21 Out, 2017

A peça que falta ao Borussia Dortmund

Tomás da CunhaNovembro 17, 20163min0

A peça que falta ao Borussia Dortmund

Tomás da CunhaNovembro 17, 20163min0

Os media alemães noticiaram uma suposta oferta do Borussia Dortmund para adquirir Mahmoud Dahoud ao Borussia M’Gladbach na reabertura do mercado. Aparentemente, o BVB pretende contratar o alemão de origem síria por 15 milhões e a cedência de Sahin. Não existe, por enquanto, qualquer certeza de que o negócio se irá concretizar, mas Tuchel ficaria com um brilho no olhar caso pudesse contar com o talentoso médio de 20 anos.

Esta alegada movimentação do Dortmund demonstra que o clube não está satisfeito com as opções que tem para o meio campo. Percebe-se agora, com quase um terço do campeonato alemão disputado, que as dúvidas iniciais sobre se Gonzalo Castro e Sebastian Rode seriam suficientes para atacar a temporada eram justificadas.

Sabia-se de antemão que nem um nem outro teriam capacidade para fazer esquecer Gundögan, mas os dirigentes do Dortmund pensaram que dariam conta do recado. Enganaram-se rotundamente. Rode, que foi bastante utilizado numa fase prematura, somou exibições apagadas e foi perdendo espaço na equipa. Um autêntico peixe fora de água, revelando lentidão de processos e demonstrando que tem um nível técnico bastante abaixo da média do plantel.

Castro é um jogador de outro calibre, com mais recursos e uma capacidade superior de jogar em espaços curtos e sob pressão. Não fossem as lesões e teria conquistado facilmente a preferência de Tuchel. Assim, o técnico alemão foi obrigado a inventar soluções. Deixou Weigl como único médio responsável pela construção, abdicando do duplo pivot, e acrescentou profundidade à equipa com quatro jogadores atrás de Aubameyang.

Certo é que a mudança acabou por ter um impacto positivo no jogo do Dortmund. Weigl, que até então vinha sendo estrangulado pela pressão dos adversários, passou a ter mais liberdade, conseguindo receber mais vezes enquadrado com a baliza. O posicionamento dos quatro jogadores à sua frente (dois extremos em largura máxima e dois interiores procurando receber dentro do bloco) forçava o oponente a baixar as linhas, tal como fez o Sporting em Alvalade. Entre condicionar Weigl ou tentar reduzir o espaço entre a linha defensiva e os médios, os leões escolheram a segunda opção.

Weigl ganhou mais liberdade com a mudança de Tuchel (Foto: Borussia Dortmund Brasil)
Weigl ganhou mais liberdade com a mudança de Tuchel
(Foto: Borussia Dortmund Brasil)

Antes disto, Tuchel já tinha testado outras alternativas, como o recuo de um dos médios para a linha dos centrais. Vimo-lo em Leipzig, por exemplo, com Rode a baixar para o lado direito de modo a ser mais participativo na fase de construção. Não resultou, e o Dortmund, sem conseguir progredir pelo corredor central, limitou-se ao jogo exterior.

A adaptação de Raphaël Guerreiro ao meio campo também poderá ser explicada pela falta de um médio competente em todos os momentos. Utilizado várias vezes como interior, o português, além da qualidade de decisão que apresenta, oferece uma agressividade defensiva que Götze ou Kagawa não conseguem dar, permitindo que a equipa recupere a bola imediatamente após a perda.

Apesar de todos os testes feitos por Tuchel, a chegada de mais um médio afigura-se indispensável na reabertura do mercado. Dahoud, que não tem tido tanto protagonismo nesta temporada, é um jogador de fino recorte técnico, inteligente na procura dos espaços e com uma capacidade de resistência à pressão que nem Castro nem Rode possuem. Talvez seja a peça que falta para que o Dortmund afaste as exibições cinzentas e possa voltar à espectacularidade de outros tempos.


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