17 Ago, 2017

China vs. EUA: a luta entre duas superpotências também se faz dentro das quatro linhas

Fair PlayMarço 16, 20179min0

China vs. EUA: a luta entre duas superpotências também se faz dentro das quatro linhas

Fair PlayMarço 16, 20179min0

O mês de Março assinalou o arranque da Chinese Super League (principal competição chinesa de futebol) e da Major League Soccer (principal competição norte-americana de futebol) e, caso se tenha distraído com o ‘poker’ de Bas Dost ou com a remontada histórica do Barcelona na Liga dos Campeões, não se preocupe: ainda vai a tempo. Para o ajudar a entender melhor o que poderá esperar em 2017 nestas duas provas, resumimos em seguida as principais características das duas competições, dividindo-as por áreas de interesse. Ricardo Lestre ficou encarregue da CSL, ao passo que António Pereira Ribeiro assumiu a pasta da MLS.

NARRATIVA A NÃO PERDER

Chinese Super League (China)

É inevitável para qualquer português que pretenda acompanhar a Super Liga desviar as suas atenções para o trabalho de André Villas-Boas no Shanghai SIPG FC. O jovem técnico portuense tem ao seu dispor um autêntico elenco de luxo pelo que procurará, a curto prazo, terminar com a hegemonia do Guangzhou Evergrande, liderado por Luiz Felipe Scolari. Para além de uma óptima base de atletas nacionais como Wu Lei – o golden boy chinês da actualidade -, Yan Junling, Wang Shenchao, Fu Huan, Yu Hai, Cai Huikang e até Wei Shihao, extremo ex-Leixões SC, o plantel das Águias Vermelhas conta com vários extracomunitários de enorme calibre. Hulk e Oscar são, obviamente, os nomes mais sonantes, numa lista que ainda congrega Odil Akhmedov, Elkeson e… Ricardo Carvalho.

Major League Soccer (EUA)

Depois das recentes passagens por Barcelona e pela Argentina, Tata Martino aceitou o desafio de trabalhar nos Estados Unidos, ao leme do estreante Atlanta United. Construiu o plantel do zero, em estreita colaboração com o director desportivo Carlos Bocanegra, e a verdade é que esta parelha já conseguiu aliciar alguns nomes interessantes, sobretudo para assumir as missões ofensivas. A começar por Héctor Villalba, velocíssimo extremo argentino que exibiu o seu cariz promissor ao serviço do San Lorenzo. Outras figuras talentosas como Josef Martínez (ex-Torino), Kenwyne Jones (ex-Al Jazira) e Miguel Almirón (ex-Lanús), fazem desta equipa de Atlanta uma séria ameaça (pelo menos em teoria), logo no seu primeiro ano de existência.

CANDIDATOS AO TÍTULO

Chinese Super League (China)

Guangzhou Evergrande e Shanghai SIPG. Por via de uma análise qualitativa às equipas, é perceptível a existência de outros potenciais candidatos, porém, estes são, de facto, os principais favoritos a conquistar o trono. A turma hexacampeã de Felipão manteve o seu núcleo praticamente intacto, à excepção de duas cirúrgicas aquisições, e promete continuar a sua senda vitoriosa sempre com o trio canarinho Paulinho-Ricardo GoulartAlan em grande plano. Por outro lado, o investimento levado a cabo pelos rivais diretos triplicou a exigência das competições internas o que, somando à árdua e exigente Liga dos Campeões Asiáticos, torna a situação dos Tigres do Sul de certa forma delicada.

Já o Shanghai SIPG, empolgado pelo brilhante entrosamento do trio Oscar-Hulk-Elkeson, joga com um grande fator a seu favor: a pressão nula a que um outsider está sujeito. As frentes competitivas, essas, são exatamente as mesmas que as do seu rival directo.

Fotografia: Sapo24

Major League Soccer (EUA)

Fotografia: Sapo24

JOGADOR A OBSERVAR

Chinese Super League (China)

Wu Lei. Apelidado de Maradona chinês após a sua estreia em 2006, somente com 14 anos de idade, na terceira divisão, o veloz extremo do Shanghai SIPG, agora com 25, é visto como o grande diamante do futebol chinês. Desde 2013, data da ascensão da equipa à primeira divisão, Wu Lei tem sido constantemente alvo de destaque pela velocidade, técnica, agilidade e, acima de tudo, pela veia goleadora que abarca. Hoje, é quase impossível não encontrar o seu nome quer no topo da lista de melhores marcadores da Liga, quer no onze inicial da seleção nacional chinesa.

Major League Soccer (EUA)

Cyle Larin. Desde que se estreou no futebol profissional, em 2015, este avançado canadiano assumiu-se rapidamente como o melhor jogador jovem a pisar os relvados da MLS. Bateu o recorde de golos marcados por um Rookie (jogador de primeiro ano na liga americana) e já leva 32 tentos em 60 partidas ao serviço do Orlando City SC. Futebolista portentoso, de remate fácil, dificilmente aguentará muito mais tempo nos Estados Unidos. O futebol canadiano deposita fortes esperanças no futuro deste jovem, que já foi internacional em 19 ocasiões, com toda a legitimidade.

A PRINCIPAL TRANSFERÊNCIA

Chinese Super League (China)

Oscar. Descontente com a pouca utilização no Chelsea FC, Oscar abalou o mercado europeu ao rumar para o Shanghai SIPG por um valor a rondar os 60 milhões de euros, convertendo-se no jogador mais caro de sempre do futebol chinês. Não faltavam interessados nos serviços do médio brasileiro, sobretudo nas ligas europeias de topo, no entanto, o ambicioso projeto apresentado pelo clube teve um grande peso na sua decisão, como o próprio admitiu. Fora os valores, Oscar é, indubitavelmente, peça-chave na estratégia de André Villas-Boas.

Fotografia: Sapo24

Major League Soccer (EUA)

Romain Alessandrini. Destacou-se no Rennes, e as suas boas exibições fizeram com que o Marselha, clube por onde passou durante a formação, o contratasse em 2014. Contudo, a promessa que havia revelado anteriormente, acabou por não se confirmar na sua estadia de duas épocas e meia em Marselha. Perto de completar 28 anos, o extremo francês viu na proposta dos Los Angeles Galaxy uma forma de revitalizar a sua carreira. Veremos se o consegue fazer.

O CONTINGENTE PORTUGUÊS

Chinese Super League (China)

André Villas-Boas, Jaime Pacheco e Ricardo Carvalho são os intervenientes lusos da Super Liga 2017. O ex-técnico do Al-Shabab tem agora a oportunidade de dar seguimento ao seu trabalho no Tianjin TEDA, formação que afastou da despromoção na edição anterior a poucas jornadas do fim. A tarefa a repetir não será nada fácil, mas a qualidade de jogadores como John Obi Mikel, Nemanja Gudelj ou Brown Ideye pode, certamente, evitar males maiores para Jaime Pacheco, treinador campeão pelo Boavista em 2001.

Por outro lado, a contratação de Ricardo Carvalho visa, essencialmente, a transmissão da sua experiência aos restantes colegas. O veterano defesa terá muito pouco tempo de jogo no Shanghai SIPG, contudo, a sua função terá, dentro do plantel, um valor inqualificável para AVB.

Major League Soccer (EUA)

A quantidade de futebolistas lusos a actuar na MLS nunca chegou para encher um monovolume. Contudo, o aparecimento de novas empresas de educação especializadas em colocar jovens atletas nas universidades norte-americanas promete mudar esta realidade muito brevemente. Para já, no início de 2017, contam-se quatro jogadores portugueses no principal campeonato norte-americano. O lateral-direito Rafael Ramos caminha para a sua terceira temporada ao serviço dos Orlando City SC, ao passo que o defesa-central João Meira começa o seu segundo ano com a camisola dos Chicago Fire. Quanto a entradas novas, temos os casos de Gerso Fernandes (nasceu na Guiné-Bissau, mas tem dupla nacionalidade), reforço de peso do Sporting Kansas City, e ainda João Pedro, médio ex-Vitória de Guimarães que foi contratado pelos Los Angeles Galaxy.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.


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