20 Ago, 2017

#PartiuRussia

Victor AbussafiNovembro 17, 20167min0

#PartiuRussia

Victor AbussafiNovembro 17, 20167min0

Em 6 jogos passamos da dúvida da classificação para a certeza do carimbo russo no passaporte. O bom desempenho da Seleção Brasileira ecoa aqui na Europa e assusta as principais potências do futebol mundial. Mas o que mudou em 6 jogos para permitir o brasileiro dizer que o respeito voltou?

Tite era o favorito do povo para assumir o cargo de selecionador nacional após a Copa de 2014 e, nesse caso, a voz do povo deveria ser a voz de Deus. A aposta em Dunga provou-se equivocada rapidamente e o treinador não resistiu a eliminação na Copa América Centenário. Em 6 jogos e pouco mais do dobro de treinos Tite mudou a cara da Seleção. O que mudou?

Ambiente

O ponto mais evidente e rapidamente percebido foi uma mudança no ambiente do Brasil. Dunga era muito pressionado pela imprensa e vivia uma relação pouco saudável com a mídia no geral. Ainda não era muito querido por alguns jogadores e sempre foi conhecido por ser duro com quem não seguia sua cartilha. Com isso, entrou em atrito com jogadores importantes.

Tite, Edu e a nova comissão técnica baseiam seu trabalho no merecimento e no diálogo com os jogadores. Edu, coordenador de Seleções, através de conversas com os jogadores se aproximou de todos para atender reivindicações antigas como variar de hotéis durante a estada com a Seleção para diminuir a sensação de prisão nas concentrações ou facilitar a logística dos vôos.

Edu Gaspar e Daniel Alves (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)
Edu Gaspar e Daniel Alves (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

A estrutura foi alterada para privilegiar a recuperação dos jogadores, trazendo mais um fisioterapeuta para o grupo, e a comunicação e monitoração dos cerca de 50 jogadores selecionados para uma lista de convocáveis é constante. Essa lista é atualizada conforme o desempenho, mas garante que o desempenho dos jogadores, mesmo em mercados distantes como a China, seja devidamente acompanhado e, assim, os jogadores sentem-se próximos da comissão técnica.

Convocados

Essa reaproximação com os jogadores, trouxe de volta talentos renegados por Dunga como Marcelo, provavelmente o melhor lateral esquerdo do mundo, Fernandinho, Paulinho, Thiago Silva, entre outros. Jogadores que ficavam de fora apesar de  manter um bom desempenho em seus clubes, por escolhas técnicas ou pelo relacionamento com o treinador anterior.

Paulinho estava fora da Seleção desde a Copa do Brasil (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)
Paulinho estava fora da Seleção desde a Copa do Brasil (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

No 11 titular, são 4 jogadores diferentes do time habitual anterior. Marcelo, Paulinho, Fernandinho e Gabriel Jesus. Sendo que Coutinho era reserva e virou titular na Copa América pela ausência de Neymar. Ou seja, quase meio time diferente. Ainda, a forma de jogar mudou muito.

Formação

Tite passou para um 4-1-4-1 que joga muito próximo e com transições velozes. Com inteligência, o Brasil reaprendeu a determinar o ritmo do jogo e saber quando se impor. Contra a Argentina (3-0 para o Brasil), começou o jogo tendo que se defender mais e esperar por um contra-ataque. No começo do jogo, Fernandinho, responsável por vigiar Messi quando este ia para o meio do campo, recebeu um cartão amarelo. O que poderia ser preocupante foi facilmente corrigido com a troca de posições com Paulinho e deu origem ao domínio brasileiro no jogo. Renato Augusto invertia de papéis com Coutinho, que saía da direita para o meio e tumultuava a marcação da seleção rival.

Contra o Peru, num jogo em que a defesa oscilou mais, teve que garantir a posse de bola para controlar o ímpeto da boa seleção peruana e mostrou inteligência mais uma vez. Por usar os jogadores em posições que estão acostumados a jogar em seus clubes, Tite facilita a adaptação à um esquema de jogo moderno e eficiente.

Coutinho é o único que joga em uma função diferente do que a que joga no seu clube, mas essa adaptação foi validada por Klopp em conversa com Tite, ao afirmar que costumava treinar essa possibilidade com o jogador. Uma geração contestada como pobre em talento já é vista de outra maneira.

Comemoração durante Jogo da Seleção Brasileira contra a Argentina (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)
Comemoração durante Jogo da Seleção Brasileira contra a Argentina (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

Confiança

Quem vê Gabriel Jesus marcar um gol, como o feito no último jogo, corre o risco de esquecer que ele tem apenas 19 anos. A segurança encontrada para Gabriel brilhar, desde os dois gols marcados na sua estreia, é mais um mérito da comissão técnica atual. (Aliás, o desempenho do jogador não é surpresa para o Fair Play) Mas dependeu muito do bom trabalho de Rogerio Micale nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Gabriel Jesus comemora gol contra o Peru (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)
Gabriel Jesus comemora gol contra o Peru (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

O Ouro Olímpico, conquistado após derrapar nos dois primeiros jogos, mas com um ótimo futebol mostrado na reta final, deu moral para a nova geração da Seleção. Nomes como Marquinhos e Gabriel Jesus ganharam moral e confiança para crescer na Seleção. Renato Augusto e Neymar cresceram como líderes do grupo e se tornaram indispensáveis. Outros como Luan, Rodrigo Caio e Wallace já aparecem como o futuro do time. Tudo com a vantagem de ter feito as pazes com o torcedor brasileiro após o fracasso de 2014.

Não. Ainda não dá para dizer que o Brasil é um dos favoritos ao título da próxima Copa. Longe disso, após apenas 6 jogos não dá para se afirmar muita coisa. Mas uma coisa é certa: o mar virou para a gloriosa camisa amarela. E apesar do capitão do barco, Tite, afirmar que o mérito é de seus marujos (no que tem razão), é inegável dizer que foi o seu apontar de direções que leva a Seleção Brasileira de volta a uma posição de respeito no cenário mundial.

A um ponto da classificação para a Copa de 2018, a Seleção Brasileira faz seus rivais sussurrarem seu nome com medo do que podem encontrar em solo russo.

Pode sorrir, Tite (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)
Pode sorrir, Tite (Foto: Pedro Martins / MoWA Press)


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