22 Out, 2017

Primera División – Vai começar o Tango nas Pampas

Diogo AlvesAgosto 11, 20178min0

Primera División – Vai começar o Tango nas Pampas

Diogo AlvesAgosto 11, 20178min0

Está prestes a ter inicio mais um campeonato argentino e, como não podia deixar de ser, o Fair-Play fará uma antevisão a preceito. Um campeonato que conta com algumas novidades. Além do regresso do Chacharita Juniors sete anos depois, há também o regresso do clube de Juan Román Riquelme e Diego Armando Maradona: Argentino Juniors. A Primera División agora terá a designação de Superliga, e, passará a contar com menos duas equipas. Passam das 30 equipas para 28. A redução será ano após ano até voltar a ter 20 equipas no máximo. Esta época também não haverá a jornada especial, aquela onde só havia os superclássicos; Boca vs River este ano só se jogará por uma ocasião. Uma liga recheada de talento individual e colectivo que está quase a começar e promete uma luta renhida entre os dois gigantes de Buenos Aires.

Boca Juniors e River Plate: Os crónicos candidatos ao título

O Boca Juniors reforçou-se muito bem para defender com unhas e dentes o campeonato conquistado em 2017. Os xeneize não terão durante uma grande parte da época azáfama da Libertadores (nem Sul-Americana), o que poderá ajudar – e muito – a ganhar vantagem sobre os rivais mais directos (River Plate à cabeça do pelotão).

Sem perdas significativas no plantel, Schelotto poderá assim somar os reforços que chegaram a uma equipa já muito bem oleada e com a máquina muito bem afinada. Os reforços mais sonantes vieram do México (exactamente como há 1 ano com Benedetto), com a vinda do defesa-central Pablo Goltz (América) e do médio-ofensivo Edwin Cardona (Monterrey) que vestirá a mítica camisola 10.

Os novos reforços do Boca Juniors [Foto:tn.com]
Vindo do Uruguai Nahitan Nández é o substituto de Ricardo Centurión, que envolto em polémica, acabou por não ficar no Bairro da Ribera. Para dar ainda mais potência ofensiva, chegou vindo do Villarreal, o extremo Cristian Espinoza por empréstimo de uma temporada.

O River Plate procura o tão almejado título, e, nesta próxima temporada tentará recuperar a hegemonia do futebol argentino. Naquela que poderá ser a última época de Gallardo, os milionários reforçaram-se a preceito para atacar campeonato e Libertadores.

Perderam o avançado Driussi para o Zenit, uma baixa de peso, mas, conseguiram – para já – segurar o extremo Pity Martínez que é muito pretendido na Europa (apontado a Sporting CP). Da Europa chegou o reforço com mais hierarquia do plantel, Enzo Pérez, o ex-Benfica conseguiu desvincular-se do Valência e somar-se assim ao plantel do River.

Enzo Pérez já às ordens de Marcelo Gallardo [foto: riverplate.com]
 

Também do velho-continente chegou Germán Lux, guarda-redes há muito desejado em Nuñez. Internamente contrataram Javier Pinola (Rosário Central) e Ignacio Scocco ao Newell’s Old Boys, jogadores experientes e de qualidade. O reforço mais jovem acaba por ser Santos Borré que chega emprestado pelo Atlético de Madrid. Maioritariamente o River Plate reforçou-se com jogadores experientes, conseguindo assim uma mescla entre juventude e experiência no seu plantel.

O trio perseguidor…

Estudiantes, Racing e San Lorenzo poderão desafiar o poderio dos gigantes de Buenos Aires. O conjunto Pincha agora orientada por Gustavo Matosas terminou em 3º na época anterior e promete dar luta para a nova época, tendo mantido grande parte do plantel, para já Foyth e Ascacibar vão começar a época no Ciudad La Plata. As incorporações do veterano Mariano Pavone e de Gastón Fernández ajudarão a garantir mais qualidade e profundidade ao elenco platense.

O Racing Avellaneda garantiu bastante estabilidade com a entrada de Darío Conca a meio da época passada. O último treinador campeão por La Academia poderá agora ter uma época inteira ao serviço do clube, e, assim preparar melhor a formação de Lisándro Lopez para o campeonato. A perda de Acuña foi colmatada com a entrada do virtuoso Andrés Ibarguen, o colombiano ex-Atlético Nacional. Egídio Arevalo Ríos e Augusto Solarí são outros dois reforços do conjunto azul y blanco.

Em Almagro o San Lorenzo não terminou bem a época, tendo findado em 7º, contudo será sempre uma das equipas a ter em conta. Perderam o seu capitão Nestor Ortigoza, mas voltaram a contar nos seus quadros com o defesa-central Gonzalo Rodríguez que vem da Fiorentina. Diego Aguirre mantém-se no cargo e o objectivo é voltar a colocar o San Lorenzo de novo na rota os títulos, algo que já foge desde 2014.

Gonzalo Rodriguez regressa à “casa-mãe” [Foto: diariopopular.com.ar]

Equipas com futebol de autor

Independiente de Avellaneda e o Lanús são as equipas que praticam o futebol mais atractivo e entusiasmante da Argentina. Com a chegada de Ariel Holan, os rojo y blanco, melhoraram substancialmente e conseguiram terminar a época num honroso 6º lugar e por muito pouco (2 pontos) que não acabavam em 4º lugar que lhes valia a Libertadores. Já o Lanús, que continua com Jorge Alimirón terminou no 8º lugar e evidentemente perdeu o estatuto de campeão para o Boca.

Para esta época o Independiente reforçou-se com um dos meninos bonitos de Holan dos tempos do Defensa Y Justicia, um grande guerreiro, Jonas Gutiérrez. O jogador que lutou contra o cancro há um par de anos, revitalizou-se e está de novo na alta-roda do futebol aos 34 anos. Além do ex-Defensa Y Justicia, chegou ainda Fernando Amoriebieta, o defesa-central basco vem dar outra segurança ao sector defensivo – que pode perder Tagliafico – e chegou também Gastón Silva, central italo-uruguaio de 23 anos vindo do Torino. Por fim, chegou Nicola Domingo, ex-River. Jogadores experientes e com passagens pelo velho continente. Plantel que ainda conta com os virtuosos Barco (18 anos, somente), Emiliago Rigoni e Martín Benítez que dinamitaram a frente de ataque no último campeonato.

[Foto: independiente.com]
 

Já o antigo campeão, o Lanús, não sofreu ainda qualquer alteração de relevo no plantel. Continuam em forma na Copa dos Libertadores – apurados para os Quartos-de-final – e a praticar um futebol harmonioso, vistoso e de muita organização. Espera-se ainda um ataque ao mercado agora que conseguiram o tão almejado apuramento para os 8 melhores da Libertadores.

O regresso do Argentinos Jrs. e do Chacarita Juniors

O Argentinos Juniors, clube que viu nascer Diego Armando Maradona, está de regresso ao escalão máximo do futebol argentino. Liderados por Gabriel Heinze, o antigo jogador argentino conseguiu montar um bom plantel, e, acima de tudo deu-lhes uma identidade e personalidade. Dominaram a Primera B e foram algo de rasgadíssimos elogios por toda a crítica desportiva especializada no país. Um futebol harmonioso, de toque, privilegiar a bola e alegre. 25 Vitórias, 13 empates e seis derrotas, terminando com 88 pontos em 46 jornadas, mais onze que o 2º classificado.

Para a nova época, o Argentinos perderam o seu timoneiro. El Gringo Heinze já avisou a navegação que não irá continuar ao serviço do clube. Assumindo agora Alfredo Berti os destinos do clube. Para já, chegou ao clube Leonardo Pisculichi vindo do Vitória da Bahia. O médio-ofensivo de 33 anos está de regresso ao futebol argentino onde brilhou ao serviço do River Plate.

O Chacarita Juniors acompanhou o Argentinos até a Primera División. O 2º classificado da Primera B conseguiu a promoção numa das últimas jornadas, acabando o campeonato com mais dois pontos que o Guillermo Brown, o 3º classificado.

Sete anos depois o pequeno clube dos arredores de Buenos Aires está de regresso ao escalão principal do futebol argentino. Uma autêntica odisseia pelo que este clube passou nos últimos anos. Felizmente para o emblema El Funebrero, e seus apoiantes estão de regresso ao convívio entre os grandes. German Ré e Diego Rivero são os jogadores com mais destaque do plantel, o defesa alinhou durante vários anos no Estudiantes e no Newell’s Old Boys, enquanto Diego Rivero – médio – teve passagens pelo Pachuca, Cruz Azul, San Lorenzo, Boca e está agora de regresso ao clube de formação. Walter Coyette é o timoneiro da subida e permanecerá ao leme do clube tentando que o pequeno clube se mantenha no convívio entre os grandes durante as próximas épocas.

Para finalizar, um compacto dos 30 melhores golos do último campeonato.

 


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