22 Out, 2017

Faz, Jesus, milagres?

Marcelo BritoSetembro 29, 20163min0

Faz, Jesus, milagres?

Marcelo BritoSetembro 29, 20163min0

Deixando de lado uma introdução dramática e pouco lógica, passamos rapidamente à resposta: Não! O que não quer dizer que não roce o ‘milagre’, para os mais fiéis. Nem precisaríamos de falar no caso do Sporting e podíamos perfeitamente passar, de forma imediata, para os seis anos que o amadorense passou ligado aos conterrâneos lisboetas, Sport Lisboa e Benfica.

Os mais distraídos esquecem-se da enorme recuperação que ‘JJ’ fez, trazendo o Benfica de novo para a ribalta. Foi chegar, ver e vencer. Literalmente. Conquistou o primeiro campeonato nacional em 2009/10, deixou-se surpreender pelo jovem André Villas-Boas e pelo inesperado Vítor Pereira nos três anos seguintes, mas ofereceu a Luís Filipe Vieira o desejado bicampeonato. Atingiu finais europeias, valorizou jogadores em preços astronómicos e afirmou as águias no panorama nacional. Muito bem, temos aqui uma síntese de JJ de águia ao peito. Mas o que está presente na cabeça dos portugueses, ou daqueles que se lembravam em 2015 que o futebol existe, é o Sporting de Jesus. Perdão, o Sporting Clube de Portugal treinado por Jorge Jesus. E como ‘JJ’ nos habituou, foi chegar, ver e vencer. Conquista o primeiro título no seu primeiro jogo oficial (depois de vencer dois torneios de pré-época, valha o que valha) e vocês sabem bem a quem… Para a Taça eliminou… sabem bem quem e, para o campeonato, no seu antigo habitat natural, humilhou em poucos minutos o seu sucessor nas águias. Falhou redondamente o objectivo de conquistar o campeonato nacional, mas fez renascer um Sporting que, eu particularmente, nunca vi jogar. Lembro-me dos dois últimos títulos dos leões, das suas equipas, dos golos, mas não era um fã acérrimo de sistemas tácticos, movimentações, transições, superioridades numéricas, entre outros. Valorizou, tal como no rival, jogadores a valores astronómicos e recolocou o Sporting na rota dos dois maiores clubes nacionais nos últimos anos (de títulos falo).

Agora, ao ver um jogo do Sporting, sei – isto se o navio leonino não voltar a naufragar em rios como o do Ave – que irei ver espectáculo; irei ver futebol no seu sentido literal; irei ver jogadores de 300 mil euros ou ‘de borla’ a serem vendidos por dezenas de milhões e sei que Jesus fez, mais uma vez, um milagre. O Sporting está a atravessar a fases ‘Jesus’ e sei que por trás de Jesus existirá, esse sim por muito anos, um Bruno de Carvalho. Eu ia chamar-lhe presidente, mas o homem é um hooligan disfarçado. E atenção, isso não é mau! É extremamente bom. Os hooligans lutam pelo clube que amam.

Foto: rr.sapo.pt
Foto: rr.sapo.pt

Artigo da autoria de Marcelo Brito


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