23 Nov, 2017

De A a Z – o mundo da bola em 2016

Filipe CoelhoDezembro 30, 201614min0

De A a Z – o mundo da bola em 2016

Filipe CoelhoDezembro 30, 201614min0

Girando o calendário, tal e qual como a bola, o que fica do que passa do (memorável) ano que agora termina? Uma revisão sumária; e ei-los – os 366 dias de 2016 a partir das 23 letras.

André

De repente, parece que foi há muito tempo. Mas André Silva apenas se estreou com a camisola do FC Porto três dias antes do arranque de 2016. Depois disso, afirmou-se nos dragões, agarrou o dorsal ‘10’ dos portistas, confirmou todo o potencial que lhe era creditado e somou já 4 golos em 4 jogos com as cores da selecção principal de Portugal. Um ano marcado por uma ascensão meteórica e que termina com o jovem avançado de 21 anos como melhor marcador da Liga NOS, totalizando 10 golos. Possivelmente, a melhor notícia do FC Porto em 2016.

Brasil

2016 bem pode ter sido o ano do renascimento do escrete. A medalha de ouro no Torneio Olímpico de Futebol era um objectivo há muito tempo perseguido e foi atingido, sobretudo à custa de uma notável performance defensiva (apenas 1 golo sofrido em toda a competição). Por outro lado, se a Copa América correu de forma negativa (afastamento nos quartos de final perante o Paraguai), a saída de cena de Dunga e a escolha de Tite permitiram aos brasileiros recuperar algum do seu orgulho perdido nos últimos anos, terminando 2016 com 6 vitórias consecutivas (inclusive um triunfo expressivo sobre a Argentina) e com o passaporte para o Rússia’2018 a caminho de ser carimbado.

Chapecoense

Os heróis da pequena Chapecó, no Brasil, já haviam encantado o país do futebol e preparavam-se para conquistar a América do Sul. A equipa viajava para a Colômbia para disputar a sua primeira final internacional – a da Copa Sul-Americana – quando o avião que transportava a comitiva ficou sem combustível e acabou por se despenhar. Com ele, foi-se o sonho de um plantel que, da pior maneira possível, acabou por conquistar um lugar na eternidade. E agora, por entre as lágrimas vertidas em razão da perda dos intérpretes do (até agora) sonho, também o mundo será fervoroso adepto da reconstrução da Chape.

Despedimento

Parece estar na moda mas é um facto indesmentível – ainda não cumpridos 50% da Liga NOS e já 10 treinadores (mais de metade dos 18 totais) ficaram sem emprego! Uma autêntica razia, que vem mais uma vez demonstrar a muita impaciência dos dirigentes face aos técnicos que … escolheram. Não se pense, porém, que é um ‘virus’ que ataca apenas em Portugal: na espetcacular Bundesliga, em pouco mais de um trimestre, contam-se 8 mudanças no comando técnico das equipas alemãs.

Éder

O herói improvável. O homem que, na ponta daquela bota, foi cada um de nós no pontapé rasteiro e colocado que bateu Lloris. Aposta (sempre) contestada de Fernando Santos, o camisola 9 assinou o golo mais importante da história do futebol português. À custa disso viverá como ícone futebolístico da nação – ele traçou a história e da História já não se livrará. Correu mesmo tudo bem!

O momento do ano; o pontapé para a História (Foto: allsoccerplanet.com)

Fernando

Portugal nunca foi brilhante ao longo do seu percurso no Euro’2016. Mas se a um treinador cabe dar todas as ferramentas que aproximem a sua equipa do sucesso, dificilmente se poderá dizer que Portugal poderia ter tido melhor estratega no seu comando. Fernando Santos foi o catalisador de um sonho julgado impossível. “Já disse à minha família que regresso a casa no dia 11” – o que pareceu uma fezada era, afinal, a maior das profecias. O ‘Engenheiro do Penta’ é, hoje, o ‘Engenheiro do Euro”. Que obra, Mister!

Griezmann

O pequeno loirinho quase viveu o ano que sempre idealizou. Foi peça fundamental nas campanhas de Atlético de Madrid e da França nas maiores competições europeias de clubes e de selecções, respectivamente, mas viu a vitória fugir-lhe em qualquer dos casos. Não houvesse Ronaldo e Messi e estaria perfeitamente dentro da discussão para melhor jogador do Mundo de 2016. Resta-lhe a consolação do prémio de melhor jogador do Euro 2016 (e do título de máximo marcador, com 6 golos), naquela que foi a primeira vez que um jogador acabou designado o melhor desta competição sem ter conquistado o título colectivo.

Higuain

90M€ de Turim para Nápoles tornaram Gonzalo Higuaín no nome mais badalado do Veráo de 2016. O matador argentino era figura de proa no conjunto de Sarri mas cedeu à tentação do campeão italiano – mudou-se para a Juventus e espoletou uma série de criticas pela falta de lealdade para com o seu anterior clube. Seja como for, mais a norte ou mais a sul em Itália, ‘Pipita’ Higuain tem sempre correspondido com um killer instinct fora de série: foi o melhor marcador da Serie A em 2015/2016 (36 golos) e soma já 13 golos na presente temporada.

Islândia

A par do País de Gales, foi a história mais improvável do último Europeu. Uma nação recôndita, estreante em competições deste nível e com pouquíssimo relevo futebolístico surpreendeu tudo e todos pela sua capacidade de superação, pela força motriz chamada crença e por uns adeptos que deram colorido extra às bancadas francesas. Caíram apenas nos quartos-de-final da competição já depois de traumatizarem (e enviarem para casa) os ingleses.

Juventus

O domínio na bella Itália continua e estende-se. Os homens de Turim não se coibiram, em 2016, de demonstrar o seu poderio. Seja fora de campo, com contratações como as de Pjanic ou de Higuain aos seus mais directos rivais (AS Roma e Napoli), como dentro dele, atingindo o marco histórico de duas dobradinhas consecutivas – a primeira vez que tal sucedeu na história deste emblema. Se internamente não parece haver competidor à altura, à ‘Juve’ falta apenas a confirmação europeia – e com um plantel deste nível, é bem provável que o novo ano complemente o já muito feliz exercício de 2016.

Uma imagem normal nos dias actuais do Calcio (Foto: inquisitr.com)

Leicester

Discuta-se a forma ou o conteúdo; não se renegue o mérito e a dimensão. Na era dos multimultimultimilionários, a equipa de Ranieri logrou, talvez, o maior feito dentro das maiores Ligas das últimas largas décadas. Apontado como candidato à descida, o Leicester vulgarizou a concorrência, passou o Boxing Day na frente e chegou a Maio com 10 pontos de vantagem sobre o 2º classificado, Arsenal. Um verdadeiro conto de fadas, inaudito na sua essência, e assente nas notáveis performances de Kanté, Mahrez e Vardy.

Messi

Começou o ano a ser coroado como melhor jogador do Mundo e manteve a bitola elevada, ainda que os títulos colectivos não tenham tido correspondência com as inúmeras brilhantes prestações individuais (pese embora o campeonato e a taça vencidos pelo Barcelona). Voltou a conduzir a Argentina à final da Copa América mas tornou a ver o título fugir, num ano em que, pela primeira vez, falhou algumas partidas por condicionantes relacionadas com lesões. Vai somando números e batendo recordes, e 2016 foi mais uma base temporal para se testemunhar a leveza, genialidade e classe com que joga futebol.

Nacional

Se os anos passados já demonstravam um interessante crescimento deste emblema colombiano, 2016 revelou-se um ano brilhante. Sob o comando de Reinaldo Rueda (antigo seleccionador de Honduras e Equador), o Atlético Nacional conquistou a Taça da Colômbia, chegou à final da Copa Sul-Americana (abdicando do troféu em favor da Chapecoense) e, 27 anos depois, voltou a erguer a Copa Libertadores. É, pois, uma das maiores potências futebolísticas da América do Sul – com o ‘plus’ de, neste ano que agora termina, ter ‘deixado voar’ pérolas como Marlos Moreno (Manchester City), Davinson Sánchez (Ajax) ou Sebastián Pérez (Boca Juniors).

Oriente

É um autêntico furacão que assola o panorama futebolístico como até aqui o conhecíamos. A China decidiu virar-se para o desporto-rei e o investimento parece não ter fim à vista, com o ano que agora termina a ser marcado por um êxodo de grandes jogadores rumo a este destino oriental: Tevez, Oscar, Pellè, Hulk, Ramires, Lavezzi, Jackson Martínez, Gervinho, Guarín, Alex Teixeira, Renato Augusto, ou Zahavi. Para não falar em treinadores como Manuel Pellegrini, André Villas Boas ou Felix Magath. A tendência é para que o fluxo continue e 2016 poderá ter sido o primeiro ano do resto da história futebolística chinesa.

Palmeiras

Zé Roberto já jogava futebol em termos profissionais quando o Palmeiras fora, pela última vez, campeão. Mas desenganemo-nos – foi já há muito, muito tempo! 22 anos passaram até que o ‘Verdão’ voltasse a provar o doce sabor da conquista do Brasileirão. Pois bem, o veterano de 42 anos (!) ainda foi peça importante neste trajecto, mas os nomes de Dudu, Moisés e, sobretudo, Gabriel Jesus revelaram-se os destaques maiores da vitoriosa equipa liderada por Cuca.

Gabriel Jesus foi fundamental na conquista do Brasileirão pelo Palmeiras. (Foto: maisfutebol.iol.pt)

Quaresma

Não teve a prestação de um Rui Patrício, de um Pepe, de um João Mário ou de um Renato Sanches. Mas, aos 32 anos, Quaresma renasceu para a Selecção pela mão de Fernando Santos e tornou-se uma verdadeira arma secreta para a turma das Quinas na campanha triunfal em Paris (para além de ter brilhado em jogos de caracter particular). Tudo isto num ano em que sorriu também no seu clube: foi campeão turco com a camisola do Besiktas.

Ronaldo

Se Griezmann sonhou e quase logrou, então CR7 teve, de facto, o seu ano de sonho! Campeão Europeu por clube e selecção, sendo figura de proa no Real Madrid e em Portugal, Ronaldo atingiu o topo do topo em termos colectivos. Talvez já se lhe tenha sido visto melhores e mais fulgurantes anos em termos de rendimento individual mas o certo é que os golos continuam a surgir como ketchup – foram mais de 50 em 2016 – e os recordes batidos acumulam-se. A Bola de Ouro da France Football já consta do seu museu e não deixará de ser natural que o prémio da FIFA tenha o mesmo destino.

Sánchez

O 2º semestre de 2016 foi fabuloso para o avançado chileno! Figura de proa no Chile que conquistou a Copa América pela segunda vez consecutiva, a Alexis Sánchez foi ainda atribuído o prémio de melhor jogador da competição. No Arsenal vive o seu melhor momento, afirmando-se como figura de destaque (com os seus 12 golos em 18 jogos, por exemplo), e catapultando os Gunners para uma candidatura ao título aparentemente para ser mais levada a sério do que em épocas anteriores.

Tri

O tricampeonato confirmou a superioridade do Benfica em território nacional – nenhuma outra equipa conquistou mais pontos (95), marcou mais golos (86), obteve mais vitórias (30) e sofreu menos golos (20) do que a equipa da Luz, na Liga NOS, em 2016. Para além disso, a chegada aos quartos-de-final da Champions da época passada e a manutenção em todas as provas no final do ano civil marcam um 2016 repleto de objectivos atingidos (e superados) para a turma liderada por Rui Vitória.

UEFA

Não foi um ano fácil para a entidade que rege o futebol europeu. O contexto relacionado com Michel Platini redundou na suspensão do francês, por quatro anos, de toda a actividade ligada ao futebol. Como seu sucessor foi eleito Aleksander Ceferin. Porém, o esloveno foi já apanhado a meio caminho, depois de aprovadas diversas alterações às competições europeias, que parecem apontar no sentido de uma cada vez maior monopolização das mesmas por parte dos clubes das grandes ligas e potências futebolísticas.

Ceferin é o homem ao leme da UEFA (Foto: espnfc.com)

Vitória

Faz jus ao nome, o técnico do Benfica. Depois de um arranque muito complicado, Rui Vitória teve o mérito de não estragar o que estava bem e de solucionar sempre com mestria os problemas que lhe foram surgindo. Dentro do campo – com apostas várias e consolidadas em diversos jovens –, tal como fora dele, com um discurso quase sempre sóbrio, racional e fugindo do confronto pelo confronto. Mais do que um supra-sumo táctico, afirmou-se pela capacidade de leitura dos acontecimentos, pela forma sábia como mexeu a partir do banco, logrando, para além dos títulos colectivos, a fabulosa marca de 44 vitórias num ano – nunca nenhum outro treinador português havia atingido tal registo num ano civil.

Xavi

Aos 36 anos, o pequeno génio espanhol vive a sua pré-reforma no Qatar. Porém, longe dos holofotes, o catalão continua a requisitar as atenções para si. De ideias firmes e grandemente resultantes da cultura de que sempre bebeu, ao longo de 2016, várias foram as declarações com grande repercussão mediática, envolvendo (muitas vezes) Cristiano Ronaldo, o estilo de jogo do Atlético de Madrid, a possibilidade de uma eventual selecção da Catalunha ter potencial para ser top-10 mundial e até a ligação entre redes sociais e futebol.

Zidane

Chamado de urgência, no início de Janeiro, após a debacle madrilena com Benítez ao comando, ‘Zizou’ uniu as pontas e conduziu o Real Madrid à conquista da Champions. Com uma liderança mais próxima dos jogadores e com um estilo bastante pragmático, o técnico francês potenciou (e de que forma!) o melhor que os seus jogadores lhe poderiam dar. Resultado: termina 2016 com apenas duas derrotas em todo o ano civil e com Champions, Supertaça europeia e Mundial de Clubes na vitrina.

Depois de a vencer como jogador, Zidane ergueu a ‘Orelhuda’ enquanto técnico (Foto: ochute.com.br)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS




Newsletter


Categorias


newsletter