14 Dez, 2017

Da Abóboda aos Estados Unidos é só um saltinho


Da Abóboda aos Estados Unidos é só um saltinho

Nas costas de uma das balizas do relvado do Complexo Desportivo da Abóboda, em Cascais, vislumbra-se um vasto mural, onde figuram os diversos patrocinadores do clube anfitrião, o Abóboda. Entre os mais proeminentes está o cartaz da Next Level Sports, que nos convida a jogar futebol e a estudar numa universidade norte-americana. Ao olharmos para o cartaz com a devida atenção, rapidamente percebemos que o local onde nos encontramos não é apenas o palco de confrontos entre equipas da 2ª Divisão da Associação de Futebol de Lisboa, mas também uma antecâmara para algo ainda maior.

A presente temporada marcou a estreia oficial da equipa de futebol sénior do Abóboda, muito por via da parceria estabelecida com a Next Level Sports, empresa de consultoria que se define enquanto “especialista na localização de Bolsas de Estudo em Universidades norte-americanas para atletas/estudantes das modalidades de Futebol e Ténis”. José Justo, responsável pela Central 32, organização que orienta todo o futebol do Grupo de Instrução Musical e Desportivo da Abóboda, reconhece a importância desse contributo. “Não tínhamos capacidade para ter os seniores sozinhos, e com a Next Level conseguimos. A ideia é continuarmos a crescer juntos, e a trabalhar para construirmos um clube cada vez mais forte”, adianta.

Por enquanto, o emblema de São Domingos de Rana ocupa a sétima posição do escalão de entrada da AFL, ainda com uma mão-cheia de jogos por disputar, mas já sem perspectivas de almejar uma subida no seu ano inaugural. O representante da Next Level Sports em Portugal, Tasslim Sualehe, explica-nos que a promoção estava nos planos, todavia, a jovem média de idades da equipa, a difícil adaptação ao estilo de jogo físico que se pratica neste escalão, e o aparecimento em simultâneo de vários clubes com sérias pretensões à subida, acabaram por embargar o objectivo. Ainda assim, o balanço é claramente positivo. “Tem sido óptimo para o clube, que inscreveu uma equipa sénior, e tem sido óptimo para nós, porque podemos oferecer competição aos nossos jogadores sem clube, enquanto se preparam para viajar até aos Estados Unidos. Vamos enviar entre 20 a 25 atletas este ano, nunca tínhamos enviado tanto, e tem muito a ver com o clube”, revela Tasslim Sualehe.

Nem só de futebolistas da Next Level Sports se compõe o plantel do Abóboda, embora representem uma fatia substancial do grupo, com tendência para aumentar nas próximas temporadas, tal como esclareceu Tasslim Sualehe. “Neste primeiro ano, eu tive de colocar um bocado de experiência na equipa, e fui buscar mais jogadores fora, pelo que a percentagem de jogadores da Next Level rondará os 30%. Para o ano, projectamos cerca de 70%”.

E será que a coexistência destes dois perfis distintos de jogadores no mesmo balneário pode comprometer o espírito colectivo? O actual treinador do Abóboda, Daniel Simões, garante-nos que não. “Os atletas que não pertencem ao projecto Next Level, assim que vieram ao primeiro treino, já sabiam ao que vinham. Antes de assinarmos com cada um dos atletas, tivemos uma conversa, explicando o projecto, e que seria diferente de um clube dito ‘normal’ […] Se colocarmos tudo em cima da mesa, logo desde o início, não existe qualquer problema na gestão do grupo”.

Alguns dos jogadores inscritos na Next Level Sports ultimam os detalhes para atravessar o Oceano Atlântico já em Agosto. É o caso de Hugo Martins, que irá frequentar a Licenciatura em Robótica e Automação na University of Ohio. O guarda-redes do Abóboda ressalva a utilidade da equipa, pela oportunidade de somar minutos antes de ingressar numa aventura desportiva e académica além-fronteiras. “É muito importante, especialmente para um guarda-redes, ter minutos de jogo, para estar pronto, e chegar lá com o ritmo que preciso. Foi uma das coisas que me ajudou a escolher o Abóboda”.

Nuno Sousa, outro dos atletas que está prestes a pisar solo norte-americano, tem aproveitado os treinos regulares e a competição para colmatar o défice físico resultante de quatro anos de paragem. “O grande foco do futebol nos Estados Unidos é o físico, e mesmo tendo muita técnica, se não nos apresentarmos bem fisicamente, não jogamos. Por isso, o facto de estar aqui a treinar é bastante bom para melhorarmos a nossa condição física e chegarmos lá em forma”. O centrocampista do Abóboda prepara-se para tirar uma pós-graduação em Business Leadership, na Ohio Valley University.

A marca da Next Level Sports e do jogador português está cada vez mais latente no ensino superior norte-americano, e não tardará muito até podermos ver os primeiros resultados desse trabalho, que ganha uma nova força com a edificação de uma equipa própria. Da Abóboda para os Estados Unidos, e daí logo veremos.


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