21 Nov, 2017

Bundesliga 2016/2017- Flops

Gonçalo MeloJunho 7, 20176min0

Bundesliga 2016/2017- Flops

Gonçalo MeloJunho 7, 20176min0

Após analisados os destaques de mais uma edição da Bundesliga é tempo de analisar e comentar as desilusões ou, como de diz na gíria futebolística, os “flops”. Numa lista composta por algumas surpresas, algumas delas jogadores já internacionais, salta à vista um nosso bem conhecido, o campeão europeu Renato Sanches.

É pelo jovem internacional português formado no Seixal que começamos. Contratado por 35 milhões de euros com apenas 18 anos, Renato chegava à Baviera em alta após ter sido campeão português pelo Benfica e campeão europeu por Portugal.

No entanto, fruto da forte concorrência e inadaptação ao estilo de jogo do Bayern, Renato foi pouco utilizado, sem nunca conseguir expor o futebol apresentado no anterior clube e na seleção, tornando-se provavelmente no maior flop do ano na Alemanha, devido ao que custou e à qualidade e esperança que nele depositavam (explicamos melhor a sua situação no artigo dedicado ao jovem prodígio).

Mas, para alem dos vários flops individuais, como Douglas Costa que não deu seguimento à qualidade apresentada na primeira época, ou Marco Reus que não consegue jogar dois meses seguidos sem se lesionar (podia ser o melhor jogador alemão da atualidade, não fosse ele de cristal) os principais flops desta edição da Bundesliga foram coletivos.

O Bayer Leverkusen, que se propunha a disputar o terceiro lugar, terminou num paupérrimo 12º lugar a uma longa distância de 23 pontos do seu objetivo. Um ano para esquecer para os farmacêuticos, com vários jogadores a realizarem épocas abaixo do esperado.

O capitão Lars Bender teve um ano fustigado por lesões, o turco Hakan Çalhanoglu nunca conseguiu expor a qualidade técnica e visão de jogo a que nos habituou, Karim Bellarabi parece ter estagnado (foi ultrapassado por Julian Brandt e Leon Bailey nas alas, para alem de ter perdido o comboio da seleção) e os avançados Stefan Kiessling, Kevin Volland e Admir Mehmedi foram pouco produtivos a nível de golos, sendo muitas vezes Chicharito o abono de família da equipa, com a sua finalização e sobretudo abnegação a trabalhar em prol da equipa.

A nível defensivo, Jonathan Tah e Aleksandar Dragovic nunca deram a segurança necessária, e os laterais ofensivos Wendell e Benjamin Henrichs deixaram muitas vezes espaço para os oponentes, revelando dificuldades a fechar os corredores. Valeu muitas vezes o inspirado guarda redes Bernd Leno, que já pede voos mais altos. A dececionante campanha levou ao despedimento do técnico Roger Schmidt, algo que não fez subir a produção da equipa, bem pelo contrário.

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Foto: Der Bild

Outra grande desilusão foi o histórico Schalke 04. Com um defeso movimentado e cheio de aquisições que prometiam, como Breel Embolo, Yehven Konoplyanka, Nabil Bentaleb, Coke ou Baba Rahman, previa-se uma época a lutar pelos lugares de Champions League, algo que não sucedeu.

Com um novo timoneiro, Markus Weinzierl, que tinha realizado um bom trabalho ao serviço do Augsburgo, o Schalke nunca conseguiu ser uma equipa coesa e constante (as lesões não ajudaram, Embolo e Huntelaar quase não jogaram, e o lateral direito Coke só realizou a ponta final da época para alem dos jogos iniciais de Agosto).

O craque ucraniano Konoplyanka eclipsou-se, nunca sendo uma mais valia nem apresentando o talento que demonstrou no Dnipro e na seleção e sendo suplente a maior parte dos jogos, Baba Rahman nunca consegui destronar Kolasinac, Johannes Geis teve uma temporada abaixo do esperado, tal como Benjamin Stambouli que chegava do PSG com rótulo de craque, e os avançados Choupo Mouting e Di Santo que nunca conseguiram suplantar a ausência do goleador Huntelaar.

Por outro lado, valeram a Weinzierl o talentoso Leon Goretzka, os experientes defesas Naldo e Benedikt Howedes e os reforços de inverno Guido Burgstaller e Daniel Caligiuri, que conseguiram que a equipa terminasse num menos mau 10º lugar.

Max Meyer conseguiu por pouco escapar ao rótulo de flop nesta temporada (jogou muitas vezes fora da sua posição, a descair para a esquerda ou demasiado na frente de ataque) devido ao talento individual demonstrado muitas vezes, sem grande constância no entanto.

Apesar destes dois flops, nada bate a péssima época dos novos ricos do futebol alemão. O Wolfsburgo do português Vieirinha escapou à despromoção apenas no playoff diante do Eintracht Braunschweig, realizando a pior época dos últimos anos.

Numa anarquia tática constante, os lobos nunca pareceram ter uma ideia e forma de jogar definidas, vivendo à base de rasgos de Julian Draxler na primeira metade da época, e dos golos de Mario Gomez na segunda.

É portanto fácil identificar vários flops desta dispendiosa equipa, como o lateral esquerdo Ricardo Rodriguez que baixou muito o rendimento que o tornou num dos mais apetecíveis laterais esquerdos da europa, os médios defensivos Josuha Guilavogui e Luiz Gustavo, os criativos Maximilian Arnold e Daniel Didavi, os contratados em Janeiro Paul-George Ntep (que nunca apresentou o nível e qualidade que levaram o clube patrocinado pela Volkswagen a desembolsar 18 milhões na sua aquisição) e Riechedly Bazoer, ou até o guarda redes Diego Benaglio que perdeu o lugar para Koen Casteels. Salvaram-se os jovens Yannick Gerhardt, Vieirinha e Yunus Malli.

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Foto: Martin Rose / Getty Images

Nas restantes equipas, o Mainz e o Hamburgo podem também ser consideradas flops desta temporada que agora findou, devido à dificuldade em manter-se acima da linha de água.

No Mainz, o suíço Fabian Frei teve uma época num nível baixo, tal como o jovem promissor Kevin Oztunalli e o defesa central/trinco André Ramalho.

No Hamburgo, que mais uma vez se consegui manter na primeira liga, destaque negativo para o central Yohan Djourou, para o avançado Pierre Lasogga que marcou apenas 1 golo na temporada, e para o jovem trinco brasileiro Wallace Silva que denotou alguns problemas de adaptação a uma nova realidade fora do Brasileirão.

Num ano de descida para Darmstadt e Ingolstadt, que nem podem ser considerados flops devido ao baixo nível da maioria dos seus jogadores em relação a jogadores de outras equipas rivais na luta pela permanência (salvo alguns casos como Dario Lezcano, Matthew Leckie, Pascal Gross, Jerome Gondorf ou Marcel Heller), estes foram os principais destaques negativos de um campeonato disputado e atrativo até à ultima ronda.

Na próxima época, estas desilusões vão certamente querer dar a volta por cima e esquecer esta má temporada. Em Agosto começa tudo novamente, e tudo pode acontecer.


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