20 Fev, 2018

Espanha x Portugal – 19 de Julho – A Estreia

Silvia BrunheiraJulho 20, 20179min0

Espanha x Portugal – 19 de Julho – A Estreia

Silvia BrunheiraJulho 20, 20179min0

No primeiro jogo de participação inédita, estreando-se no Europeu de Futebol Feminino na Holanda, Portugal apresentou-se num sistema de 4-3-1-2 com Patrícia Morais na baliza, Ana Borges a defesa direito, Sílvia Rebelo e Carole Costa como centrais e Dolores Silva a defesa esquerdo. No centro do terreno, Tatiana Pinto dividindo tarefas com Suzane Pires e Vanessa Marques. No centro, à frente da linha média, a capitã Cláudia Neto e Diana Silva e Ana Leite na linha avançada.

Penso que um dos objectivos principais de Portugal nesta competição, seria pontuar e ganhar confiança para os duelos seguintes. Neste jogo, em particular, seria importante manter a estrutura defensiva intacta para contrariar o ímpeto do jogo atacante espanhol e adiar o golo para a favorita Espanha, tendo em conta a sua qualidade e experiência nestes palcos de maior exigência. O primeiro de 3 jogos para levar o sonho o mais além possível.

Confesso que esperava uma equipa algo diferente, mas esta é apenas a minha expectativa com o que observo de fora, não tendo toda informação do decorrer do estágio e aí, cabe ao Treinador Francisco Neto escolher as melhores jogadoras naquele momento. Contudo, foi com alguma surpresa que vi a Ana Borges numa posição mais recuada, embora tenha demonstrado grande polivalência e qualidade nesta posição em ocasiões anteriores. Na 1ª parte a Ana Leite que ocupou a sua posição passou ao lado do jogo, sem qualquer hipótese de desenvolver o ataque bem como Diana Silva, até porque Portugal manteve-se nos 45 minutos iniciais a defender atrás da linha de meio-campo. Podia, a meu ver, a Ana Borges avançar para extremo direito e colocar a Matilde Fidalgo (que ficou no banco de suplentes) a defesa direito, sendo estas as suas posições de raiz respectivamente.

Parece-me também que num jogo com pouca posse de bola para Portugal e 79% (!) para a Espanha durante a 1ª parte, a Vanessa Marques poderia dar lugar à Melissa Antunes, à Amanda da Costa ou à própria Fátima Pinto, uma vez que a primeira é uma jogadora mais de transição e possante com bola e não tão disponível para os processos defensivos. Penso ainda que a Dolores Silva é sempre uma mais-valia na luta no meio-campo que não terá tanta influência na posição de defesa direito, muito embora com uma postura idêntica na forma determinada e aguerrida com que aborda os lances. Mas no meio campo, as recuperações de bola que faz auferem à equipa ocasiões mais perigosas, bem como a sua capacidade de anular espaços às adversárias em situações cruciais, à frente da sua defesa.

Durante os primeiros 20 minutos Portugal apresentou uma postura alerta, defensiva e até organizada, com as linhas e os sectores juntos e compactos, o que fazia prever um jogo de paciência e sacrifício para abordar as falhas da equipa espanholaatravés do factor surpresa, jogando em contra-ataque. O jogo decorria praticamente no meio-campo português, com as espanholas a estudar os posicionamentos das portuguesas e procurando a melhor estratégia para desequilibrar a sua estrutura. Aos 20 minutos, boa jogada da Espanha que termina num remate na linha da grande área, contrariado com grande defesa da guardiã Patrícia Morais.

Contudo, a Espanha revelou grande superioridade quando começou a acelerar o jogo com incursões várias pelos poucos espaços dados por Portugal. Com uma troca de passes impressionante, alternando de flanco invariavelmente, começou a criar oportunidades mais objectivas, até que aos 23 minutos, numa falha de marcação por parte de Sílvia Rebelo, Vicky Losada isola-se apenas com Patrícia Morais pela frente que pouco podia fazer, e marca o primeiro golo para o lado direito da guardiã lusa.

Depois do golo notou-se algum nervosismo por parte da equipa das quinas, provocando alguns sustos com mais algumas incursões das espanholas na área portuguesa que quase concretizavam em golo uma vez mais. Destaco a capacidade física da Espanha que não me surpreende uma vez que já vivi uma experiência em terras de nuestros hermanos, e o seu Campeonato Feminino há 12/13 anos atrás já era veloz, pressionante e extremamente agressivo. Sente-se bastante a capacidade que se adquire nos treinos e jogos em pensar rápido, traçar em segundos um destino para a bola e dar continuidade a todas as acções de forma pressionante.

Fonte: Rensacença

A verdade é que o processo defensivo desgasta muito mais do que quando temos a bola nos pés e sabemos o que vamos fazer. Quem ataca tem a vantagem de criar, tirando proveito do que vai acontecer a seguir e quem defende está numa posição que física e mentalmente lhe exigem uma atenção e resposta acrescidas e que, em competição, acusa um desgaste muito maior. E o cansaço inerente a este processo defensivo já estava algo visível nas expressões de algumas jogadoras. De realçar a capacidade e o espírito combativo da Ana Borges que, estando adaptada e com uma tarefa extremamente difícil no lado esquerdo defensivo, ainda tentou subir pela linha para criar situações de desequilíbrio na zona atacante.

Nesta fase, jogadoras como Diana Silva, Vanessa Marques e a própria Cláudia Neto, não conseguiram ter bola e este facto foi prejudicial às pretensões lusas para um jogo mais equilibrado entre as duas equipas. O esforço da equipa portuguesa foi enorme. As jogadoras bateram-se com bravura mas o aspecto técnico ficou aquém das expectativas, porque quando ganhavam a bola, perdiam-na com facilidade e recomeçava a Espanha com as suas movimentações ofensivas e, inevitavelmente Portugal sofria o 2º golo aos 42 minutos com golo de cabeça de Amanda Sampedro, novamente por falha de marcação de Sílvia Rebelo.

Previa-se ao intervalo alguma preparação da Espanha para pensar em gerir o resultado, aproveitando a vantagem que, embora não muito avolumada, já deixava antever algum desgaste da equipa lusa com um domínio considerável por parte da equipa espanhola.

Com o início da 2ª parte não se registaram alterações de parte a parte e o jogo também não se alterou na sua dinâmica. A Espanha continuou a dominar e a fazer circular a bola à procura do melhor momento para voltar a marcar.

Aos 58 minutos entra Carolina Mendes para o lugar de Ana Leite. Embora a Espanha continuasse a dominar o jogo, Portugal conseguiu alguns momentos de maior posse de bola, maior combatividade, mas sem grande continuidade e sem resultados práticos.

Aos 71 minutos entra Melissa Antunes e sai Suzane Pires, e Portugal terá tido um pouco mais a posse de bola, uma vez que a Melissa apoiou melhor Cláudia Neto, mantendo-se mais próxima da capitã, fechando espaços importantes. Não se impediu, contudo, um remate fortíssimo da Espanha aos 72 minutos para grande defesa da Guarda Redes portuguesa.

Já mais activa no jogo, apareceu a Capitã tentando segurar mais a bola e fazendo algumas incursões pelo meio campo espanhol e tentando lançar as avançadas, mas aparecia sempre uma adversária a cortar a jogada. Numa dessas jogadas iniciadas pela Capitã lusa, Diana Silva dá continuidade a esse lance e assiste Carolina Mendes que quase marca num lance acrobático, mas falhando a bola aos 78 minutos.

Seria a fase mais positiva da equipa portuguesa, embora a Espanha continuasse a atacar e a criar lances de ataque com um remate potentíssimo de Maria Paz aos 82 minutos com grande defesa de Patrícia Morais. Apesar de algumas acções menos boas da guardiã portuguesa (algumas saídas dos postes em falso ou afastando a bola para zonas proibidas), foi uma das grandes responsáveis por garantir a baliza intacta durante a 2ª parte.

Aos 84 minutos sai Diana Silva que muito correu e lutou mas num esforço inglório e entra Laura Luís para refrescar o ataque, mas sem tempo para mudar a história do jogo.

O jogo termina com a vitória da Espanha no final com 54% de posse de bola após uns avassaladores 79% na 1ª parte o que espelha a melhoria significativa da equipa portuguesa neste capítulo, o que nos faz pensar se não terá sido excessivo o recuo de Portugal para a linha do meio campo durante toda a 1ª parte (?).

Apesar de sermos estreantes, não nos podemos reduzir a 2 remates para fora da baliza, 0 à baliza contra 12 da Espanha e mais 7 à baliza e deixar em branco a guarda-redes sem ter realizado qualquer defesa.

Fonte: Forza Football

Acredito que Portugal pode realmente fazer melhor sempre que não se esconde, travando uma luta apenas a defender. Temos boas atacantes e jogadoras capazes de lançar o jogo para outra dinâmica. Acredito também que no próximo jogo com a Escócia, que perdeu 6-0 com a Inglaterra, o jogo de Portugal possa evoluir, corrigindo os erros e estar mais confiante em relação às suas capacidades.

Não sendo, porém, uma equipa fácil – é ilusório pensar-se que a derrota expressiva com a Inglaterra faz da Escócia um adversário frágil – Portugal pode elevar-se no próximo embate com carácter, demonstrando à Europa e ao Mundo que as jogadoras estão no Europeu 2017 por mérito próprio e não por mera sorte.

E sejamos realistas, o embate na 3ª Jornada contra a Inglaterra será extremamente complicado, não só porque (teoricamente) será superior à Espanha, como as jogadoras já terão realizado 2 jogos bastante exigentes. Por isso, há que descansar e recuperar bem, erguer a cabeça, continuar focadas e acreditar em pontuar contra a Escócia. A posse de bola é, de facto, essencial para Portugal porque conseguimos perceber que é dessa forma que jogamos com alegria, dinâmica e nos elevamos a um nível superior.

A Estreia não foi a melhor, mas vamos continuar a sonhar e a escrever história neste percurso único pelo qual todos nós torcemos.

Força Portugal!


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