M€. Ainda assim conseguiu ser decisivo contra o Desportivo de Chaves numa altura do jogo que o FC Porto perdia por 1-0, foi o belga que empatou o jogo e ajudou na reviravolta.

O OXIGÉNIO VINDO DA FORMAÇÃO

O momento marcante da temporada teve como protagonista um Sub-19. Rui Pedro de apenas 18 anos. O inexperiente avançado foi uma carta lançado numa altura em que os dragões atravessavam a maior seca de vitórias da época. Eram seis jogos sem vencer, entre Liga NOS, Liga dos Campeões e restantes competições internas.

O jogo com o SC Braga foi o ponto de viragem, e, quando já se esperava pelo sétimo empate consecutivo, um passe de Diogo Jota isolou o jovem de Cinfães e este “só” teve de picar a bola – cheio de classe – sobre Marafona.

Este jogo marcou um ponto de ruptura com os seis jogos que ficaram para trás e deram ao timoneiro e ao clube um balão de oxigénio para atacar as jornadas que faltavam até à pausa natalícia. As exibições foram melhores, houve afirmação definitiva de Brahimi, melhoraram os resultados e houve uma aproximação clara ao líder do campeonato.

[Foto: maisfutebol.iol.pt]

DA AFIRMAÇÃO AO ESQUECIMENTO

André Silva prometeu e cumpriu. O jovem gondomarense na época passada deixou boas sensações quando foi chamado à equipa principal pela mão de José Peseiro. O avançado teve um arranque de época muito bom, e, como qualquer avançado que se preze, conseguiu fazer o gosto ao pé por várias vezes. A afirmação foi imediata e rapidamente conseguiu a chamada à selecção principal.

No decorrer da época o rendimento foi sendo inconstante, apesar dos bons sinais demonstrados no início da mesma, o rendimento colectivo acabou por prejudicar o individual de André Silva. E como os golos não apareciam as culpas foram começando a ser colocadas em André Silva.

Como aqui já analisamos as tarefas do artilheiro-mor (antes de Soares) dentro de campo eram, por vezes, algo exageradas para aquelas que um ‘9’ deve ter em campo. Não raras vezes desgastava-se com acções que em nada o ajudavam para ter frescura naquilo que é mais forte: a finalização. Um problema de impetuosidade e de excesso de tarefas dadas por Nuno Espírito Santo.

A época do internacional A foi de mais a menos, e, depois de experiência como extremo-direito acabou mesmo por cair do onze portista. A chegada de Tiquinho Soares acabou por relegar para segundo plano a jóia do Dragão. Um término de época bastante abaixo do que seria de esperar. Ainda assim para época de estreia foram 21 golos em 44 jogos.

O DESCARRILAMENTO DO COMBOIO

[Foto: sicnoticias.sapo.pt]
 

A máquina azul e branca a determinado momento pareceu ter entrado nos eixos, e, após o empate na Mata Real, na 16ª jornada, os azuis e brancos puseram pés a caminho e melhoraram de forma exponencial os seus resultados. Foram nove vitórias em nove jogos consecutivos.

Neste iate de tempo houve a chegada de Tiquinho Soares que ajudou bastante ao óptimo momento de forma do FC Porto. Dava boas sensações o momento que se vivia no Dragão e tudo parecia estar a conjugar-se para que houvesse um final feliz. Vitórias em catadupa, entre as quais uma por 7-0 ao Nacional da Madeira no reduto azul e branco.

O comboio do Dragão ia a uma velocidade elevada e parecia chegar a bom porto, no entanto, tudo começou a desmoronar-se em casa contra o Vitória FC em vésperas da ida ao Estádio da Luz. Um empate que acabou por tirar a oportunidade aos dragões de assaltarem a liderança da Liga NOS.

Os empates após a jornada 26 voltaram em força e as boas sensações voltaram a dar lugar à incerteza e ao desespero entre adeptos, e, também deu sinais de chegar aos jogadores. As exibições eram más e os resultados por arrasto também o eram.

Voltou o fantasma da (in)eficácia. Já nem Tiquinho Soares conseguiu salvar a honra do Dragão, sobretudo desde que sentiu ser o artilheiro-mor do Dragão, o rendimento do brasileiro, que chegou em Janeiro vindo do Vitória SC, baixou jogo após jogo, já não era o mesmo. Nem ele, nem o mesmo grupo que tinha conseguido nove vitórias em nove possíveis. Um descarrilamento há muito anunciado na recta final da Liga NOS.

FALTA DE EXPERIÊNCIA OU DE MAIOR OUSADIA?

Nuno mostrou sempre ser um treinador conservador. [Foto: DN.pt]
 

É factual que o plantel azul e branco é jovem e faltou alguma ponta de maior maturidade e/ou experiência em momentos decisivos da época. Como foi a deslocação à Luz e os jogos em que, uma vitória poderia levar os portistas para a liderança isolada do torneio.

Nos momentos de maior tensão / pressão não houve discernimento suficiente. E em muitos momentos sentiu-se a falta de ousadia do timoneiro. Na forma pausada como abordava os jogos nas conferências de imprensa (não passava mensagens fortes para o exterior e interior), e nas escolhas técnicas e tácticas que foi fazendo ao longo do tempo.

O conservadorismo esteve sempre presente e, inclusive, na última jornada do campeonato, sem nada a ganhar ou perder, esse conservadorismo não deixou de existir. Em momentos oportunos não houve maior ousadia, assumir o risco e procurar somar mais alguma coisa ao jogo que não faço o previsível, o lado mais seguro.

Um problema que parece já ser intrínseco de Nuno Espírito Santo, um modo de estar dentro do futebol. Muito seguro, muito equilibrado e sem fugir muito a esse padrão da segurança máxima. Prepara o jogo com um objectivo muito claro: não o perder. Falta dar o passo seguinte, assumir mais o jogo e preparar os jogos para vencer, sem ter em mente que um ponto pode ser suficiente. Sobretudo quando estamos a falar de um clube como o FC Porto.

RESTANTES COMPETIÇÕES

A época do Futebol Clube do Porto começou com um teste de fogo, o jogo com a AS Roma a contar para o Play-Off da Liga dos Campeões. Um jogo de máxima importância até para as contas do clube que procurava o encaixe financeiro para atacar ainda o mercado, e, com isso atrair ainda mais 2/3 jogadores. Foi que aconteceu, chegou Óliver Torres, Diogo Jota e Boly.

Uma eliminatória de risco, mas de uma certeza inicial, passar este teste era uma demonstração de força. Melhor o jogo em Roma que no Dragão, logo a começar pelo resultado, como é óbvio, mas também, muito pela qualidade exibicional. Algo atípico em Roma, com duas expulsões para os romanos, num jogo que culminou com uma vitória sem espinhas por 3-0.

A carreira europeia foi inconstante e chegou a correr riscos. Num grupo extremamente insólito com Leicester, Copenhaga e Brugge, a decisão final ficou guardada para a última jornada onde os dragões conseguiram o 2º lugar com uma vitória esmagadora de 5-0 sobre o Leicester. Chegados aos oitavos de final e defrontado a Juventus era impossível pedir mais. Em suma, cumpriram com os objectivos estabelecidos. Chegar à fase de grupos e depois aos oitavos de final.

Nas Taças internas, os dragões não fizeram boa figura. Em ambas foi eliminado por muito cedo, na Taça de Portugal caíram em Chaves, num jogo muito polémico. E na Taça da Liga ficaram-se pela fase de grupos da prova. Um desempenho muito pobre, sobretudo na Taça de Portugal.

QUE FUTURO PARA O FC PORTO?

Qual será o projecto que Jorge Nuno Pinto da Costa apresentará ao novo treinador? [Foto: rr.sapo.pt]
 

O futuro não avizinha-se risonho, muito pelo contrário, há a necessidade de fazer urgentemente receitas a rondas os 115M€ para escapar a uma multa pesada da UEFA por incumprimento do Fair-Play Financeiro.

Novamente o timoneiro cai, o elo mais fraco é sempre o treinador e o caminho mais fácil é o de rescindir contrato com o mesmo. Ainda que, de certa forma, era já anunciado que NES pudesse sair do clube, por todas as razões. Resultados, falta de títulos e um futebol triste, pobre e que definitivamente não se coaduna com o Porto.

Ainda sem novo treinador, a resposta urge e tem de marcar pela diferença. Os adeptos já começam a desconfiar da capacidade de decisão da actual SAD, a resposta dos mesmos terá de ser afirmativa e audaz.

A massa associativa chama por alguém que marque pela diferença e com um passado de sucesso, ideias fortes, mas também, um modelo de jogo ofensivo, alguém que tecnicamente e tacticamente seja superlativamente superior aos antecessores. Um discurso forte e cativante e um bom condutor de homens, alguém que saiba liderar e potencializar todas as unidades do plantel.

DISTINÇÕES FAIR-PLAY

Jogador do Ano: Danilo Pereira

Revelação do Ano: Alex Telles

Desilusão do Ano: Miguel Layún

Melhor Guarda-Redes: Iker Casillas

Melhor Defesa: Iván Marcano

Melhor Médio: Danilo Pereira

Melhor Avançado: Francisco Soares

GOLO DO ANO

DEFESA DO ANO

ONZE DO ANO


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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