20 Out, 2017

E essa saúde, Benfica?

Pedro NunesMarço 4, 20175min0

E essa saúde, Benfica?

Pedro NunesMarço 4, 20175min0

Poder apresentar um onze diferente todos os jogos parece boa ideia. Ter um excelente plantel e ser obrigado a isso por causa das lesões, já não parece tão divertido. No entanto, este tem sido o dia-a-dia de Rui Vitória esta época no Benfica.

Como é sabido, os principais dinamizadores da época do Benfica têm sido o osteófito do astrálago direito de Jonas, a parede abdominal de Grimaldo e as tibiotársicas de jogadores como Samaris e Fejsa. Todos os dias é um desafio novo. São estes conjuntos de músculos, ossos e articulações que têm enriquecido o currículo do departamento médico do clube, sempre empenhados na busca pela cura de cada maleita.

Ora vejamos. Se Jonas e Mitroglou tivessem conseguido fazer dupla em todos os jogos e marcassem um hat-trick cada um em todos eles, isso seria um desastre para o clube. Jimenez, o substituto natural dos dois avançados, seria um fardo de 22M€ sentado no banco, que não rendia. Já correriam notícias que o mexicano estaria insatisfeito e ninguém ia saber como contornar a situação. Mais. Gonçalo Guedes, ao invés de estar em Paris e de ter deixado cá 30M€, estaria neste momento a jogar contra o Cova da Piedade e o Freamunde para não perder ritmo de competição.

Este plantel, à primeira vista um dos melhores da memória recente do Benfica, acaba por ser curto em certas ocasiões. Manter o nível exibicional da equipa tendo de fazer alterações na equipa todos os jogos, não deve ser tarefa fácil. Tem sido muito isto o caminho de Rui Vitória ao leme do clube, acabando por o grande mérito do técnico ribatejano. A máquina parece estar tão bem oleada que passa a ideia que até funcionava caso o técnico colocasse a mulher e filha a jogar como dupla de centrais.

Foto: RR

Um bom exemplo deste tipo de adaptações ocorreu em S. Petersburgo. Quando o Benfica jogou contra o Zenit, para a Liga dos Campeões, Rui Vitória não teve outro remédio que não baixar Samaris a central, face às opções que tinha disponíveis. Apesar disso o nível manteve-se, o Benfica venceu, e o grego acabou por fazer um dos melhores jogos de águia ao peito. A equipa acabou por não se ressentir das ausências.

Já este ano, o Benfica já foi obrigado a substituir vários insubstituíveis – pelo menos enquanto eram assim denominados. Jonas, Ederson e Fejsa estão no topo destes exemplos. Gonçalo Guedes foi o que melhor foi aproveitando as oportunidades dadas e, em crescendo, foi colecionando boas exibições, fazendo esquecer a lesão de Jonas. Ederson tem Júlio César no banco para substituí-lo, sempre que o seu joelho o tramar. No meio campo, quando não há Fejsa a situação remenda-se com Samaris.

Foto: maisfutebol

Até Rafa, mal chegou, adaptou-se rapidamente ao clube, saindo lesionado na estreia. A coxa direita do extremo deu o alerta no primeiro jogo de águia ao peito. Nesse jogo, contra o Arouca, a dupla de atacantes foi formada por ele e por Gonçalo Guedes. Note-se os exercícios de imaginação que Rui Vitória tem de fazer de vez em quando. Acabam por ser uma excelente forma de alimentar o cérebro.

Todas estas maleitas já vêm do ano passado e parecem ser sempre por azar – o que é muito estranho. Há os que dizem que é azar e há os que acreditam em coincidências. Os próprios funcionários deste departamento do clube deverão ter de ir ao médico pois já devem estar estafados de tanto trabalho. Até eles precisarão de férias neste momento. Acompanhar evolução dos jogadores que precisam de ser tratados, tratar dos que estão bem como prevenção e elaborar boletins clínicos – que são coisas que ainda custam a escrever – custa a qualquer génio da medicina.

Agora chegou um novo nome para dirigir este departamento das águias. Desde a saída de João Paulo Almeida, em Setembro, que o trabalho na enfermaria aumentou exponencialmente. O ex-Barcelona, Lluis Til Pérez, assinou há dias para tomar conta deste sector – de longe o mais debilitado das águias. Apesar de tudo isto, não tem sido este o facto que tem tirado competitividade ao Benfica, que continua em primeiro, luta pela Taça e joga a Champions. Sempre com dois jogadores no onze inicial de braço ao peito. No fim de contas, podemos dizer que está de boa saúde.

Foto: A Bola


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