21 Ago, 2017

Casa nova, vida nova ou (como explicar o belo arranque de Orlando City)


Casa nova, vida nova ou (como explicar o belo arranque de Orlando City)

A equipa da Major League Soccer com menos partidas disputadas é, simultânea e paradoxalmente, a que somou mais pontos. Os dois primeiros meses de competição colocam Orlando City SC na pole position para 2017, mas será que os Lions terão condições para capitalizar este excelente arranque e alcançar os tão desejados Playoffs?

As últimas semanas têm sido bastante entusiasmantes para todos aqueles que gostam de futebol na soalheira cidade de Orlando. Marta, eleita melhor jogadora do mundo em cinco ocasiões, foi apresentada como o mais recente reforço da equipa feminina local, os Orlando Pride, ao passo que a turma masculina do Orlando City SC lidera a classificação global da MLS. Tudo isto tendo como cenário o recém-inaugurado Orlando City Stadium, casa que ambos os conjuntos partilham desde o início de 2017.

Nos dois anos que precederam esta actualização de morada, o Orlando City SC actuou no imponente Citrus Bowl, palco de vários confrontos do Mundial 1994, e de comédias protagonizadas por Adam Sandler. Dos 34 jogos realizados na morada antiga, os Lions venceram apenas 13, empataram 12, e saíram derrotados dos restantes 9. Números que, ao adicionarmos um registo mediano fora de portas, facilmente explicam a sua repetida ausência dos Playoffs.

O EFEITO DA MURALHA PÚRPURA

Ora a partir do momento em que o novo estádio entrou na equação, passámos a assistir a um domínio anfitrião nunca antes visto. Cinco triunfos em igual número de jogos na condição de visitado, garantiram ao Orlando City SC o recorde de vitórias consecutivas em novos recintos. Há quem diga que este fenómeno de invencibilidade se deva ao ‘The Wall Effect’ (efeito da muralha), criado pela própria da ‘The Wall’, zona do estádio com capacidade para 4 mil pessoas, onde se reúnem os mais ruidosos e fervorosos adeptos do clube da Flórida. A secção foi desenhada com o claro propósito de alimentar um ambiente intimidatório e desconcertante para o adversário, um pouco à imagem do que acontece no terreno do Borussia de Dortmund. Quer seja por isso ou não, a verdade é que ainda nenhum forasteiro conseguiu pontuar no Orlando City Stadium.

O FAMOSO LOSANGO DE JASON KREIS

Sem desvalorizar a influência incontestável do 12º jogador no caso de Orlando, vale a pena perceber aquilo que mudou dentro de campo, e que possibilitou uma liderança inédita na história do clube. Comecemos desde logo pelo abandono de Adrian Heath do comando técnico, prontamente substituído por Jason Kreis, o treinador mais novo a sagrar-se campeão da MLS, em 2009. Durante as sete temporadas em que orientou o Real Salt Lake, Jason Kreis notabilizou-se pela feliz utilização do losango no meio-campo, e ao que parece, ainda não abdicou dele.

A função de maestro, noutros tempos adjudicada ao argentino Javier Morales, pertenceria naturalmente ao capitão Kaká, mas uma lesão do brasileiro no encontro de abertura forçou o improviso. Foi a partir desse improviso que nasceu o sucesso no sector intermédio, fundamental nos conjuntos de Kreis. A versatilidade do internacional jamaicano Giles Barnes revelou-se útil na altura de ocupar o vértice mais adiantado do losango. Compensou o virtuosismo técnico elevado à última potência de Kaká, com a sua característica mais evidente, a velocidade. Os resultados iniciais são promissores, mas fica a dúvida se os intérpretes que Kreis tem à sua disposição (Antonio Nocerino, Will Johnson, Matias Perez Garcia), serão os melhores para levar o seu losango até aos Playoffs.

A CONFIRMAÇÃO DE CYLE LARIN

Se a qualidade do losango pode despertar algumas interrogações, tendo em consideração a pequena amostra de sete jogos, os atributos de Cyle Larin na frente de ataque não deixam margem para dúvidas. Aos 22 anos, o avançado canadiano deixou de merecer o rótulo de jovem promessa, para ser visto em definitivo como um valor seguríssimo. É ele o principal rosto deste óptimo começo de temporada do Orlando City SC, ao apontar seis dos dez golos da equipa.

Os números não mentem. Desde que chegou à MLS, em 2015, Larin em momento algum abandonou a sua faceta mortífera. Contabiliza 37 remates certeiros em 66 jogos, registo que tem vindo a acentuar o interesse de vários emblemas europeus, muito capazes de o obrigar a atravessar o Oceano Atlântico já no próximo mercado de Verão. Larin alia o portento físico à velocidade, mas é mesmo a sua capacidade de finalização, tanto com os pés como com a cabeça, que mais impressiona.

Fotografia: USA Today Sports

O REGRESSO DE KAKÁ NA ALTURA CERTA

Voltando à perspectiva colectiva, convém mencionar que este belíssimo início de temporada tem igualmente, na sua base, um alinhamento benéfico, na medida em que, das sete partidas realizadas pelo Orlando City SC até agora, cinco foram em casa. Segue-se esta semana uma dupla jornada enquanto visitante, oportunidade única para perceber o que poderá valer verdadeiramente esta equipa em 2017. Depois do contratempo físico inicial, Kaká já é opção para esta deslocação a dobrar, e isso são óptimas notícias para Jason Kreis.


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