14 Dez, 2017

7 coisas que ficam do Euro Sub-17

Tomás da CunhaMaio 20, 20177min0

7 coisas que ficam do Euro Sub-17

Tomás da CunhaMaio 20, 20177min0

O Fair Play elegeu alguns destaques do Euro Sub-17 que teve como vencedor a selecção nacional espanhola.

Denia e a identidade espanhola – Nos últimos anos, todas as selecções espanholas têm mantido uma identidade que privilegia o controlo do jogo através da posse de bola. Contrariando o que seria de esperar, a equipa orientada por Santi Denia nem sempre procurou dominar dessa forma, abdicando muitas vezes da iniciativa. Essa postura mais expectante colocou os espanhóis perante maiores dificuldades, dependendo daquilo que os adversários eram capazes de fazer. Se no perfil dos jogadores continuam a sobressair as boas decisões, é certo que foram as opções do seleccionador que diminuíram as probabilidades de sucesso e obrigaram a dois desempates por grandes penalidades.

O talento explosivo de Sancho – Há 2 anos, quando cativou a atenção do Manchester City enquanto jogador do Watford, Jadon Sancho motivou desde logo as maiores expectativas quanto ao seu futuro. A relação com a bola denunciava um jogador com um talento distinto, num patamar de desenvolvimento bem acima do que a sua idade poderia fazer prever. O nível que apresentou nesta competição confirma todo o potencial e prova que o jovem inglês é uma das maiores promessas da sua geração. Sancho estabeleceu as diferenças em todos os encontros, criando desequilíbrios atrás de desequilíbrios com uma enorme facilidade. Partindo do corredor esquerdo, embora tenha tido liberdade de movimentos, impressionou pela qualidade técnica e pelo repentismo na mudança de velocidade. Procura muitas vezes as situações de 1×1, em que é praticamente impossível de travar, mas não é um jogador exageradamente individualista, apesar de ter forçado demasiado no jogo contra Espanha. Na fase a eliminar (exceptuando a final) surgiu mais vezes em zonas interiores, recebendo em espaços potencialmente mais perigosos para o adversário. Foi um dos jogadores em destaque na prova, com 5 golos e 5 assistências.

Um lateral para o futuro – Tendo em conta a posição que ocupa, Mateu Morey, do Barcelona, é uma das figuras deste torneio com maiores probabilidades de vir a ser uma referência a nível mundial. Foi um dos jogadores mais influentes da sua selecção, destacando-se pelo que conseguiu oferecer a nível atacante. O seleccionador Santi Denia aproveitou o trabalho feito em La Masia e colocou muitas vezes o lateral em terrenos interiores nos momentos de organização ofensiva, posicionamento que lhe valeu uma preponderância tremenda na manobra espanhola. Criativo e muito inteligente na tomada de decisão, Morey assumiu-se como um dos principais desequilibradores da equipa, sobretudo pela capacidade de progredir em condução. A facilidade de jogar com os dois pés permite que tenha mais soluções quando flecte para o espaço central, como se viu nos 3 golos que marcou no torneio.

Morey em disputa com Sancho
[Foto: UEFA]
 

Dois ‘9’ para seguir – Depois de ter dado nas vistas no Europeu do ano passado e também na UEFA Youth League ao serviço do Barcelona, Abel Ruiz fez disparar a sua cotação com as exibições de luxo que realizou na Croácia. Não estivéssemos numa competição de sub-17 e provavelmente ninguém diria que o espanhol ainda é juvenil, tal a maturidade e a inteligência nos movimentos que exibe. O jovem que vai evoluindo em La Masia apresenta um leque de soluções assinalável – soberbo na forma como oferece apoios frontais constantes – e é claramente um projecto com potencial para vingar em Camp Nou. Só Amine Gouiri, avançado francês, conseguiu ter um peso semelhante na equipa, deixando a sua marca em todos os encontros. Não se sente tão confortável como referência, beneficiando quando tem espaço para encarar o adversário e desequilibrar no 1×1. Nesta altura é uma das principais promessas das escolas do Olympique Lyonnais e possui excelentes características (mobilidade, agressividade e qualidade técnica) para fazer um percurso interessante.  

O poder dos criativos – Pé esquerdo temível, agilidade, criatividade e facilidade de remate. A descrição encaixa na perfeição em Sergio Gómez e Phil Foden, dois jogadores que tiveram um contributo decisivo nas respectivas selecções. O espanhol, apesar de ter sido prejudicado pela estratégia conservadora de Santi Denia, que o fez desaparecer do jogo em muitos momentos, foi um dos elementos em evidência nos campeões. Descaído sobre a esquerda, ganhou influência quando apareceu no espaço central e se associou com Abel Ruiz, seu colega em Barcelona. Outro dos motivos de interesse deste torneio foi o baixinho inglês, que espalhou classe pelos relvados croatas. Foi uma ameaça constante para os adversários, mostrando muita imaginação e uma habilidade fantástica. Fazendo lembrar Patrick Roberts, criou inúmeros desequilíbrios através de diagonais em condução acelerada.

Foden tenta ultrapassar Moha [Foto: UEFA]
 

Os mais talentosos da máquina alemã – Não chegou à final, mas a selecção germânica foi indiscutivelmente uma das mais fortes da competição. Mesmo não tendo uma geração brilhante do ponto de vista individual, a turma de Christian Wück impôs-se e passou grande parte dos jogos em ataque posicional. Mas, se na fase de grupos se assistiu a um autêntico passeio dos alemães, na fase a eliminar surgiram outras dificuldades, que permitiram que se separasse aqueles que de facto têm um talento acima da média. Elias Abouchabaka, médio ofensivo esquerdino, foi um dos que suscitou mais curiosidade para o futuro. Sem ser especialmente criativo, o jogador do RB Leipzig (clube cada vez mais presente nas selecções jovens) tem uma boa visão de jogo e muito critério nas decisões. Com características bem diferentes, John Yeboah, talentoso médio/extremo do Wolfsburgo, foi o responsável por oferecer algum rasgo à máquina alemã. Um jogador difícil de travar, pela velocidade e imprevisibilidade que tem no seu futebol.

Babacan e uma interessante geração turca – Entre o lote de melhores jogadores da competição tem de estar obrigatoriamente Atalay Babacan, a figura mais entusiasmante da Turquia. O jovem talento do Galatasaray apresentou-se como um médio ofensivo de elevado requinte técnico – bola sempre colada ao pé esquerdo – e bastante criativo na procura de soluções. Quando está enquadrado com a última linha do adversário é letal e preciso no passe à procura do colega. Babacan não esteve desacompanhado no meio campo turco, contando com o bom nível de jogadores como Kerem Kesgin, muito racional, ou Hasan Adigüzel, criterioso e resistente à pressão. Estranhamente, tendo em conta a sua qualidade, Umut Günes, médio canhoto com uma facilidade incrível de romper com passes verticais, não foi das primeiras opções mas saltou do banco para deixar sensações muito positivas.

Destaques de outras selecções: Moses Kean (Itália/Juventus, avançado), Dominik Kotarski (Croácia/Dinamo Zagreb, guarda-redes), Ivan Ilic (Sérvia/Estrela Vermelha, médio), Dominik Szoboszlai (Hungria/RB Salzburgo, médio), Kris Szereto (Hungria/Stoke City, médio ofensivo), Zakaria Aboukhlal (Holanda/Willem II, avançado), Glenn Middleton (Escócia/Norwich, extremo) e Aaron Bolger (Irlanda/Shamrock Rovers, médio)


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