23 Out, 2017

Nagelsmann: Um mal que veio por bem

Gonçalo MeloJaneiro 16, 20175min0

Nagelsmann: Um mal que veio por bem

Gonçalo MeloJaneiro 16, 20175min0

O mundo do futebol é um mundo rico em surpresas, tanto boas como más. Neste complexo e competitivo mundo os azares acontecem e, se alguns se deixam ir abaixo após esses azares, outros vêem neles uma oportunidade para dar a volta e evoluir. No caso em análise, o azarado deu a volta de forma transcendente, podendo até ser considerado afortunado. É a história de Julian Nagelsmann, treinador de Hoffenheim.

Quando olhamos para o paradigma atual do futebol alemão é impossível não reparar na nova geração de treinadores que desponta neste momento. Desde Markus Weinzierl, treinador do Schalke 04, até ao mais conhecido Thomas Tuchel que orienta a sempre atrativa e apaixonante equipa do Borussia de Dortmund. Mas, para além destes, há um treinador que nesta temporada tem conseguido enorme reconhecimento, sendo mesmo a nova coqueluche de treinadores jovens em toda a europa.

Falamos de Julian Nagelsmann, treinador do Hoffenheim. Nascido no ainda recente ano de 1987, 29 anos, está a espantar o mundo do futebol. Este jovem treinador é mais novo que Messi e Cristiano Ronaldo, o que mostra bem o impacto que está a ter.

Nascido na Baviera, Julian desde cedo teve o sonho da maioria dos rapazes. Ser jogador de futebol. Em 2001 chegou à equipa de sub 15 do Augsburgo onde estaria uma época, pois no ano seguinte regressaria para perto de casa, chegando ao 1860 de Munique onde fez o resto da sua formação até chegar à equipa B de séniores, sempre como defesa central, com uns devaneios pelo meio para o seu outro desporto de eleição, o hóquei no gelo.

Sem grande impacto regressa a Augsburgo, mas também para a equipa B. E foi neste regresso que sucedeu o acontecimento mais marcante da sua carreira de futebolista. Uma lesão grave no joelho, mal debelada, colocava em causa a sua ainda curta carreira, com apenas 20 anos. Após algumas tentativas de regresso, todas elas sem sucesso devido à fragilidade do joelho, Nagelsmann põe termo à carreira, tendo ainda tentado uma última vez em 2013 ao serviço dos amadores do Issing.

O fim de uma Carreira… e o início de outra!

Em 2008 tem a sua primeira experiência como técnico adjunto da equipa de sub17 do 1860 de Munique, onde fica uma época até ser contratado pelo Hoffenheim para orientar o mesmo escalão. Após duas boas épocas é promovido à equipa de juniores, onde na época de 2013/14 bate o pé aos gigantes Bayern, Borussia e Leverkusen e conquista o título de campeão nacional de Juniores, título inédito na história do clube. Nas duas épocas seguintes consegue dois segundos lugares atrás de Leverkusen e Borussia de Dortmund, respetivamente.

Com um trabalho coeso e bem planeado, o grande desafio chega em Março de 2015, quando o treinador da equipa principal do Hoffenheim Hubb Stevens é demitido e Nagelsmann é promovido à equipa principal, onde consegue evitar a despromoção com 7 vitórias em 14 jogos. O valor de Julian Nagelsmann ainda era colocado em causa, devido à sua juventude.

Para os mais céticos e hype criado na reta final da época passada à volta do treinador não era de confiar, pois as chicotadas psicológicas têm sempre um efeito positivo nas equipas.

Mas, contrariando os céticos, Nagelsmann entrou na época 2016/17 a abrir, somando grandes resultados e mantendo- se no top 5 da bundesliga desde a primeira jornada, sendo a única equipa das principais ligas europeias que ainda não perdeu até ao dia de hoje. O 3-5-2 ofensivo imposto pelo técnico é dos mais compactos da europa, com as torres Kevin Vogt, Fabian Schar e Niklas Sule a formarem um trio defensivo quase impenetrável, com os criativos demirbay e amiri (campeão de juniores com Nagelsmann) a espalharem magia no meio campo, com os incasáveis laterais kaderabek e Toljan a correrem km por jogo e com a dupla ofensiva Kramaric e Sandro Wagner (adversário do treinador quando eram juniores) a fazer estragos nas defesas contrárias.

A filosofia de jogo moderna e atrativa implementada por Nagelsmann tem captado o olho da maioria, com uma capacidade de pressão alta que caracteriza as equipas alemães, aliada ao pouquíssimo espaço que a equipa dá entre linhas ( aqui entra a leitura tática do internacional alemão Sebastian Rudy e a velocidade e agressividade dos centrais Sule e Vogt ) e à excelente capacidade na transição ofensiva, com a velocidade de elementos como Kaderabek e Toljan e a capacidade de passe de Rudy e Demirbay a serem as principais armas de uma equipa jovem (média de 25 anos) e ambiciosa, que conta com o 4º melhor ataque e a 6ª melhor defesa da Bundesliga até a data.

Para além disso, a enorme diferença pontual em relação à mesma altura do ano passado, onde ocupavam o último lugar da tabela com apenas 13 pontos em 17 jogos, ao passo que nesta época a equipa soma 28 pontos em 16 jogos, salienta bem o “ efeito Nagelsmann “.

Julian Nagelsmann tem apenas 29 anos, o que na maioria dos casos significa o ponto alto da carreira como jogador, na sua significa o início de uma prometedora carreira como treinador. No entanto, tudo isto se deve a uma (in)feliz lesão que acabou com a (não muito prometedora) carreira de futebolista de Nagelsmann. Sem essa infelicidade, a nova coqueluche alemã estaria provavelmente a jogar na 2ª ou mesmo 3ª divisão, sem grande brilho. Em vez disso está nas bocas do mundo, e é apelidado de “Novo Van Gaal”. É caso para dizer, há males que vêm por bem.


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