17 Out, 2017

Friburgo – Uma força que vem de Sudoeste

Gonçalo MeloFevereiro 27, 20175min0

Friburgo – Uma força que vem de Sudoeste

Gonçalo MeloFevereiro 27, 20175min0

Na competitiva e atractiva Bundesliga, onde o valor dos contratos publicitários e dos direitos televisivos só são superados pela Premier League e pela La Liga, as equipas encontram-se praticamente todas num patamar de equilíbrio, com excepção do colosso Bayern de Munique. Ainda assim, existem diferenças salientáveis nos orçamentos de algumas equipas e só com uma estratégia bem definida e uma ginástica financeira consistente se consegue dar a volta a essas diferenças. E nenhum clube faz isso melhor que o SC Friburgo, a temível equipa do sudoeste alemão.

Fundado no ano de 1904 (ano de fundação de outros grandes clubes como o Bayer Leverkusen, o Schalke 04 ou o tricampeão nacional Benfica) e situado na cidade Freiburg im Breisgau no sudoeste da Alemanha, este centenário clube tem uma filosofia muito bem definida, para além de um conhecimento perfeito das suas limitações, conseguindo assim desta forma dar a volta às dificuldades financeiras.

Com um plantel avaliado em pouco mais de 52 milhões de euros, o terceiro plantel com valor de mercado mais baixo dos 18 planteis da Bundesliga (mais baixo só os planteis do Ingolstadt e do Darmstadt) conseguimos analisar a ginástica efetuada pelos dirigentes do clube, onde a aposta na formação é um dos maiores orgulhos dos adeptos.

Com uma das melhores formações do futebol alemão, com óptimas condições no seu centro de estágio, bons treinadores e um acompanhamento desportivo e escolar exímio para com os seus utentes o Friburgo vende frequentemente jovens talentos às melhores equipas alemãs, como por exemplo Mathias Ginter, jovem central do Borussia de Dortmund e campeão mundial em 2014 no Brasil, mas nem por isso deixa de ter jovens com qualidade na sua equipa principal.

O guarda redes Alexander Schwolow, o central Marc-Oliver Kempf, o lateral esquerdo Christian Gunter são os grandes destaques da formação do clube (estes dois últimos internacionais jovens pela Alemanha).

Mas para além da aposta em jovens talentos formados no clube, o Friburgo notabiliza-se pela excelente visão de mercado, ao contratar segundas opções de equipas mais fortes (Nils Petersen, internacional alemão ex-Bayern e Werder Bremen, ou Aleksandar Ignjovski, internacional sérvio ex Eintracht Frankfurt) e jovens valores desconhecidos para a maioria.

Falamos de: o talentoso italiano Vicenzo Grifo (jogador mais influente da equipa com 8 golos) o internacional albanês Abrashi, o jovem promissor turco Onur Bulut ou o internacional norueguês Håvard Nielsen, aos quais se juntam os experientes defesas Marc Torrejón e Georg Niedermeier e os médios Mike Frantz, Nicolas Hofler e Julian Schuster (os lideres de balneário), que orientados pelo homem da casa Christian Streich (no clube desde 1995, desde 2011 na equipa principal) ocupam neste momento um sensacional 9º lugar na Bundesliga.

9 vitórias, 10 derrotas e 3 empates, um registo extremamente positivo para a realidade do clube, sendo das equipas mais difíceis a jogar na condição de visitado, onde soma 7 das suas 10 vitórias.

Com um plantel limitado em relação à maioria dos adversários directos (Augsburg, Bremen e Hamburgo têm orçamentos muitos superiores e estão abaixo do clube do sudoeste alemão neste momento) o Friburgo vai fazendo o seu caminho nesta edição da Bundesliga, após a fantástica subida de divisão na época transata.

Streich tem sabido fazer das fraquezas forças, ao implementar esta época um 4-4-2 agressivo e pressionante que coloca em dificuldade os adversários logo no seu meio campo, ganhando muitas bolas em zona perigosa para os oponentes.

Foto: Bild

Todavia, é uma equipa que depende muito de rasgos individuais das principais figuras, seja Grifo com a sua qualidade técnica e destreza nas bolas paradas, seja Petersen em finalizações quase impossíveis, Abrashi numa ruptura pelo meio ou Gunter num dos seus raides pela esquerda.

A equipa revela alguma dificuldade quando o adversário se apresenta mais recuado, e não se apresenta a jogar “como equipa grande”, algo que a equipa tem tentado contrariar, tendo já uma ideia de jogo mais atractiva aquando da posse de bola, onde Abrashi, Hofler e Grifo se parecem multiplicar ao ofereceram inúmeras linhas de passe aos colegas e aparecendo sempre quando a equipa necessita.

Do ponto de vista defensivo a equipa também tem vindo a melhorar de forma substancial, sendo cada vez mais difícil batê-los devido à boa forma dos centrais Torrejón, Söyüncü e Niedermeier, bem como da consistência da dupla de médios Hofler-Abrashi que trabalha incansavelmente durante todo o jogo.

Os laterais Ignjovski e Gunter também dão segurança defensiva assinalável, não fossem eles jogadores habituados a grandes palcos (são ambos internacionais). Apesar da segurança defensiva, os laterais nunca se coíbem de ajudar no momento ofensivo sendo igualmente capazes de criar desequilíbrios nas subidas que fazem.

O Friburgo é neste momento uma das equipas mais difíceis de bater na Bundesliga, apesar do percalço nesta jornada diante do Borussia de Dortmund, onde perderam por 3-0, e ninguém fica incólume ao ambiente e à dificuldade que se encontra no Schwarzwald-Stadion, onde a cada duas semanas cerca de 20 mil entusiasmados adeptos puxam fervorosamente pelo seu Friburgo.

Um clube com limitações, mas que sabe dar a volta às mesmas, vivendo dentro das suas possibilidades mas não descurando a competitividade e a vontade de ganhar, trabalhando muito na análise e prospetiva de jogadores e na formação.

Um verdadeiro exemplo de como sobreviver ao futebol atual. Queiram as equipas portuguesas segui-lo, sobretudo o exemplo de não viver acima das possibilidades.


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