22 Out, 2017

Secretários de Estado da Defesa

António Pereira RibeiroAgosto 18, 20165min0

Secretários de Estado da Defesa

António Pereira RibeiroAgosto 18, 20165min0

As duas equipas menos batidas da Major League Soccer defrontaram-se no passado fim-de-semana, ocorrência que motivou um desfile ímpar de figuras dos sectores mais recuados. Homens que se batem como poucos pela inviolabilidade das suas balizas, contra os avançados mais ferozes. Indivíduos que podiam estar na calha para ocuparem o cargo de Secretário de Estado da Defesa. Vamos conhecê-los melhor.

Os emblemas com o processo defensivo mais eficaz moram na Conferência Oeste. No topo da estatística surgem os Colorado Rapids, que encaixaram 20 golos em 23 jogos disputados, e logo a seguir aparecem os Los Angeles Galaxy, com 23 tentos contra em igual número de partidas. Ambos os conjuntos actuam num 4x2x3x1, onde dois médios fortes formam a primeira barreira defensiva da equipa. No caso dos Rapids, essa parelha tem sido especialmente determinante no sucesso dos dois terços de época que já correram.

Falamos de Sam Cronin e de Michael Azira, futebolistas cuja eficiência não coincide com a parca atenção mediática que lhes é atribuída. Cronin, o capitão, lidera através do exemplo. Exibe semanalmente enormes índices de trabalho e uma capacidade de sacrifício invulgar. Chegou mesmo a ser internacional norte-americano por duas ocasiões em 2009, e uma nova chamada não seria de todo desajustada. Pouco vistoso, mas fundamental. Um pouco como Azira, ugandês especializado no roubo de bolas e no passe curto. Jogador claramente subvalorizado nos tempos em que pertencia aos quadros dos Sounders, acabou dispensado do clube de Seattle. Felizmente, Pablo Mastroeni conseguiu recuperá-lo, e a titularidade fez-lhe bastante bem, ao contrário do que muitos poderiam pensar. Apesar do recente par de jogos menos feliz, há que ressalvar o papel de Azira no êxito colectivo em 2016.

Recuemos até ao eixo defensivo de Colorado, onde encontramos Alex Sjöberg. A sua época de Rookie viu-se abafada por problemas físicos e pela temporada negativa dos Rapids, mas o segundo acto na MLS tem sido excepcional. O central sueco perfila-se como um dos mais fortes candidatos a arrecadar o troféu de Defesa do Ano. É ele o principal rosto do acerto defensivo dos Rapids.

Um acerto que também teve o contributo do promissor guardião Zac MacMath, pelo menos até à chegada de uma lenda. “Independentemente do que eu fizesse em campo sabia que era inevitável ser substituído”, confessou o jovem norte-americano, assim que se viu revezado por Tim Howard a meio do Verão. As grandes exibições protagonizadas na primeira metade de 2016 reforçaram a frustração de um jogador que fez de tudo para provar que o seu lugar era na baliza e não no banco de suplentes. As propostas surgiram naturalmente, mas os Rapids recusaram-se a libertar MacMath, reconhecendo a sua utilidade num futuro próximo.

Quanto a Tim Howard, sete jogos bastaram para comprovar o seu estatuto de intocável. Multiplicam-se as intervenções soberbas, a fazer lembrar os tempos em que ainda representava os New York Metrostars. Os seus reflexos mundialmente conhecidos já valeram alguns pontos, e vão mantendo os Rapids na luta intensa pelo título da Fase Regular.

Saltemos agora até à baliza dos Galaxy, defendida estoicamente por Brian Rowe. Foi suplente de Jaime Penedo e de Donovan Ricketts. Começou 2016 na condição de alternativa ao calejado Dan Kennedy, só que uma lesão inesperada do suposto nº1 logo no arranque do campeonato abriu as portas a Rowe. Hoje é um dos favoritos a conquistar a nomeação de Guarda-Redes do Ano. No jogo do último fim-de-semana, Rowe sofreu um choque violento que o afastará dos relvados durante alguns dias, mas Kennedy não terá tempo de se habituar ao lugar. Podem chamar todas as estrelas dos Galaxy, que Rowe continua a ser o Jogador Mais Valioso do plantel californiano.

À sua frente reside a dupla de centrais mais complementar e eficiente da prova: Daniel Steres e Jelle Van Damme. O norte-americano estreia-se na MLS, após ter protagonizado três épocas fantásticas no terceiro escalão, onde foi nomeado Defesa do Ano em duas ocasiões, ao serviço das reservas dos Galaxy. A ascensão à primeira equipa é uma aposta ganha de Bruce Arena, e as suas exibições já despertaram o interesse do Maccabi Haifa. Para o seu crescimento futebolístico, ajudou certamente a companhia de um jogador experiente como Van Damme. Campeão belga, holandês, e internacional pelo seu país, acumula credenciais que são continuamente corroboradas no relvado. Agressivo por natureza, forma um triângulo difícil de ultrapassar com Steres a seu lado e Nigel de Jong na posição de trinco.

Por vezes, a melhor defesa é mesmo a defesa. Cumprindo este lema, os Rapids seguem a sua caminhada fora dos radares mediáticos na segunda posição da classificação global, ao passo que os Galaxy se situam no quarto posto. As contas finais tratarão de nos mostrar a real importância da solidez defensiva na luta pelo sucesso na Major League Soccer. O próximo desafio dos californianos será uma exigente deslocação ao Yankee Stadium, enquanto os Rapids receberão o Orlando City SC, procurando atacar a liderança que está apenas a três pontos de distância.


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