23 Nov, 2017

Quatro dilemas por solucionar

António Pereira RibeiroOutubro 4, 20166min0

Quatro dilemas por solucionar

António Pereira RibeiroOutubro 4, 20166min0

As dúvidas e interrogações encontram terreno fértil para se desenvolverem na Major League Soccer à medida que a Fase Regular caminha para o seu final. Restam três semanas de competição antes dos Playoffs, e ainda há muito em jogo, quer colectiva quer individualmente. Conheça as principais contendas que prometem incendiar os relvados norte-americanos em Outubro.

Dois candidatos, um troféu

Apesar de toda a gincana percorrida, o FC Dallas consegue chegar ao último mês da Fase Regular na liderança, com os mesmos cinco pontos de vantagem que tinha no começo de Setembro. Para tal feito, poderá ter arriscado demasiado na sua campanha na Liga dos Campeões. É a ideia que ficou após o nulo caseiro obtido diante do Suchitepequez. Ainda assim, nada que um triunfo convincente na Guatemala não resolva.

Quanto à realidade doméstica, os texanos sobreviveram no difícil terreno do Utah contra o Real Salt Lake, e afastaram os Galaxy definitivamente da corrida com uma vitória caseira no último fim-de-semana. Pelo meio, conquistaram a Taça dos EUA. Fizeram tudo isto sem a sua estrela Fabian Castillo, que entretanto rumou aos turcos do Trabzonspor. Os comandados de Óscar Pareja merecem este título, nem que seja por terem resgatado a lenda guatemalteca Carlos Ruiz, arma secreta do banco de suplentes.

O rol de perseguidores à liderança foi-se dissipando progressivamente ao longo destas semanas, e os Rapids lutam agora sozinhos. O emblema de Colorado ameaça quem vai na frente, não tanto pelos pontos que tem, mas pelos pontos que pode vir a somar. Cinco pontos e dois jogos a menos, como mostra a seguinte tabela classificativa. Caso alcance a proeza de amealhar os doze pontos possíveis, o título da Fase Regular pertence-lhes.

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Os Rapids têm a seu favor o facto de se perfilarem como a única equipa da prova invicta no seu terreno, onde só sofreu dez golos nas quinze partidas realizadas. Aliás, estamos a falar da melhor defesa da MLS, com 27 tentos contra. Esta fortaleza valeu-lhes recentemente uma vitória histórica no campo dos líderes FC Dallas, lugar imbatível por forasteiros há mais de um ano. Ter Tim Howard na baliza é uma preciosa ajuda.

Mas se saudamos a defesa menos batida da prova, também há que ressalvar que se trata do segundo pior ataque, com 33 golos apontados. A lesão prolongada de Jermaine Jones retirou entusiasmo à guerrilha ofensiva, e os momentos fantásticos que o albanês Shkelzen Gashi vai protagonizando não podem existir isoladamente. A pensar nisso, a contratação de Sebastien Le Toux veio oferecer mais uma opção de qualidade na frente de ataque, já para não falar do jovem Caleb Calvert, visivelmente ansioso por fazer uma gracinha.

Últimos lugares na carruagem dos Playoffs

Tanto a Este como a Oeste, ainda existem batalhas cerradas pela presença na fase decisiva da temporada. Philadelphia Union e New England Revolution lutam a Este, enquanto Sporting Kansas City e os campeões em título Portland Timbers defrontam-se a Oeste. Do ponto de vista puramente matemático, outros emblemas poderiam integrar esta discussão, mas acreditamos que se resumirá sobretudo a estes dois “mano a mano”.

Os Union perderam três dos últimos cinco jogos, mesmo com o contributo de Alejandro Bedoya, que tem estado à altura das expectativas. Ora no sentido inverso caminham os Revolution, registando quatro triunfos em cinco partidas. Graças a esta inesperada conjunção de resultados, a turma de New England reapareceu na corrida, situando-se agora a três pontos de distância da derradeira oportunidade de alcançar os Playoffs. O triunfo esclarecedor diante do Sporting KC demonstrou confiança e personalidade, factores determinantes na recta final da competição. Isso e a forma fantástica de Juan Agudelo e Kelyn Rowe ajudam a explicar este súbito salto na classificação.

No Oeste, a história é um pouco diferente. Sporting KC e Portland Timbers encontravam-se bastante confortáveis nos seus lugares acima da linha vermelha durante muitas jornadas, até que o fenómeno Sounders lhes estragou o sossego. Quatro vitórias consecutivas para os lados de Seattle, e de repente, ficaram para trás, sujeitos a lutarem um contra o outro. O regresso de Graham Zusi após lesão poderá ser fundamental para o Sporting KC superiorizar-se aos campeões em título, mas tudo pode acontecer.

O jogador mais valioso

Sebastian Giovinco, que admitiu recentemente a possibilidade de terminar a sua carreira futebolística em Toronto, foi considerado o melhor jogador do ano na sua época de estreia, liderando a prova no número de golos e de assistências. Em 2016, preparava-se para repetir a sua caminhada solitária, com passadas largas, em direcção ao troféu individual. Contudo, uma lesão na coxa afastou o jogador italiano dos relvados no decurso da 26ª jornada, dando oportunidade a outras figuras de se intrometerem na briga pelo prémio de Jogador Mais Valioso. Craques como David Villa ou Ignacio Piatti.

Aos 34 anos, Villa lidera a lista de melhores marcadores com 21 remates certeiros, empurrando desta forma o New York City FC para os primeiros Playoffs da sua história. O capitão dos nova-iorquinos consegue catapultar os nova-iorquinos para um nível competitivo superior, através da maneira como deixa as defesas adversárias sem réplica. Apesar do estatuto internacional de que goza, dá tudo em cada lance até ao apito final.

Quanto a Ignacio Piatti, os responsáveis do San Lorenzo anunciaram publicamente a intenção em fazer regressar o argentino à sua terra natal. Não é por acaso. O extremo-esquerdo dos Impact tem estado imparável em 2016, somando para já 15 golos e 6 assistências. A sua capacidade de driblar o adversário que continua a surpreender aos 31 anos será um trunfo importantíssimo nos Playoffs.

Giovinco, Villa ou Piatti? Tudo indica que o italiano retorne aos relvados já na próxima ronda, fazendo com que as duas derradeiras partidas da Fase Regular sejam uma interessantíssima luta a três, pelo título honroso de futebolista mais valioso do ano da MLS.

Luta pelos golos

David Villa pode liderar a lista de goleadores da prova, mas não o faz isoladamente. Tem a companhia de Bradley Wright-Phillips. Nenhum outro avançado inglês do mundo marcou mais golos nos últimos três anos do que Wright-Phillips. 65 tentos colocam-no igualmente no topo dos marcadores da história dos Red Bulls. Os dois “matadores” têm agora 120 minutos para decidir quem é o futebolista mais prolífero do ano.


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