16 Ago, 2017

Brasileirão 2016 – Balanço

Victor AbussafiDezembro 28, 201610min0

Brasileirão 2016 – Balanço

Victor AbussafiDezembro 28, 201610min0

Palmeiras campeão depois de 22 anos. Robinho e Diego destaques do campeonato depois de 14 anos. Internacional rebaixado pela primeira vez. Muito equilíbrio, como previsto. Algumas surpresas. Foi assim o Brasileirão 2016.

O Fair Play conta as principais histórias do Brasileirão 2016, desde a promessa de Cuca de que daria o título ao Palmeiras até ao triste grupo de salvamento do Internacional, chamado de “Swat” pelos dirigentes, e seu fracasso retumbante.

Palmeiras, 22 anos depois

Bicampeão brasileiro em 1993 e 1994, o Palmeiras era um esquadrão imparável. Nos tempos em que os craques do Brasil ficavam no país, o Verdão reunia Rivaldo, Edmundo, Zinho, Evair, Roberto Carlos, Antonio Carlos Zago, Mazinho, César Sampaio… todos multi-campeões pelo clube e por onde passaram nos anos que se seguiram.

Vinte e dois anos depois, não há nenhum craque. Talvez Gabriel Jesus se consagre como tal, mas hoje a “cara” do Palmeiras é um elenco voluntarioso, equilibrado e muito bem armado taticamente, como são os últimos campeões nacionais num Brasil fornecedor de artistas para o futebol europeu.

Gabriel Jesus foi um dos principais jogadores do Palmeiras (Foto: SEP)

Este Palmeiras campeão foi forjado pela obsessão de seu presidente. Paulo Nobre resgatou o clube de dois rebaixamentos em 10 anos, para revitalizar as finanças, entregar uma arena de primeiro nível e um grupo campeão. Foram 76 contratações em 4 temporadas e 3 títulos (A Série B de 2013, Copa do Brasil de 2015 e Brasileirão de 2016).

O time de 2016 fez um primeiro turno excepcional e um segundo turno eficiente. Com apenas 6 derrotas, viu as pretensões dos concorrentes caírem pelo caminho. Só esteve perto de perder a liderança, conquistada na nona rodada e recuperada pela última  vez na décima nona, perto do clássico contra o Corinhtians, mas a vitória afastou o Flamengo da briga e apontou o caminho para o título alviverde.

Muito bem armado por Cuca, que previu o título no início do campeonato, o melhor Palmeiras, mesmo oscilando durante o ano, mostrava muita agressividade na recuperação de bola e intensidade em campo, teve o segundo melhor ataque e a defesa menos vazada.

Teve Gabriel Jesus que desequilibrou no primeiro turno e foi muito participativo no segundo. Dudu em grande nível. Zé Roberto aos 42 anos. Jaílson, o herói improvável. Prass, mesmo lesionado, Mina, Moisés, Tchê Tchê e grande elenco.

Pressão na saída de bola, jogo direto e vertical. Assim foi o Palmeiras campeão. (Fonte: ESPN Brasil)

Viúvas de Tite

Campeão em 2015, o Corinthians sofreu um desmanche ao perder seus principais jogadores para a China. Mas estava tudo controlado, por que o seu maior nome permanecia: Tite. Com peças de reposição inferiores aos que deixaram o clube, a inteligência tática do treinador fazia o time manter o padrão e continuar a sonhar com o título.

Mas a saída do treinador para a Seleção Brasileira, na virada do turno, fez o time sair dos eixos. Nem Cristóvão Borges, nem Oswaldo de Oliveira, mostraram-se a altura do campeão brasileiro e o desempenho do time despencou. Para piorar, o clube vive uma das piores crises financeiras de sua história recente e não parece conseguir vencer a espiral negativa.

Oswaldo foi chamado para classificar o Corinthians para a Libertadores e falhou. No fim, ficou apenas 60 dias. (Foto: Twitter Corinthians)

No fim, ficou fora da Libertadores, mesmo com o aumento no número de vagas de 4 para 6, e terminou o ano sem o apoio do seu torcedor. Para 2017, aposta em Fabio Carrile, ex-auxiliar de Tite, depois de uma debandada geral da comissão técnica e de uma crise política intensa. No começo do ano, ninguém previa esse final trágico para o time campeão de 2015.

Vergonha internacional

Este campeonato marcou negativamente uma das maiores torcidas do país. Pela primeira vez, em 107 anos, o Internacional foi rebaixado à Segunda Divisão. Num ano que começou com a aposta nos jovens talentos e o empréstimo do ídolo D’Alessandro ao River Plate, os primeiros meses animaram a torcida Colorada.

Com o hexacampeonato e uma arrancada histórica nas primeiras rodadas do Brasileirão (Em 8 jogos, foram 6 vitórias e 1 empate, a melhor campanha da história do clube gaúcho), o Internacional parecia querer ser um dos destaques do campeonato. Argel, treinador com feitio defensivo, colocava em campo um time duro de ser batido.

Uma sequência de 14 jogos sem vitórias seguiu ao bom desempenho inicial e o time entrou numa espiral negativa sem fim. Foram 4 treinadores, sem padrão pré definido de jogo (do retranqueiro Argel, para o técnico Falcão, de volta para um treinador defensivo Celso Roth e terminando com o “maluco” Lisca).

Torcedoreas do Inter choram com o rebaixamento. (Foto: Marcos Nagelstein/Vipcomm)

Reforços, como Nico Lopez, que não vingaram, uma péssima campanha como visitante e uma fracassada tentativa de salvação ao recorrer a “velhos conhecidos”. Foram chamados ao serviço dirigentes ilustres e o treinador Celso Roth, campeão da Libertadores com o clube, mas a “Swat”, nome como se auto denominava esta força-tarefa, fracassou após cerca de 100 dias. No fim, o Inter meteu os pés pelas mãos durante a tragédia com a Chapecoense e viu os torcedores de todos os outros clubes pedirem o seu rebaixamento.

Cheirinho de hepta e Peixe em ascensão: os concorrentes ao título

Os principais concorrentes ao título foram o Flamengo e o Santos, cada um num determinado momento do campeonato. Primeiro foi a vez do rubro-negro carioca, que ouvia sua torcida cantar que já sentia um “cheirinho” de hepta. O Flamengo, embalado após o início do trabalho de Zé Ricardo, treinador que assumiu como interino após a saída de Muricy Ramalho e que terminou valorizado como um dos melhores treinadores do campeonato.

Com Guerrero, Diego e companhia, o Flamengo foi um dos destaques do campeonato (Foto: Gilvan de Souza/ CRF)

Zé Ricardo montou um time inteligente taticamente e soube aproveitar o melhor das peças do elenco. Engatou uma sequência de vitórias e esteve a uma rodada de assumir a liderança, mas viu o Palmeiras derrotar o Corinthians e nunca mais assustou o time alviverde. No fim das contas, foi um bom ano, com destaques para a chegada de Diego, o crescimento de Zé Ricardo e a promessa de um bom 2017. Pena que o “cheirinho” de hepta apenas alimentou os memes dos rivais.

Do outro lado, o Santos, que já havia disputado com o Palmeiras o título da Copa do Brasil do ano passado, foi quem brigou nas últimas rodadas. Dorival Júnior preparou uma equipe marcada pelas variações táticas e movimentos pouco usuais de seus jogadores, como nos laterais que constantemente fechavam para marcar e começar as jogadas pelo meio.

O Peixe teve grande desempenho jogando dentro da Vila Belmiro, mas perdeu pontos importantes para times da parte de baixo da tabela, como o Internacional e o América-MG. No fim do campeonato, foram esses os pontos que fizeram falta para ameaçar de verdade a tranquilidade do Palmeiras.

Botafogo bipolar

Outra surpresa do campeonato foi a brilhante campanha do Botafogo. Apontado por 99% dos especialistas como candidato ao rebaixamento, o clube de General Severiano viu, em 4 meses, sua vida mudar da água para o vinho.

Quando Ricardo Gomes, treinador que trouxe o time de volta à Série A, aceitou proposta do São Paulo, o Botafogo tinha apenas 20 pontos. Comandado pelo treinador Jair Ventura, ex-treinador do sub-20 do clube e filho do ídolo, campeão da Copa de 70, Jairzinho, o Fogão arrancou rumo à Libertadores e conquistou a vaga, na última rodada.

Ao lado de Zé Ricardo, do Flamengo, Jair Ventura foi uma das revelações do campeonato (Foto: Divulgação/Botafogo FR)

Com apenas 37 anos, fã de estatística e de contrato renovado, Jair Ventura fez o Botafogo render acima do esperado, acumulou vitórias e terminou o campeonato na quinta colocação. Com elenco limitado, o mérito do treinador foi encaixar uma tática equilibrada, que permitiu o crescimento de jogadores como Sassá e Camilo.

Domingo de homenagens

Este campeonato também foi marcado por um fato triste. O acidente com o avião da Chapecoense, rumo à Medellin para a final da Copa Sul-Americana, que vitimou 71 pessoas. Uma tragédia que chocou o mundo.

A última rodada do Brasileirão foi adiada por uma semana. O jogo Chapecoense e Atlético-MG nunca aconteceu. E nas demais 9 partidas desta rodada, os clubes fizeram questão de homenagear o clube catarinense. Minutos de silêncio, camisas especiais e muita emoção. Uma despedida melancólica do maior campeonato do Brasil.

Homenagem no jogo Vitória e Palmeiras pela última rodada do Brasileirão. (Foto: Varela Notícias)

Distinções Fair Play

Jogador do Ano: Gabriel Jesus (Palmeiras)

Treinador do Ano: Cuca (Palmeiras)

Avançado do Ano: Gabriel Jesus (Palmeiras)

Médio do Ano: Renato (Santos)

Defesa do Ano: Geromel (Grêmio)

Guarda-Redes do Ano: Vanderlei (Santos)

Golo do Ano:

Veja também: Galeria com os melhores jogadores do Brasileirão

Classificação final do Brasileirão 2016 (Fonte: CBF)


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