25 Set, 2017

Bundesliga 2016/2017 – Destaques

Gonçalo MeloJunho 2, 20177min0

Bundesliga 2016/2017 – Destaques

Gonçalo MeloJunho 2, 20177min0

Nova moedinha, nova voltinha. Mais uma época se passou na Bundesliga, com o mesmo desfecho. Título na Baviera. Mas, fora a luta pelo título, que desde cedo parecia entregue, as restantes equipas pautaram-se por um equilíbrio assinalável, tendo havido algumas surpresas/destaques e algumas desilusões.

Nos destaques de mais uma edição da Bundesliga era impossível não falar no Leipzig. A equipa orientada por Ralph Hasenhüttl estreou-se esta temporada na primeira divisão alemã, com um fantástico segundo lugar. Com um meio campo fortíssimo, onde Naby Keita, Diego Demme e Stefan Ilsanker se destacaram, alas criativos e rápidos como Marcel Sabitzer e Emil Forsberg (19 assistências no campeonato!) e uma dupla de ataque móvel e mortífera formada por Yuray Poulsen e Timo Werner, o RB Leipzig fez um campeonato imaculado que lhe permite estar na próxima edição da Liga dos Campeões. Ainda em lugares de prova milionária ficou o extraordinário Hoffenheim do jovem Julian Nagelsmann, melhor lugar da história do clube. Individualmente, destaque para as épocas Nicklas Sule e Sebastian Rudy que lhes valeu a transferência para o campeão Bayern, bem como os criativos Nadiem Amiri e Kerin Demirbay e os avançados Andrej Kramaric e Sandro Wagner.

A luta pela Europa foi renhida ate final com Colónia, Friburgo, Hertha de Berlim e Werder Bremen a proporcionarem um atractivo espectáculo até à ultima jornada. No Colónia o destaque tem de ser dado a Anthony Modeste. O francês apontou 25 golos no campeonato, mais de metade do total de golos da equipa, sendo esta de longe a melhor época do ponta de lança que já passou pelo Bordéus e pelo Hoffenheim . Para alem do francês, épocas positivas da maioria dos elementos, com destaque para o médio-defensivo/lateral esquerdo titular da selecção alemã Jonas Hector e para o defesa central Dominic Heintz. No Friburgo, destaque para o italiano Vincenzo Grifo, grande municiador do ataque dos homens do sudeste, com 13 assistências (já se comprometeu com o Borussia de M’gladbach para as próximas temporadas), para Maximilian Philipp, avançado fundamental na forma de jogar da equipa e que deve ser um dos eleitos para os sub-21 alemães e para o lateral-esquerdo Christian Gunter, jogador mais utilizado na Bundesliga da equipa do Friburgo, sempre com uma regularidade impressionante.

No Hertha, menção para Vladimir Darida, Peter Pekarik e John Anthony Brooks, os mais regulares e sempre em nível superior da equipa, mas também para os abonos de família Solomon Kalou e Vedad Ibisevic, os goleadores da turma do húngaro Paul Dardai. No Werder Bremen, o destaque vai para o jovem técnico Alexander Nouri, responsável pela subida incrível de produção da equipa na segunda metade da época, apoiado nas figuras Zlatko Junozovic,  Serge Gnabry, Max Kruse, Fin Bartels e Thomas Delaney (o dinamarquês chegou em janeiro para se tornar talvez no melhor jogador da equipa).

Foto: The World Game

Nas restantes equipas (todas elas desilusões pois todas as restantes ficaram abaixo dos objetivos a que se propuseram) houve também jogadores que se destacaram. Ousmane Dembelé chegou, viu e venceu em Dortmund, justificando plenamente os 15 milhões pagos ao Rennes, fazendo estragos com a sua técnica individual e velocidade. Pierre Emerick Aubameyang teve mais uma época brutal (31 tentos), que lhe valeram o prémio de melhor marcador. Marcel Schmelzer, Julian Weigl e Rapha Guerreiro protagonizaram também boas épocas. No Gladbach que ficou longe do seu objectivo (Champions League), o maior destaque vai para o jovem Mahmoud Dahoud, adquirido entretanto pelo Dortmund, que com a sua qualidade técnica e energia elevou a equipa para um nível que sem ele nunca se verificou, para o talentoso belga Thorgan Hazard e para o capitão Lars Stindl.

Nas duas grandes desilusões da Bundesliga, Bayer Leverkusen e Schalke, os destaques são poucos, podendo salientar apenas a regularidade do central Omer Toprak, a entrega de Kevin Kampl e os golos de Chicharito nos Farmacêuticos. Nos mineiros, o grande destaque vai para Guido Burgstaller, que chegou em Janeiro proveniente do histórico Nuremberga mas conseguiu ser o melhor marcador da equipa na Bundesliga. Os jovens Leon Gorestka  e Sead Kolasinac (pode estar a caminho do Arsenal) protagonizaram épocas de bom nível, tal como o guarda-redes Ralf Fahrmann, muitas vezes o salvador da formação de Markus Weinzierl. No Eintracht Frankfurt, o mexicano Marco Fabián jogou e fez jogar, fazendo jus à fama que trazia do seu país (muita qualidade técnica e visão de jogo). O jovem sueco Benjamin Hrgota e o capitão Bastian Oczipka foram também protagonistas da época tranquila dos comandados de Nico Kovac, que tiveram uma descida grande na segunda metade da época (estiveram em lugares de Champions em Dezembro),

Na parte de baixo da tabela, Augsburgo, Mainz e Hamburgo tiveram épocas atribuladas, conseguindo por pouco escapar aos lugares de despromoção. No Augsburgo, destaque para o goleador Alfred Finnbogasson, o criativo coreano Koo, o médio-defensivo Dominic Kohr e o lateral esquerdo Philip Max, que foram os melhores da equipa. No Mainz houve muitas épocas abaixo do esperado, destacando-se Yunus Malli que em janeiro se transferiu para o Wolfsburgo, Jhon Córdoba que foi o melhor marcador da equipa a par do japonês Yoshinori Muto e o potente lateral Daniel Brosinski. No Hamburgo, que insiste em “safar-se” sempre à ultima, o norte-americano Bobby Wood foi muitas vezes o abono da equipa, com Lewis Holby e  Filip Kostic a serem dos jogadores mais utilizados e regulares, e Gotoku Sakai a ser a fonte de rendimento e trabalho da equipa, tanto a médio defensivo como a lateral direito.

Numa época em que consagrou mais uma vez o crónico campeão BayernAlaba, Thiago Alcântara, Lewandowski (mais golos que o polaco só Auba) e Robben voltaram a fazer das suas e a protagonizarem belíssimas temporadas, na época de despedida dos lendários Xabi Alonso e Philip Lahm que voltaram a fazer o que nos habituaram nas ultimas duas décadas, espalhar charme e qualidade pelos relvados que pisam. Numa época disputada e aguerrida foram estes os destaques daquele que é para muitos o campeonato com melhor e mais atractivo futebol do velho continente. Na próxima época a pressão para estes será maior, uma vez que a expectativa dos adeptos será por consequência mais elevada. Agora, será que alguns destes destaque terão capacidade para inverter a tendência de domínio bávaro? 2017/2018 está já ao virar da esquina, e mal podemos esperar.

Foto: dw.com


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